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Atingindo os primeiros 1000km (Paracatu-MG – São João D’Aliança-GO)

// junho 7th, 2010 // 7 Comentários » // Diário de Bordo

Trecho: Paracatu-MG – São João D´Aliança-GO
Início: 20/05/2010 Término: 31/05/2010 – 8 dias pedalados
Quilometragem: 421km – Média: 52,6km / dia (descontando dias parados)
Geral: 1213km – Média geral: 58km / dia
Cidades: 06 (Paracatu-MG, Unaí-MG, Cabeceiras-GO, Formosa-GO, São Gabriel-GO, São João D’Aliança-GO)
2 metas: primeiros 1000km e primeira fronteira MG-GO

A primeira fronteira Essa foi a primeira vez que pedalamos em três. Sentimos a ausência do Marcelo na estrada que está em Juiz de Fora se recuperando, mas sempre presente em nossos pensamentos e vai voltar logo para reintegrar a equipe.

Foi neste trecho que batemos duas metas importantes para nossa viagem. Ficamos mais de um mês pedalando por Minas Gerais, cruzamos o estado de sudeste a noroeste e pela primeira vez atravessamos uma fronteira. Saímos de Minas Gerais, terra do pão de queijo e chegamos a Goiás, estado conhecido pelas belezas naturais e o sertanejo.

No início tínhamos dúvidas se seríamos tão bem recebidos em Goiás quanto em Minas , pois ficamos mal acostumados com a hospitalidade mineira. Felizmente estamos sendo muito bem acolhidos por aqui também.

Além de cruzar a primeira fronteira de estado, superamos também a meta dos primeiros 1.000km pedalados. Estamos cada vez mais íntimos da estrada e do estilo de vida que escolhemos viver.

20 de maio – Paracatu-MG a Lanchonete da Laila (MG188)

Após alguns dias em Paracatu e passado o susto do acidente do Marcelo, nos despedimos da família do Kico e pegamos estrada. Depois de muito tempo pedalando pela BR040, saímos de vez da rodovia e pegamos a MG188. É um estilo de estrada totalmente diferente. Por vários trechos não tem acostamento, mas a estrada vazia e lisa nos deu muito mais segurança. A bela paisagem do planalto central junto ao cerrado nos encanta cada vez mais.

A boa estrada fez a pedalada render bem e, mesmo tendo saído um pouco tarde de Paracatu, no fim da tarde já tínhamos completado 76Km. Na hora de procurar lugar para montar acampamento, pedimos abrigo em uma fazenda na beira da estrada e o caseiro falou que não podia autorizar, pois o dono não estava e nos indicou uma venda perto dali. Chegando lá fomos recepcionados pela Laila, que além de nos ceder o quintal de sua casa para acamparmos, nos preparou uma deliciosa sopa acompanhada de uma boa conversa.

Impressionante como uma porta se fecha, outras se abrem. Como é bom saber que tem tanta gente disposta a ajudar.

21 de maio – Lanchonete da Laila a Unaí

Neste dia acordamos cedo, mas demoramos um pouco para sair, pois a bicicleta do Tiago acordou de pneu vazio e precisamos trocar o pneu e colar as câmaras furadas. Foi um dia de quilometragem baixa, pois já estávamos próximos a Unaí, nosso destino. Pedalamos rápido em uma manhã muito bonita até chegar à cidade às 10h da manhã.

21 a 23 de maio – Em Unaí-MG

Em Unaí aproveitamos a boa companhia das amigas Lorena, Cris, Damiane e Mônica e ficamos o fim de semana conhecendo a cidade. Tivemos uma surpresa quando as meninas nos presentearam com uma camisa para cada um. A camisa tem a logo da Nova Origem na frente e atrás o desenho de uma mexerica como merecida “patrocinadora”.

Na cidade gravamos uma matéria para a TV Rio Preto, aproveitamos o fim de semana para trabalhar no site e ainda conhecemos o Hotel Fazenda Curva do Rio, onde tomamos um banho na lagoa.

As camisas que ganhamos de presente

24 de maio – Unaí-MG a Pau Terra-MG

O dia começou tenso quando o nosso HD externo queimou na Lan House na hora de postarmos as fotos. Todas as fotos estavam lá e acabamos perdendo parte do material. Por sorte o Marcelo tem um backup da maior parte dos arquivos e evitou uma perda maior.

Começamos a pedalar perto do meio-dia, o sol estava escaldante. Já no início do trecho pegamos um estradão de terra pela primeira vez na viagem. Passamos por muitas fazendas, pedalávamos cercados por serras até que começamos a subir. Subimos uma grande chapada e no topo fomos presenteados com uma bela vista e conseguíamos ver Unaí, pequenina perto do imenso vale que avistávamos.

Durante a subida fomos presenteados com um banho de um caminhão pipa que molhava a estrada para baixar a poeira. Impressionante como temos abundância de água em nosso país. Saímos da estrada de chão para uma estrada de asfalto novo, liso e pouco movimentada. Começamos a descer a serra e logo paramos para fazer um camping selvagem. Nesse dia corremos atrás de um tatu e vimos uma siriema. Fizemos uma fogueira e passamos a noite tocando gaita e, para o jantar, arroz e macarrão com carne na panela de pressão. Estávamos com pouca água e fizemos um sistema de economia para conseguirmos cozinhar e lavar as vasilhas.

Mirante 25 de maio – Pau Terra-MG a Cabeceiras-GO

Acordamos com um nascer do sol lindo! Tomamos o café da manhã em uma venda, ligamos para nossas famílias. Seguimos pela bela estrada até que em um trevo nos deparamos com um caminhão de tomates que tinha tombado na noite anterior. Como os tomates iam apodrecer, fizemos a festa e carregamos nossos estoques! Pedalamos mais alguns quilômetros e chegamos na divisa de Minas Gerais com Goiás, completando também 1.000 quilômetros pedalados, primeira fatia redonda do nosso grande bolo de 45.000! Essa meta nos estimulou muito.
Acampamento selvagem
Dali pra frente seguimos por 14km em uma estrada de chão bonita, porém sem vegetação nativa, somente pasto para todos os lados. No caminho o Kico deu a idéia de procurarmos uma escola em Cabeceiras-GO para oferecermos uma palestra e ver se a escola poderia nos ajudar de alguma forma. Chegando a Cabeceiras batemos na porta do primeiro colégio, Escola Municipal Oemis Machado, e felizmente conseguimos espaço para fazer a palestra e ainda conseguimos liberação para dormir na Escola e tomar um banho na creche da cidade. Foi a primeira vez que estávamos pedalando e paramos para realizar uma palestra. Chegamos sujos e suados, mas a experiência foi muito bacana! Muitas piadinhas na escola por conta de nossas calças apertadas de andar de bike, mas no fim, ficaram todos muito curiosos e tivemos muitas perguntas para responder.

No fim do dia a professora Deiamar nos levou até sua casa para jantarmos. Foi muito especial. A família estava toda presente e oramos um Pai Nosso antes de comer. Depois de um bom papo a Deiamar e seu marido nos deixaram na escola para podermos enfim repousar.

Despedida da Escola Oemis Machado

26 de maio – Cabeceiras-GO a Formosa-GO

O caminho para Formosa foi bem tranqüilo. A paisagem do Planalto Central é bem diferente aos nossos olhos de mineiro. As estradas são retas, mas não exatamente planas, mas sim uma seqüencia de sobe e desce e ao final de cada subida é possível ver o infinito. Esse foi o primeiro dia que pegamos chuva. Foi uma chuva rápida e muito bem vinda, pois o calor estava muito forte!

Chegamos a Formosa com um lindo pôr do sol, paramos pra fotografar e quando entramos na cidade já era noite. Ligamos para Mila, amiga do Caseh, que foi nos buscar junto com o seu marido Maninho em um posto de gasolina e nos levou até a sua casa, onde iríamos pernoitar.

Chegando lá, rolou churrasco, cerveja e facilmente fomos convencidos a ficar mais um dia na cidade para conhecer o Salto do Itiquira. Fomos tão bem recebidos e acolhidos pelo casal amigo que acabamos ficando um fim de semana inteiro.

Kico pedalando em direção ao sol

27 a 29 de maio – Em Formosa-GO

A Mila e o Maninho são de Juiz de Fora. Os pais da Mila são amicíssimos dos pais do Caseh e fomos recebidos da melhor forma possível. O Maninho não economiza na cerveja e o fim de semana foi bem servido!

Na cidade estava acontecendo uma micareta, a Micarê Formosa e, na sexta-feira, nossos amigos nos convidaram a ir à festa e como não somos de ferro, acabamos cedendo. Foi uma noite muito engraçada e completamente atípica do estilo de vida que estamos levando.

Aproveitamos o tempo em Formosa para relaxar e conhecer a cachoeira Salto do Itiquira, uma queda linda de 168m. Conhecemos também a Lagoa Feia, uma lagoa que não tem nada de feia e repleta de bares e restaurantes nas margens.

Despedida da Mila e do Maninho

30 de maio – Formosa-GO a São Gabriel-GO

Acordamos cedo e fomos organizar nossos alforges e fazer uma rápida geral na bike. Maninho nos preparou uma vitamina de banana e muitos mistos quentes! Na hora de ir embora limpamos a dispensa da casa, levamos arroz, macarrão, biscoitos, pão de forma e até sabonete rs rs. A tristeza de nos despedirmos deles deu logo lugar à felicidade por termos fortalecido a amizade com pessoas tão especiais.

Começamos a pedalar por volta das 11 horas. Pegamos a rodovia GO118, que segue rumo a Chapada dos Veadeiros. Neste dia presenciamos um evento muito interessante! Na estrada vimos centenas de maritacas gritando e voando de um lado para o outro. Quando sacamos a máquina para tirar fotos, vimos um vento levantando palhas de um milharal a vários metros de altura. Era como um mini tornado jogando tudo em espiral para o alto, e isso estava atiçando as maritacas que entravam nesse vento e subiam aos céus numa velocidade vertiginosa. Foi muito interessante ter presenciado esse evento tão incomum.

O dia não rendeu muito, pois o pneu dos três furou. Pedalamos cerca de 50km, o suficiente para chegar no povoado de São Gabriel, distrito de Planaltina-GO. Conseguimos um belo lugar para acampar, gramado com uma mangueira para tomarmos banho e lavar as roupas.

Papagaios eufóricos

31 de maio – São Gabriel a São João D’Aliança

Acordamos e fizemos um shake com farinha láctea e comemos pão de forma recheado com wafer . Fizemos uma musculação com apoios e o elástico de fisioterapia e alongamento. Começamos a pedalar por volta das 10 da manhã. Foi um trecho com muitas subidas e cansativo.

Neste dia ocorreu algo interessante. O Kico encontrou um documento de motocicleta na beira da estrada e pensava em entregar em um posto policial ou mesmo tentar conseguir o telefone do dono, mas não foi necessário. Menos de 5km depois apareceu um motociclista desesperado atrás do documento (que era do irmão dele) e ficou muito agradecido por termos encontrado.

Paramos em uma bela lagoa no meio do caminho para nos refrescar. O clima é seco e o calor intenso. Nesse dia não passamos por nenhum rio na estrada. Chegamos a São João D’Aliança no finalzinho da tarde e demoramos a encontrar um lugar para acampar. Acabamos em um posto 24horas que tem no começo da cidade. São João D’Aliança é considerado o portal da Chapada dos Veadeiros, o primeiro grande parque natural que vamos conhecer nessa viagem.

Vamos reunir o máximo de informações possíveis para produzirmos um material para ajudar e incentivar os Cicloturistas e Ecoturistas a visitarem este local que está nos encantando.

Salto do Itiquira, cachoeira com 168m de queda – Formosa-GO

// maio 29th, 2010 // 18 Comentários » // Roteiros

Salto do Itiquira

Salto do Itiquira

Em nossa programação, ficaríamos somente uma noite em Formosa-GO, e seguiríamos na manhã seguinte sentido Alto Paraíso de Goiás, mas quando chegamos à casa da Mila ela nos mostrou fotos da cachoeira Salto do Itiquira, localizada cerca de 33km da cidade. Resolvemos então ficar mais um dia para conhecer a tal cachoeira.

Veja todas as fotos da cachoeira

Chapada na estrada para o Salto do ItiquiraA estrada até a cachoeira difere-se bastante do visual plano do Brasil central. Montanhas erguem-se em todos os lados e a partir da metade do caminho um grande paredão de pedra forma-se à esquerda de quem vai para a cachoeira.

Alguns riachos de água cristalina se formam deste paredão e cruzam a estrada. Paramos em um deles para nos banhar e como não é surpresa, tinha muito lixo deixado pelos “turistas” que vão até ali para fazer um churrasco. Fizemos então uma coleta de lixo no local para deixar o poço com a cara que merece.

O Salto do Itiquira é a maior cachoeira acessível do Brasil. Com 168m de queda, tem acesso fácil a sua base até para os menos preparados fisicamente. São apenas alguns metros de caminhada da portaria até a base da cachoeira.

A área de preservação da cachoeira é propriedade privada e para se ter acesso deve-se pagar uma taxa de R$12, sendo que estudantes e crianças até 12 anos pagam meia entrada. O local é muito bonito e preservado e conta com estrutura de estacionamento, restaurante, loja de souvenirs, banheiros e calçamento. Tudo feito com estilo para dar pouca interferência com o visual verde e preservado do local.

Salto do ItiquiraA queda d’água do Salto do Itiquira é impressionante! Quando se chega ao poço da queda, a força da água forma um vento forte que borrifa uma nuvem de água para todos os lados molhando tudo e todos ao redor. Se sua máquina fotográfica não é a prova d’água, evite levá-la até o poço da base. Por motivos de segurança este poço é proibido para banho, mas logo abaixo a corredeira forma cachoeiras menores e outros poços onde é permitido entrar na água.

De fato é a cachoeira mais bonita que já vimos na vida. O Tiago sentiu uma energia tão forte no vento d’água da cachoeira que começou a gritar “Estou sendo batizado!”. A energia da queda é realmente impressionante e mística. Saímos de lá com as baterias carregadas e felizes por termos escolhido ficar mais um dia para conhecer essa maravilha da natureza.

Confira o vídeo que fizemos do Salto do Itiquira.

Poço da queda

Poço da queda

Cachoeira enorme!

Cachoeira enorme!

Poço abaixo da queda principal

Poço abaixo da queda principal