Na Chapada dos Veadeiros, a palavra “macaco” tem um significado um pouco diferente. A presença dos rios Macaco e Macaquinho proporcionou à região o Vale dos Macacos, local que oferece inúmeras opções de cachoeira à beira dos dois rios.
Em uma de nossas incursões na Chapada, resolvemos conhecer as cachoeiras do rio Macaquinho. Saímos de bicicleta de Alto Paraíso para enfrentar os 45km até o local e passar dois dias por lá.
A estrada é tranqüila. Saindo de Alto Paraíso, são 14km de asfalto e o restante de uma boa e bem sinalizada estrada de terra. Não há risco de se perder, basta seguir as placas. A ida é muito mais descida do que subida – o que prejudica bastante a volta – e é possível chegar lá em pouco tempo.
Vão da Serra do Paranã
A estrada de terra tem um visual muito bonito e com sorte é possível ver algumas siriemas no Cerrado. A estrada segue beirando a Serra do Paranã e, alguns quilômetros antes de chegar ao Macaquinho, chegamos bem no meio do Vão do Paranã. Através do Vão, avista-se uma planície enorme e no meio dessa planície é possível ver a formação da Serra do Cerrote, bem fina, formando quase uma cicatriz em meio à planície. Um visual de tirar o fôlego.
A partir deste ponto resta apenas uma forte descida até chegar ao camping Paraíso das Pedras, que serve de portaria para as cachoeiras do Macaquinho.
Cachoeira da Caverna
As cachoeiras são muito top. São mais de 10 quedas em sequência e tem como principal atração a Cachoeira da Caverna que cai bem ao lado de uma caverna formada no poço.
Uma atração imperdível da Chapada dos Veadeiros.
Ficha técnica
Para ir de Bike: Médio. A distância da cidade é longa. São 45Km, sendo 31Km de estrada de chão. A ida é muito mais tranqüila, pois apresenta pouca subida e muita descida. A volta é bem mais puxada com uma longa e íngreme subida logo na saída. Tem outra subida forte logo no início do asfalto. O ideal é ir em um dia, acampar por lá e voltar no outro. A estrada é bem sinalizada e não há risco de errar o caminho.
Distância de Alto Paraíso: 45Km (14Km asfalto e 31Km terra)
Trilha a pé: 2km – Fácil e bem sinalizada
Preço: R$15/pessoa para visitar | R$30/pessoa para acampar Download do GPS Tracklog das Cachoeiras dos Macaquinhos
Faz tempo que não atualizamos o site, mas não esquecemos dele não. Passamos dois meses vivendo uma experiência fantástica na Chapada dos Veadeiros e agora estamos em Brasília terminando de ajeitar o material de fotos, vídeos e textos da nossa passagem por lá e vamos colocar tudo aqui no site nas próximas semanas.
Vamos aproveitar também nosso tempo em Brasília para correr atrás das burocracias de vistos, visitar ONGs ambientais para buscar parcerias e procurar empresas possíveis patrocinadoras do projeto.
Aqui em Brasília estamos na casa da nossa amiga Rafa, que é nutricionista e acupunturista e estamos recebendo um tratamento VIP! E pra compensar vamos fazer uma horta e um galinheiro na casa dela.
Segue algumas fotos da Chapada para dar uma idéia do que vamos colocar no site em breve.
Sessão de acupuntura na casa do Ramón em Cavalcante-GO
Cachoeira Santa Bárbara – Cavalcante-GO
Rancho onde acampamos no Rio da Prata – Divisa GO/TO
Curtindo uma das cachoeiras do Rio da Prata
Tiago com o cordão que fez na oficina de reaproveitamento do Cerrado
Caseh fazendo um feijão no fogão a lenha no camping em Macaquinhos
Quando saímos de São João d’Aliança-GO, estávamos ansiosos para chegar a Alto Paraíso de Goiás. Faltavam cerca de 20km para a cidade, quando vimos uma placa “Cataratas dos Couros” apontando para uma estrada de chão. Não pensamos duas vezes e seguimos a estrada sem ter idéia do que nos esperava.
A estrada de chão, o visual das montanhas e a falta de informação sobre o local faziam daquela a nossa primeira aventura na Chapada. O trecho de terra foi muito mais longo e difícil do que imaginávamos. Foram 30km de estrada com muita poeira solta; em alguns pontos chegava a quase um palmo de poeira acumulada. Isso dificultava muito nossa pedalada e em alguns momentos quase caímos. Mas o mais difícil estava por vir. Pouco antes de chegar, pegamos uma subida muito íngreme de cerca de 4km que sofremos para superar empurrando as bicicletas carregadas.
Tiago sofrendo para subir
Chegamos ao anoitecer e tivemos que acampar próximos às cachoeiras. A noite nos impedia de ver o local ao redor e o barulho das águas nos deu apenas uma pequena noção do que nos esperava na manhã seguinte.
A distância e a dificuldade do caminho de ida é recompensada por uma beleza fora do comum. As Cataratas dos Couros é formada por uma seqüencia de quatro grandes cachoeiras que chegam a 100m de queda e de uma série de poços de todos os tamanhos que acompanham o Rio dos Couros que ao final se torna um enorme cânion que se abre formando um visual de tirar o fôlego.
Curiosidade: O Rio dos Couros tem este nome pois os caçadores de Veado Campeiro da região usavam-o para limpar o couro das suas caças.
Chegando ao local deve-se deixar o veículo (bike ou carro) e andar por uma trilha fácil de cerca de 800m até a primeira queda, a Cachoeira da Muralha (foto ao lado). Ela desce em vários pontos em um paredão de pedra, formando poços e uma pequena ilha logo abaixo.
A trilha segue o curso do rio e vai dificultando o caminho. São mais 2km de trilha até o final. Uma infinidade de poços de tamanhos e profundidades diferentes se abrem à frente a todo momento. A água cristalina é um convite para um banho em cada um deles.
Outras cachoeiras vão se formando, até que chega-se nas famosas Cataratas dos Couros. Um paredão tomado de água que cai em pequenos poços emfrente a um grande cânion, formando um local de beleza para todos os lados que se olha, embalado pela música da água que desce forte da cachoeira.
Cataratas dos Couros
Ainda mais abaixo pela trilha, chega-se a um mirante para ver a última e maior queda do Rio dos Couros, a Cachoeira de São Vicente com cerca de 100m de queda. Água explode da pedra em direção ao fundo do cânion gigante. A trilha termina por ali e não é possível chegar na base dessa cachoeira (a não ser pela Fazenda Lua, mas aí é outra história).
Cânion
Um local de rara beleza que nos deixou muito empolgados com a Chapada dos Veadeiros, pois nos pegou de surpresa, chegamos ao local sem saber o que nos esperava e demos de cara com uma das mais belas seqüencias de cachoeiras da Chapada.
Ficha Técnica
Distância Asfalto: 20km (a partir de Alto Paraíso de Goiás) Distância Terra: 30km Caminhada em trilha: 3km Para ir de bike: Difícil. Entrada: R$10 Descrição: A distância é longa e a estrada de terra não é das mais fáceis nem para carros de passeio. Em vários pontos tem poeira solta e acumulada em quase um palmo, dificultando muito a pedalada e o trecho de 4km de subida íngreme empurrando a bike dificultam o acesso. O local não conta com estrutura de bar, restaurante e camping.
Trecho: Paracatu-MG – São João D´Aliança-GO Início: 20/05/2010 Término: 31/05/2010 – 8 dias pedalados Quilometragem: 421km – Média: 52,6km / dia (descontando dias parados) Geral: 1213km – Média geral: 58km / dia Cidades: 06 (Paracatu-MG, Unaí-MG, Cabeceiras-GO, Formosa-GO, São Gabriel-GO, São João D’Aliança-GO) 2 metas: primeiros 1000km e primeira fronteira MG-GO
Essa foi a primeira vez que pedalamos em três. Sentimos a ausência do Marcelo na estrada que está em Juiz de Fora se recuperando, mas sempre presente em nossos pensamentos e vai voltar logo para reintegrar a equipe.
Foi neste trecho que batemos duas metas importantes para nossa viagem. Ficamos mais de um mês pedalando por Minas Gerais, cruzamos o estado de sudeste a noroeste e pela primeira vez atravessamos uma fronteira. Saímos de Minas Gerais, terra do pão de queijo e chegamos a Goiás, estado conhecido pelas belezas naturais e o sertanejo.
No início tínhamos dúvidas se seríamos tão bem recebidos em Goiás quanto em Minas , pois ficamos mal acostumados com a hospitalidade mineira. Felizmente estamos sendo muito bem acolhidos por aqui também.
Além de cruzar a primeira fronteira de estado, superamos também a meta dos primeiros 1.000km pedalados. Estamos cada vez mais íntimos da estrada e do estilo de vida que escolhemos viver.
20 de maio – Paracatu-MG a Lanchonete da Laila (MG188)
Após alguns dias em Paracatu e passado o susto do acidente do Marcelo, nos despedimos da família do Kico e pegamos estrada. Depois de muito tempo pedalando pela BR040, saímos de vez da rodovia e pegamos a MG188. É um estilo de estrada totalmente diferente. Por vários trechos não tem acostamento, mas a estrada vazia e lisa nos deu muito mais segurança. A bela paisagem do planalto central junto ao cerrado nos encanta cada vez mais.
A boa estrada fez a pedalada render bem e, mesmo tendo saído um pouco tarde de Paracatu, no fim da tarde já tínhamos completado 76Km. Na hora de procurar lugar para montar acampamento, pedimos abrigo em uma fazenda na beira da estrada e o caseiro falou que não podia autorizar, pois o dono não estava e nos indicou uma venda perto dali. Chegando lá fomos recepcionados pela Laila, que além de nos ceder o quintal de sua casa para acamparmos, nos preparou uma deliciosa sopa acompanhada de uma boa conversa.
Impressionante como uma porta se fecha, outras se abrem. Como é bom saber que tem tanta gente disposta a ajudar.
21 de maio – Lanchonete da Laila a Unaí
Neste dia acordamos cedo, mas demoramos um pouco para sair, pois a bicicleta do Tiago acordou de pneu vazio e precisamos trocar o pneu e colar as câmaras furadas. Foi um dia de quilometragem baixa, pois já estávamos próximos a Unaí, nosso destino. Pedalamos rápido em uma manhã muito bonita até chegar à cidade às 10h da manhã.
21 a 23 de maio – Em Unaí-MG
Em Unaí aproveitamos a boa companhia das amigas Lorena, Cris, Damiane e Mônica e ficamos o fim de semana conhecendo a cidade. Tivemos uma surpresa quando as meninas nos presentearam com uma camisa para cada um. A camisa tem a logo da Nova Origem na frente e atrás o desenho de uma mexerica como merecida “patrocinadora”.
Na cidade gravamos uma matéria para a TV Rio Preto, aproveitamos o fim de semana para trabalhar no site e ainda conhecemos o Hotel Fazenda Curva do Rio, onde tomamos um banho na lagoa.
24 de maio – Unaí-MG a Pau Terra-MG
O dia começou tenso quando o nosso HD externo queimou na Lan House na hora de postarmos as fotos. Todas as fotos estavam lá e acabamos perdendo parte do material. Por sorte o Marcelo tem um backup da maior parte dos arquivos e evitou uma perda maior.
Começamos a pedalar perto do meio-dia, o sol estava escaldante. Já no início do trecho pegamos um estradão de terra pela primeira vez na viagem. Passamos por muitas fazendas, pedalávamos cercados por serras até que começamos a subir. Subimos uma grande chapada e no topo fomos presenteados com uma bela vista e conseguíamos ver Unaí, pequenina perto do imenso vale que avistávamos.
Durante a subida fomos presenteados com um banho de um caminhão pipa que molhava a estrada para baixar a poeira. Impressionante como temos abundância de água em nosso país. Saímos da estrada de chão para uma estrada de asfalto novo, liso e pouco movimentada. Começamos a descer a serra e logo paramos para fazer um camping selvagem. Nesse dia corremos atrás de um tatu e vimos uma siriema. Fizemos uma fogueira e passamos a noite tocando gaita e, para o jantar, arroz e macarrão com carne na panela de pressão. Estávamos com pouca água e fizemos um sistema de economia para conseguirmos cozinhar e lavar as vasilhas.
25 de maio – Pau Terra-MG a Cabeceiras-GO
Acordamos com um nascer do sol lindo! Tomamos o café da manhã em uma venda, ligamos para nossas famílias. Seguimos pela bela estrada até que em um trevo nos deparamos com um caminhão de tomates que tinha tombado na noite anterior. Como os tomates iam apodrecer, fizemos a festa e carregamos nossos estoques! Pedalamos mais alguns quilômetros e chegamos na divisa de Minas Gerais com Goiás, completando também 1.000 quilômetros pedalados, primeira fatia redonda do nosso grande bolo de 45.000! Essa meta nos estimulou muito.
Dali pra frente seguimos por 14km em uma estrada de chão bonita, porém sem vegetação nativa, somente pasto para todos os lados. No caminho o Kico deu a idéia de procurarmos uma escola em Cabeceiras-GO para oferecermos uma palestra e ver se a escola poderia nos ajudar de alguma forma. Chegando a Cabeceiras batemos na porta do primeiro colégio, Escola Municipal Oemis Machado, e felizmente conseguimos espaço para fazer a palestra e ainda conseguimos liberação para dormir na Escola e tomar um banho na creche da cidade. Foi a primeira vez que estávamos pedalando e paramos para realizar uma palestra. Chegamos sujos e suados, mas a experiência foi muito bacana! Muitas piadinhas na escola por conta de nossas calças apertadas de andar de bike, mas no fim, ficaram todos muito curiosos e tivemos muitas perguntas para responder.
No fim do dia a professora Deiamar nos levou até sua casa para jantarmos. Foi muito especial. A família estava toda presente e oramos um Pai Nosso antes de comer. Depois de um bom papo a Deiamar e seu marido nos deixaram na escola para podermos enfim repousar.
26 de maio – Cabeceiras-GO a Formosa-GO
O caminho para Formosa foi bem tranqüilo. A paisagem do Planalto Central é bem diferente aos nossos olhos de mineiro. As estradas são retas, mas não exatamente planas, mas sim uma seqüencia de sobe e desce e ao final de cada subida é possível ver o infinito. Esse foi o primeiro dia que pegamos chuva. Foi uma chuva rápida e muito bem vinda, pois o calor estava muito forte!
Chegamos a Formosa com um lindo pôr do sol, paramos pra fotografar e quando entramos na cidade já era noite. Ligamos para Mila, amiga do Caseh, que foi nos buscar junto com o seu marido Maninho em um posto de gasolina e nos levou até a sua casa, onde iríamos pernoitar.
Chegando lá, rolou churrasco, cerveja e facilmente fomos convencidos a ficar mais um dia na cidade para conhecer o Salto do Itiquira. Fomos tão bem recebidos e acolhidos pelo casal amigo que acabamos ficando um fim de semana inteiro.
27 a 29 de maio – Em Formosa-GO
A Mila e o Maninho são de Juiz de Fora. Os pais da Mila são amicíssimos dos pais do Caseh e fomos recebidos da melhor forma possível. O Maninho não economiza na cerveja e o fim de semana foi bem servido!
Na cidade estava acontecendo uma micareta, a Micarê Formosa e, na sexta-feira, nossos amigos nos convidaram a ir à festa e como não somos de ferro, acabamos cedendo. Foi uma noite muito engraçada e completamente atípica do estilo de vida que estamos levando.
Acordamos cedo e fomos organizar nossos alforges e fazer uma rápida geral na bike. Maninho nos preparou uma vitamina de banana e muitos mistos quentes! Na hora de ir embora limpamos a dispensa da casa, levamos arroz, macarrão, biscoitos, pão de forma e até sabonete rs rs. A tristeza de nos despedirmos deles deu logo lugar à felicidade por termos fortalecido a amizade com pessoas tão especiais.
Começamos a pedalar por volta das 11 horas. Pegamos a rodovia GO118, que segue rumo a Chapada dos Veadeiros. Neste dia presenciamos um evento muito interessante! Na estrada vimos centenas de maritacas gritando e voando de um lado para o outro. Quando sacamos a máquina para tirar fotos, vimos um vento levantando palhas de um milharal a vários metros de altura. Era como um mini tornado jogando tudo em espiral para o alto, e isso estava atiçando as maritacas que entravam nesse vento e subiam aos céus numa velocidade vertiginosa. Foi muito interessante ter presenciado esse evento tão incomum.
O dia não rendeu muito, pois o pneu dos três furou. Pedalamos cerca de 50km, o suficiente para chegar no povoado de São Gabriel, distrito de Planaltina-GO. Conseguimos um belo lugar para acampar, gramado com uma mangueira para tomarmos banho e lavar as roupas.
31 de maio – São Gabriel a São João D’Aliança
Acordamos e fizemos um shake com farinha láctea e comemos pão de forma recheado com wafer . Fizemos uma musculação com apoios e o elástico de fisioterapia e alongamento. Começamos a pedalar por volta das 10 da manhã. Foi um trecho com muitas subidas e cansativo.
Neste dia ocorreu algo interessante. O Kico encontrou um documento de motocicleta na beira da estrada e pensava em entregar em um posto policial ou mesmo tentar conseguir o telefone do dono, mas não foi necessário. Menos de 5km depois apareceu um motociclista desesperado atrás do documento (que era do irmão dele) e ficou muito agradecido por termos encontrado.
Paramos em uma bela lagoa no meio do caminho para nos refrescar. O clima é seco e o calor intenso. Nesse dia não passamos por nenhum rio na estrada. Chegamos a São João D’Aliança no finalzinho da tarde e demoramos a encontrar um lugar para acampar. Acabamos em um posto 24horas que tem no começo da cidade. São João D’Aliança é considerado o portal da Chapada dos Veadeiros, o primeiro grande parque natural que vamos conhecer nessa viagem.
Vamos reunir o máximo de informações possíveis para produzirmos um material para ajudar e incentivar os Cicloturistas e Ecoturistas a visitarem este local que está nos encantando.
Em nossa programação, ficaríamos somente uma noite em Formosa-GO, e seguiríamos na manhã seguinte sentido Alto Paraíso de Goiás, mas quando chegamos à casa da Mila ela nos mostrou fotos da cachoeira Salto do Itiquira, localizada cerca de 33km da cidade. Resolvemos então ficar mais um dia para conhecer a tal cachoeira.
A estrada até a cachoeira difere-se bastante do visual plano do Brasil central. Montanhas erguem-se em todos os lados e a partir da metade do caminho um grande paredão de pedra forma-se à esquerda de quem vai para a cachoeira.
Alguns riachos de água cristalina se formam deste paredão e cruzam a estrada. Paramos em um deles para nos banhar e como não é surpresa, tinha muito lixo deixado pelos “turistas” que vão até ali para fazer um churrasco. Fizemos então uma coleta de lixo no local para deixar o poço com a cara que merece.
O Salto do Itiquira é a maior cachoeira acessível do Brasil. Com 168m de queda, tem acesso fácil a sua base até para os menos preparados fisicamente. São apenas alguns metros de caminhada da portaria até a base da cachoeira.
A área de preservação da cachoeira é propriedade privada e para se ter acesso deve-se pagar uma taxa de R$12, sendo que estudantes e crianças até 12 anos pagam meia entrada. O local é muito bonito e preservado e conta com estrutura de estacionamento, restaurante, loja de souvenirs, banheiros e calçamento. Tudo feito com estilo para dar pouca interferência com o visual verde e preservado do local.
A queda d’água do Salto do Itiquira é impressionante! Quando se chega ao poço da queda, a força da água forma um vento forte que borrifa uma nuvem de água para todos os lados molhando tudo e todos ao redor. Se sua máquina fotográfica não é a prova d’água, evite levá-la até o poço da base. Por motivos de segurança este poço é proibido para banho, mas logo abaixo a corredeira forma cachoeiras menores e outros poços onde é permitido entrar na água.
De fato é a cachoeira mais bonita que já vimos na vida. O Tiago sentiu uma energia tão forte no vento d’água da cachoeira que começou a gritar “Estou sendo batizado!”. A energia da queda é realmente impressionante e mística. Saímos de lá com as baterias carregadas e felizes por termos escolhido ficar mais um dia para conhecer essa maravilha da natureza.
30 mudas plantadas
250 pessoas em palestras
Visita à Câmara de Vereadores de Paracatu
Paracatu foi mais uma cidade com portas abertas para a Nova Origem. No dia 15 de maio fizemos uma Pedalada Ecológica em parceria com a Sport Bike e o Empório Nectar. Pedalamos pelas ruas da cidade e finalizamos no Parque Ecológico Alto do Açude. Lá fomos recepcionados pelo Sr. Wilson, presidente da Câmara de Vereadores, junto com 50 crianças do projeto Craques do Futuro, que tem como objetivo oferecer esporte e educação para crianças carentes.
As crianças de 6 a 12 anos nos receberam com 30 mudas de árvores nativas. Eles nos ouviram falar da nossa viagem, a importância do esporte em nossas vidas, amizade e consciência ambiental. Depois da conversa, Kico deu uma volta na represa do parque fazendo uma coleta de lixo com a criançada enquanto o Carlos e o Tiago plantaram as mudas com a outra parte das crianças.
Depois das atividades as crianças foram presenteadas com um lanche. Antes de partir, resolvemos arriscar um futebol com essa gurizada. As crianças deram um show de bola em nós! Foi muito divertido poder compartilhar aquele momento com eles.
Fizemos uma palestra no dia 17 de maio no Colégio Atenas, para cerca de 120 crianças e aproveitamos a oportunidade para realizar uma oficina de sementes com o plantio de feijão no algodão. Durante o plantio, incentivamos as crianças a plantar e preservar as árvores e destacamos a importância das plantas para o nosso planeta.
No dia 18 de maio realizamos mais uma palestra na Escola Josino Neiva. Falamos para aproximadamente 80 crianças sobre a viagem, amizade e consciência ambiental. O destaque foi para o plantio de 3 mudas nativas na escola, junto com as crianças. Demos a elas a responsabilidade de cuidar das mudas, pois em breve serão elas mesmas as beneficiadas com os serviços ambientais dessas árvores.
Tivemos também uma conversa na Câmara dos Vereadores da cidade onde participaram o presidente da Câmara, Sr. Wilson Cordeiro, a secretária de meio ambiente Sra. Cristina Douglas e a bióloga da prefeitura Sra. Simone Paixão. Na conversa nos foi apresentada a nova Lei das Sacolas Plásticas de Paracatu, onde todos os estabelecimentos comerciais da cidade terão até 2014 para deixar de usar sacolas plásticas. Junto com essa Lei, está sendo desenvolvido um projeto de educação junto aos comerciantes e empacotadores dos supermercados e também doação de sacolas ecológicas.
Durante a conversa vimos que a cidade de Paracatu ainda está muito aquém na questão da preservação ambiental. A cidade perdeu a licença do seu aterro sanitário e está lutando para consegui-la novamente. Questionamos sobre as ações da prefeitura em relação ao controle das ações ambientais da Kinross – empresa canadense, maior exploradora de ouro do país – e percebemos que a administração da cidade ainda não exerce grande controle sobre as atividades da empresa.
Ainda em Paracatu, tentamos agendar uma visita na Kinross. Infelizmente só conseguimos a autorização da visita depois que já tínhamos saído da cidade. Mas para conhecer o local, fomos até a área da mina de extração e fizemos fotos da área explorada e do maquinário da empresa. É incrível ver o tamanho da destruição no local e pensar que para cada grama de ouro, é necessária a remoção de quatro toneladas de terra. Será que um pingente de ouro vale realmente todo esse impacto?
20 mudas nativas plantadas
1.000 pessoas em palestras
Nossas atividades ambientais em Três Marias começaram no sábado dia 1º de maio. Realizamos neste dia o plantio de 20 mudas nativas do Cerrado em um espaço de arborização urbana da cidade. O plantio foi feito em parceria da prefeitura local, representada no dia pelo Sr. Roberto Carlos, secretário do meio-ambiente. Participaram também desta atividade familiares do Marcelo.
O secretário nos passou um panorama geral da sustentabilidade na região: Políticas Ambientais, Votorantim Metais e Cerrado.
No dia 3 de maio participamos da abertura da semana do meio ambiente do Colégio IEBG. Lá conversamos com cerca de 250 crianças de 6 a 12 anos sobre nossa viagem, meio ambiente, consumo consciente e as incentivamos a participarem das atividades ambientais que seriam desenvolvidas naquela semana. A surpresa ficou para o final da palestra, quando as crianças disputavam entre si para receber um autógrafo nosso. Foi muito gratificante e gostoso receber todo aquele carinho. À noite fizemos um bate-papo com cerca de 50 alunos do curso técnico do mesmo colégio.
No dia seguinte, 4 de abril, foi a vez de visitarmos a Escola Municipal Geralda Márcia. Esse dia com certeza foi um dos mais especiais da viagem. Ao chegarmos à escola nos deparamos com um cartaz: ”Carlos Werner, Kico Zaninetti, Marcelo Barros e Tiago Batalha – SEJAM BEM-VINDOS!” e ao entrarmos no colégio, em todos os murais havia cartazes, com belas paisagens e dizeres do nosso projeto: “Nova Origem – Pedalando em busca do desenvolvimento sustentável”. É impossível colocar em palavras a sensação de vermos nossas idéias serem difundidas em um local tão especial como aquela escola. É uma escola onde a maioria dos alunos é de família carente e alguns deles demoram mais de 2 horas de ônibus para chegarem lá. Ao entrarmos nas salas, sempre éramos recebidos com um coro de “Bom dia!”. Realmente, aquele foi um dia emocionante. O carinho e interesse das crianças e da diretoria da escola nos fez ter certeza de que ter largado tudo e saído de casa para essa viagem, foi a escolha mais acertada de nossas vidas.
O mais interessante da Escola Geralda Márcia é a importância dada para a educação ambiental. A escola realiza diversas atividades com os alunos para despertar o interesse da preservação ambiental. A principal delas é a reciclagem e reutilização de garrafas PET. Em uma gincana interna, a Escola desafia os alunos a trazerem semanalmente garrafas PET que são recicladas pelos próprios alunos em uma oficina instalada na própria escola. As garrafas são transformadas em ambientes da escola, como a casinha do parque de diversões e a Sala de Artes, fantasias para escola de samba, além de todos os enfeites do natal de 2009 de Três Marias. A escola foi campeã das últimas 6 Semanas do Meio-Ambiente da cidade, evento anual que ocorre em Junho, onde escolas da cidade apresentam atividades ambientais.
Trecho: Três Marias-MG – Paracatu-MG Início: 06/05/2010 Término: 09/05/2010 – 4 dias pedalados Trecho: 244Km – Média: 61km/dia Total: 792Km Cidades: 04 (Três Marias, Luizlândia do Oeste, João Pinheiro, Paracatu)
7 pneus furados e 1 raio quebrado
É triste saber que o trecho com as mais belas paisagens e o mais colorido pôr do sol até então, foi marcado por um infeliz acidente com o Marcelo. No dia 9 de maio – dia das mães – a menos de 2km para chegarmos à casa da mãe do Kico em Paracatu, o Marcelo perdeu o controle da sua bicicleta em uma descida, e tomou um baita tombo.
O resultado desse tombo foi uma fratura no rádio – osso do antebraço – que pode ser vista na foto acima. Mas o problema maior foi que um fragmento do osso provocou um corte longitudinal na artéria radial. Por sorte estávamos muito próximos da cidade e imediatamente conseguimos parar um carro na estrada e o motorista solicitamente o levou para o Hospital São Lucas.
Houve necessidade de intervenção cirúrgica que aconteceu no mesmo dia. Ele está bem e o tempo de recuperação é de aproximadamente 6 semanas. Continuaremos seguindo nosso cronograma e provavelmente em Cuiabá ele estará novamente conosco. Enquanto isso ele continuará participando do projeto, nos ajudando com a rota, site e o que for necessário.
Nesse trecho da viagem pudemos perceber como Cerrado é lindo! Os galhos retorcidos fazem das árvores uma obra de arte e de tempos em tempos um casal de araras passa sobre nossas cabeças berrando e alegrando nossa pedalada. O céu dessa região tem nos chamado muita atenção, a forma das nuvens, cores, tudo muito maravilhoso, nos da belos momentos de contemplação.
Durante todo esse trecho, florestas de Eucalipto substituem a mata nativa, nos mostrando a imensa devastação da flora e fauna necessária para o progresso.
06 de maio – Três Marias -> Luizlândia do Oeste
Saímos tarde de Três Marias, depois de uma despedida emocionante com direito a um Pai Nosso rezado com a Vó Di. Nesse dia pegamos uma estrada com muita subida. Logo na saída da cidade subimos uma serra de cerca de 6km e mais tarde subimos a Serra do Abaeté, mais curta, mas mais íngreme. Nesse dia tomamos banho no córrego Curral das Éguas e inventamos a Academia da Natureza, usando os recursos da cachoeira e pedras para fazermos nossa ginástica e exercitar músculos menos utilizados durante a pedalada.
Ainda estamos em choque com a quantidade e tonalidade das cores do pôr do sol nessa região. Todo santo dia, o pôr do sol merece uma pausa e momento de contemplação.
Chegamos já de noite a Luizlândia do Oeste, onde conhecemos o Ebinho e seu pai que nos indicaram um terreno baldio para acamparmos. Montamos nossas barracas e por segurança guardamos a bicicleta na casa da vizinha do terreno.
07 de maio – Luizlândia do Oeste -> João Pinheiro
Nesse dia pedalamos 87km. Nosso recorde de quilometragem até o momento. E não foi nada fácil o dia na estrada. Levantamos cedo, mas só conseguimos começar a pedalar às 9h. A estrada ajudou com poucas subidas, mas foi um dia com muitos pneus furados (4) e ainda paramos em um posto de gasolina à tarde onde ganhamos almoço. Ficamos muito tempo para fazer a digestão, isso atrasou nosso trecho e acabamos tendo que pedalar os últimos quilômetros à noite. Vale registrar as araras que alegraram nossa tarde.
Já estávamos cansados e estressados quando chegamos a João Pinheiro. Depois de uma maratona para achar o Vicente, gerente da loja Jovem Lar – incluindo a procura por um careca cabeludo – fomos abrigados dentro da loja da Jovem Lar, uma loja de móveis e eletro-domésticos. Definitivamente foi a casa com mais camas, sofás e guarda-roupas que já dormimos e cada um escolheu um sofá ou cama para ser seu leito nessa noite.
08 de maio – João Pinheiro -> Fazenda da White Martins (BR040)
Depois de sair da nossa casa super mobiliada, pegamos uma estrada praticamente plana, nos sinalizando a proximidade do planalto central. O melhor terreno que pedalamos até agora. No meio do caminho, passamos pelo Rio da Prata e paramos para nos refrescar. Depois de um banho e mais uma tentativa frustrada de pescaria, quando já estávamos nos preparando para seguir viagem, eis que surge do nada um rapaz de moto. O sol de meio dia estava rachando nossa cabeça e depois de uma breve conversa com o Valdinei – o tal rapaz – ele nos pergunta “Vocês querem um refrigerante gelado?”. Só pode ser um anjo do céu. Nem acreditamos que aquilo estava acontecendo. No meio do nada aparece um refrigerante gelado em um dos dias mais quentes até agora.
Tomamos do refri e batemos um bom papo com o Valdinei. Mais tarde ganhamos outro refrigerante e um mapa rodoviário de dois caminhoneiros.
No meio da tarde estávamos passando perto de uma fazenda com um belo lago na frente e resolvemos entrar para tentar a sorte. A fazenda pertence à empresa White Martins e é uma fazenda carvoeira, muito bonita e organizada.
Nos liberaram para acampar perto da casa-sede da fazenda e ainda nos deram um belo jantar de fogão de lenha – feito com muito carinho pela Edilene – e banho quente nos chuveiros do alojamento dos carvoeiros.
Sem contar o bom banho de lago e o papo com o pessoal que trabalha por lá.
09 de maio – Fazenda White Martins (BR040) -> Paracatu
Dormimos muito cedo para acordar muito cedo e ver o sol nascer nas margens da lagoa. Acordamos às 04:30, levantamos acampamento e demos um delicioso mergulho na lagoa assistindo os primeiros raios de sol do dia, presenteados com uma manhã sem nenhuma nuvem no céu. Um momento muito sublime.
Partimos antes das 7h, ainda emocionados com o que se passou. Foi um dia de pedalada tranqüila, sem grandes subidas e o trecho era de apenas 50km. Quando faltava 20km para chegarmos a Paracatu, eis que aparece a Marina, e a Manoela, respectivamente mãe e irmã do Kico, de carro para nos surpreender na estrada. Para agilizar o final do trecho resolvemos descarregar as bagagens das bicicletas no carro e terminar o trecho com as bikes leves.
Chegando a Paracatu, a menos de 2km de casa o Marcelo se acidenta e essa história já foi contada. Agora estamos esperando nosso professor de francês voltar. “Nous faisons un tour du monde à vélo”
A estrada se tornou nossa nova sala de aula. Cada pedalada nos faz enxergar o mundo de forma diferente e nos ensina uma nova lição. Toda vez que recebemos um conforto, uma casa para ficarmos, um abraço de boas vindas ou um beijo de despedida seguido de desejos de sucesso, nos faz pensar por que a TV mostra tanta coisa ruim.
Até nos momentos de dificuldade – claro que as dificuldades que passamos até agora foram muito poucas – sempre aparece uma boa alma para nos ajudar. No último dia de pedalada deste trecho, cerca de 20km antes de Três Marias, a bicicleta do Caseh começou a dar problemas. Quebrou raios, furou pneu e arrebentou a corrente. Quando fomos sacar a corrente, nossa ferramenta quebrou e fizemos uma gambiarra que no final foi pior. A corrente trocada se partiu e acabou quebrando a gancheira da bicicleta. Nessa hora, já eram quase 21h e ameaçava começar a chover. Do meio do nada surge uma lanterna na estrada vindo em nossa direção pelo acostamento. Se aproxima um matuto, que mora numa casinha na beira da estrada, longe de tudo e todos e depois de uma breve conversa nos oferece abrigo, água e café. Mesmo com pouquíssimos recursos, aquele senhor estava disposto a nos ceder o que ele tinha a seu dispor, somente para ajudar os recentes “amigos” da estrada.
São essas situações que nos fazem repensar tudo que fomos condicionados a saber. A sociedade nos ensina que as pessoas são primariamente hostis e que você só deve confiar em quem você conhece há tempos, mas o que vemos são mais pessoas boas – muito mais – do que pessoas que podem nos fazer algum mal.
27 de abril – Belo Horizonte -> Sete Lagoas
A saída de BH não foi das mais fáceis. O trânsito do início da manhã era intenso e nos embrenhamos com as bicicletas carregadas no meio daquele caos de carros, buzinas e fumaça. Nesse dia fomos bem acompanhados. O Goiaba e o Cabelo, nossos parceiros da Magrela’s pedalaram conosco o dia todo. Saindo de BH, pegamos o caminho por fora da BR040 para chegar a Sete Lagoas, passando por Capim Branco e Matozinhos. Trecho com muito sobe e desce e caminhões de cimento, mas a pedalada rendeu bastante e chegamos no meio da tarde ao destino. O pessoal da Magrela’s patrocinou-nos uma pizza na beira de uma das lagoas da cidade e nesse dia ficamos na casa do Daniel, primo do Felipe, nosso amigo de Juiz de Fora. Recepção nota 1000! Obrigado pelo “contra-filé” Daniel!
28 de abril – Sete Lagoas -> Posto Trevão (BR040)
Dia de estrada boa e fácil! No meio do dia, quando paramos para encher nossas garrafas de água em um bar de beira de estrada, fomos informados por um morador local que tinha um curso d’água bom para banho perto de onde estávamos. Fomos para lá e passamos boa parte da tarde tomando banho em um ribeirão delicioso sobre uma laje de pedra. Encontramos vários pés de acerola completamente carregados e foi o dia da acerola para nós. No fim do dia acampamos no posto Trevão, às margens da BR040.
29 de abril – Posto Trevão (BR040) -> Felixlândia
Mais um dia de trecho excelente. Estrada ótima, com acostamento o tempo todo e subidas pouco íngremes. Nesse dia paramos sob uma ponte da estrada e pela primeira vez cozinhamos durante a pedalada. Tomamos um banho de córrego e comemos uma macarronada leve. A surpresa do dia foi a chegada a Felixlândia. A recepção na casa do Eder foi sensacional. Ele e o Dionísio – outro figuraça – são praticamente os únicos apaixonados por bicicleta (mountain bike) na cidade. Dormimos depois de um jantar delicioso e uma boa conversa.
30 de abril – Felixlândia -> Três Marias
Esse foi um dia atípico. O Kico acordou com muitas dores no joelho e com isso começaram as dúvidas de como seguiríamos. Depois de ligar para o Everaldo Batalha (nosso fisioterapeuta “particular”), ele resolveu ir pedalando com a condição de parar a cada duas horas, aplicar gelo e passar pomada antiinflamatória no local. A bicicleta do Caseh estava em um dia infeliz e quebrou seis raios, arrebentou a corrente e quando faltava 20km para chegamos a Três Marias quebrou a gancheira. Já era quase 21h e uma chuva se aproximava. Tínhamos duas opções: montar acampamento em algum lugar próximo e procurar ajuda no dia seguinte ou ligar para o pai do Marcelo que mora em Três Marias e pedir um resgate. Escolhemos o mais prático e fomos rebocados nos quilômetros finais. Dar problema perto de casa também faz parte da sorte que contínua nos acompanhando.
É sempre bom nos reunirmos com ciclistas, pois além de estarem sempre dispostos e bem humorados, são pessoas que gostam do que estamos fazendo e sempre têm dicas, sugestões e uma energia boa para nos passar.
Aproximadamente 15 ciclistas se reuniram no marco zero da Lagoa da Pampulha no sábado, dia 24 de abril para uma volta ao redor da lagoa. A pedalada ecológica foi uma iniciativa da Nova Origem em conjunto com a Magrela’s Life Style e Mountain Bike BH.
A Lagoa da Pampulha é um lago artificial situado na cidade de Belo Horizonte. O banho e a pesca são proibidos no local devido ao alto nível de poluição. Segundo Evandro Xavier, presidente da Fundação de
Zoo-Botânica de Belo Horizonte, o maior desafio para a despoluição da lagoa é o desassoriamento e o tratamento dos materiais orgânicos.
Na lagoa a população tem acesso à cultura, esporte e lazer. Pudemos observar pessoas praticando ciclismo, caminhada e corrida além de meditação e yoga. Observamos várias famílias reunidas na área gramada da lagoa, aproveitando a sombra das árvores.
A pedalada foi bem no estilo do cicloturismo, um passeio! O dia estava ensolarado e o cenário muito bonito. O fato de terem poucas pessoas ajudou à interação entre os participantes. O clima estava muito gostoso. Fizemos uma única parada no museu de Arte da Pampulha.
Participação na Motofair – Feira de motos e bikes
No domingo, dia 23 de abril, participamos da Motofair – Feira de motos e bikes – realizada no Expominas em Belo Horizonte. A feira contou com diversas marcas de motos, peças e acessórios.
A parte de bikes da feira não estava muito grande, mas teve coisa boa. Podemos destacar o stand de design de produtos da Fumec, que apresentou modelos de bicicletas conceito, como a bicicleta que também é carrinho de supermercado da foto abaixo.
Bicicleta Carrinho de Supermercado
Foi uma experiência interessante. Levamos as bicicletas montadas com os bagageiros e alforges e conhecemos muita gente. Também fizemos contatos com empresas da área em busca de patrocínio.
Plantio de Mudas no Parque Ecológico da Pampulha
O plantio de mudas é uma atividade de total conexão com a natureza.É um momento onde colocamos toda nossa energia para gerar uma nova vida. Em Belo Horizonte realizamos esta atividade no Parque Ecológico da Pampulha.
O presidente da Fundação de Zoo-Botânica de Belo Horizonte, Evandro Xavier participou do evento de plantio e nos contou que a o Parque Ecológico da Pampulha é passivo ambiental que ocorreu devido ao alto nível de assoriamento da lagoa que resultou em uma ilha de aproximadamente 30 hectares e que foi utilizada como um lixão durante aproximadamente 20 anos. Em meados da década de 2000 a prefeitura de Belo Horizonte resolveu transformar o passivo ambiental em um ativo e transformou o antigo lixão em um Parque Ecológico, plantando aproximadamente 3 mil mudas dos biomas brasileiros – Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica – formando assim um corredor ecológico dando tranqüilidade não só para os humanos mas também para a natureza, principalmente a flora. Um problema ambiental se transformou em solução.
No dia 24 de abril, plantamos de 20 mudas de diversas espécies e outras 20 foram doadas para o parque. Todas as mudas foram doadas pela Magrela’s Life Style e a Floricultura Domi. O plantio foi realizado pela Nova Origem em conjunto com os funcionários do Parque. O evento foi coberto pela rede de TV Bandeirantes.
Durante a preparação das covas, retirávamos não só terra, mas restos de embalagens plásticas, alumínio e demais lixos nos mostrando assim a história daquele local. Muito bom plantar uma nova vida em um local que estava morto. Parabéns para a prefeitura de Belo Horizonte por essa bela iniciativa.
Gostaríamos de agradecer em especial os funcionários do parque Liliane e Figueiredo que foram pessoas fundamentais para realização desta atividade.
Entrevista com Evandro Xavier – Presidente da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte
Palestra na Escola Estadual Getúlio Vargas
Foi a primeira escola que visitamos e a primeira vez que nos atrevemos a falar sobre o projeto Nova Origem, a busca pelos próprios sonhos e preservação ambiental para crianças. No dia 25 de abril, nós tivemos a missão de conversar com 350 crianças com idades entre 6 e 11 anos. A recepção sempre sincera e a eterna curiosidade da mente infantil nos cativaram já na primeira sala de aula. O maior desafio é conversar na língua das crianças e fazê-las entender a mensagem que queremos passar.
Depois de cinco salas com cerca de 70 alunos cada, saímos de lá com sensação de missão cumprida. E nos lembraremos sempre da Gabriela, uma garotinha de cerca de 8 anos que esperou-nos na saída do colégio e deu um beijo no rosto de cada um e nos desejou boa viagem.
No final doamos uma muda de Jamelão para ser plantada na escola. Esperamos que em breve dê muitos frutos para essas crianças maravilhosas.
Essa atividade foi possível com o apoio da Conspiração Mineira pela Educação (Júlia), da Consultora Adriana Torres e da Escola Estadual Getúlio Vargas (Creuza). Obrigado a todas vocês!