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Atingindo os primeiros 1000km (Paracatu-MG – São João D’Aliança-GO)

// junho 7th, 2010 // 7 Comentários » // Diário de Bordo

Trecho: Paracatu-MG – São João D´Aliança-GO
Início: 20/05/2010 Término: 31/05/2010 – 8 dias pedalados
Quilometragem: 421km – Média: 52,6km / dia (descontando dias parados)
Geral: 1213km – Média geral: 58km / dia
Cidades: 06 (Paracatu-MG, Unaí-MG, Cabeceiras-GO, Formosa-GO, São Gabriel-GO, São João D’Aliança-GO)
2 metas: primeiros 1000km e primeira fronteira MG-GO

A primeira fronteira Essa foi a primeira vez que pedalamos em três. Sentimos a ausência do Marcelo na estrada que está em Juiz de Fora se recuperando, mas sempre presente em nossos pensamentos e vai voltar logo para reintegrar a equipe.

Foi neste trecho que batemos duas metas importantes para nossa viagem. Ficamos mais de um mês pedalando por Minas Gerais, cruzamos o estado de sudeste a noroeste e pela primeira vez atravessamos uma fronteira. Saímos de Minas Gerais, terra do pão de queijo e chegamos a Goiás, estado conhecido pelas belezas naturais e o sertanejo.

No início tínhamos dúvidas se seríamos tão bem recebidos em Goiás quanto em Minas , pois ficamos mal acostumados com a hospitalidade mineira. Felizmente estamos sendo muito bem acolhidos por aqui também.

Além de cruzar a primeira fronteira de estado, superamos também a meta dos primeiros 1.000km pedalados. Estamos cada vez mais íntimos da estrada e do estilo de vida que escolhemos viver.

20 de maio – Paracatu-MG a Lanchonete da Laila (MG188)

Após alguns dias em Paracatu e passado o susto do acidente do Marcelo, nos despedimos da família do Kico e pegamos estrada. Depois de muito tempo pedalando pela BR040, saímos de vez da rodovia e pegamos a MG188. É um estilo de estrada totalmente diferente. Por vários trechos não tem acostamento, mas a estrada vazia e lisa nos deu muito mais segurança. A bela paisagem do planalto central junto ao cerrado nos encanta cada vez mais.

A boa estrada fez a pedalada render bem e, mesmo tendo saído um pouco tarde de Paracatu, no fim da tarde já tínhamos completado 76Km. Na hora de procurar lugar para montar acampamento, pedimos abrigo em uma fazenda na beira da estrada e o caseiro falou que não podia autorizar, pois o dono não estava e nos indicou uma venda perto dali. Chegando lá fomos recepcionados pela Laila, que além de nos ceder o quintal de sua casa para acamparmos, nos preparou uma deliciosa sopa acompanhada de uma boa conversa.

Impressionante como uma porta se fecha, outras se abrem. Como é bom saber que tem tanta gente disposta a ajudar.

21 de maio – Lanchonete da Laila a Unaí

Neste dia acordamos cedo, mas demoramos um pouco para sair, pois a bicicleta do Tiago acordou de pneu vazio e precisamos trocar o pneu e colar as câmaras furadas. Foi um dia de quilometragem baixa, pois já estávamos próximos a Unaí, nosso destino. Pedalamos rápido em uma manhã muito bonita até chegar à cidade às 10h da manhã.

21 a 23 de maio – Em Unaí-MG

Em Unaí aproveitamos a boa companhia das amigas Lorena, Cris, Damiane e Mônica e ficamos o fim de semana conhecendo a cidade. Tivemos uma surpresa quando as meninas nos presentearam com uma camisa para cada um. A camisa tem a logo da Nova Origem na frente e atrás o desenho de uma mexerica como merecida “patrocinadora”.

Na cidade gravamos uma matéria para a TV Rio Preto, aproveitamos o fim de semana para trabalhar no site e ainda conhecemos o Hotel Fazenda Curva do Rio, onde tomamos um banho na lagoa.

As camisas que ganhamos de presente

24 de maio – Unaí-MG a Pau Terra-MG

O dia começou tenso quando o nosso HD externo queimou na Lan House na hora de postarmos as fotos. Todas as fotos estavam lá e acabamos perdendo parte do material. Por sorte o Marcelo tem um backup da maior parte dos arquivos e evitou uma perda maior.

Começamos a pedalar perto do meio-dia, o sol estava escaldante. Já no início do trecho pegamos um estradão de terra pela primeira vez na viagem. Passamos por muitas fazendas, pedalávamos cercados por serras até que começamos a subir. Subimos uma grande chapada e no topo fomos presenteados com uma bela vista e conseguíamos ver Unaí, pequenina perto do imenso vale que avistávamos.

Durante a subida fomos presenteados com um banho de um caminhão pipa que molhava a estrada para baixar a poeira. Impressionante como temos abundância de água em nosso país. Saímos da estrada de chão para uma estrada de asfalto novo, liso e pouco movimentada. Começamos a descer a serra e logo paramos para fazer um camping selvagem. Nesse dia corremos atrás de um tatu e vimos uma siriema. Fizemos uma fogueira e passamos a noite tocando gaita e, para o jantar, arroz e macarrão com carne na panela de pressão. Estávamos com pouca água e fizemos um sistema de economia para conseguirmos cozinhar e lavar as vasilhas.

Mirante 25 de maio – Pau Terra-MG a Cabeceiras-GO

Acordamos com um nascer do sol lindo! Tomamos o café da manhã em uma venda, ligamos para nossas famílias. Seguimos pela bela estrada até que em um trevo nos deparamos com um caminhão de tomates que tinha tombado na noite anterior. Como os tomates iam apodrecer, fizemos a festa e carregamos nossos estoques! Pedalamos mais alguns quilômetros e chegamos na divisa de Minas Gerais com Goiás, completando também 1.000 quilômetros pedalados, primeira fatia redonda do nosso grande bolo de 45.000! Essa meta nos estimulou muito.
Acampamento selvagem
Dali pra frente seguimos por 14km em uma estrada de chão bonita, porém sem vegetação nativa, somente pasto para todos os lados. No caminho o Kico deu a idéia de procurarmos uma escola em Cabeceiras-GO para oferecermos uma palestra e ver se a escola poderia nos ajudar de alguma forma. Chegando a Cabeceiras batemos na porta do primeiro colégio, Escola Municipal Oemis Machado, e felizmente conseguimos espaço para fazer a palestra e ainda conseguimos liberação para dormir na Escola e tomar um banho na creche da cidade. Foi a primeira vez que estávamos pedalando e paramos para realizar uma palestra. Chegamos sujos e suados, mas a experiência foi muito bacana! Muitas piadinhas na escola por conta de nossas calças apertadas de andar de bike, mas no fim, ficaram todos muito curiosos e tivemos muitas perguntas para responder.

No fim do dia a professora Deiamar nos levou até sua casa para jantarmos. Foi muito especial. A família estava toda presente e oramos um Pai Nosso antes de comer. Depois de um bom papo a Deiamar e seu marido nos deixaram na escola para podermos enfim repousar.

Despedida da Escola Oemis Machado

26 de maio – Cabeceiras-GO a Formosa-GO

O caminho para Formosa foi bem tranqüilo. A paisagem do Planalto Central é bem diferente aos nossos olhos de mineiro. As estradas são retas, mas não exatamente planas, mas sim uma seqüencia de sobe e desce e ao final de cada subida é possível ver o infinito. Esse foi o primeiro dia que pegamos chuva. Foi uma chuva rápida e muito bem vinda, pois o calor estava muito forte!

Chegamos a Formosa com um lindo pôr do sol, paramos pra fotografar e quando entramos na cidade já era noite. Ligamos para Mila, amiga do Caseh, que foi nos buscar junto com o seu marido Maninho em um posto de gasolina e nos levou até a sua casa, onde iríamos pernoitar.

Chegando lá, rolou churrasco, cerveja e facilmente fomos convencidos a ficar mais um dia na cidade para conhecer o Salto do Itiquira. Fomos tão bem recebidos e acolhidos pelo casal amigo que acabamos ficando um fim de semana inteiro.

Kico pedalando em direção ao sol

27 a 29 de maio – Em Formosa-GO

A Mila e o Maninho são de Juiz de Fora. Os pais da Mila são amicíssimos dos pais do Caseh e fomos recebidos da melhor forma possível. O Maninho não economiza na cerveja e o fim de semana foi bem servido!

Na cidade estava acontecendo uma micareta, a Micarê Formosa e, na sexta-feira, nossos amigos nos convidaram a ir à festa e como não somos de ferro, acabamos cedendo. Foi uma noite muito engraçada e completamente atípica do estilo de vida que estamos levando.

Aproveitamos o tempo em Formosa para relaxar e conhecer a cachoeira Salto do Itiquira, uma queda linda de 168m. Conhecemos também a Lagoa Feia, uma lagoa que não tem nada de feia e repleta de bares e restaurantes nas margens.

Despedida da Mila e do Maninho

30 de maio – Formosa-GO a São Gabriel-GO

Acordamos cedo e fomos organizar nossos alforges e fazer uma rápida geral na bike. Maninho nos preparou uma vitamina de banana e muitos mistos quentes! Na hora de ir embora limpamos a dispensa da casa, levamos arroz, macarrão, biscoitos, pão de forma e até sabonete rs rs. A tristeza de nos despedirmos deles deu logo lugar à felicidade por termos fortalecido a amizade com pessoas tão especiais.

Começamos a pedalar por volta das 11 horas. Pegamos a rodovia GO118, que segue rumo a Chapada dos Veadeiros. Neste dia presenciamos um evento muito interessante! Na estrada vimos centenas de maritacas gritando e voando de um lado para o outro. Quando sacamos a máquina para tirar fotos, vimos um vento levantando palhas de um milharal a vários metros de altura. Era como um mini tornado jogando tudo em espiral para o alto, e isso estava atiçando as maritacas que entravam nesse vento e subiam aos céus numa velocidade vertiginosa. Foi muito interessante ter presenciado esse evento tão incomum.

O dia não rendeu muito, pois o pneu dos três furou. Pedalamos cerca de 50km, o suficiente para chegar no povoado de São Gabriel, distrito de Planaltina-GO. Conseguimos um belo lugar para acampar, gramado com uma mangueira para tomarmos banho e lavar as roupas.

Papagaios eufóricos

31 de maio – São Gabriel a São João D’Aliança

Acordamos e fizemos um shake com farinha láctea e comemos pão de forma recheado com wafer . Fizemos uma musculação com apoios e o elástico de fisioterapia e alongamento. Começamos a pedalar por volta das 10 da manhã. Foi um trecho com muitas subidas e cansativo.

Neste dia ocorreu algo interessante. O Kico encontrou um documento de motocicleta na beira da estrada e pensava em entregar em um posto policial ou mesmo tentar conseguir o telefone do dono, mas não foi necessário. Menos de 5km depois apareceu um motociclista desesperado atrás do documento (que era do irmão dele) e ficou muito agradecido por termos encontrado.

Paramos em uma bela lagoa no meio do caminho para nos refrescar. O clima é seco e o calor intenso. Nesse dia não passamos por nenhum rio na estrada. Chegamos a São João D’Aliança no finalzinho da tarde e demoramos a encontrar um lugar para acampar. Acabamos em um posto 24horas que tem no começo da cidade. São João D’Aliança é considerado o portal da Chapada dos Veadeiros, o primeiro grande parque natural que vamos conhecer nessa viagem.

Vamos reunir o máximo de informações possíveis para produzirmos um material para ajudar e incentivar os Cicloturistas e Ecoturistas a visitarem este local que está nos encantando.

Salto do Itiquira, cachoeira com 168m de queda – Formosa-GO

// maio 29th, 2010 // 18 Comentários » // Roteiros

Salto do Itiquira

Salto do Itiquira

Em nossa programação, ficaríamos somente uma noite em Formosa-GO, e seguiríamos na manhã seguinte sentido Alto Paraíso de Goiás, mas quando chegamos à casa da Mila ela nos mostrou fotos da cachoeira Salto do Itiquira, localizada cerca de 33km da cidade. Resolvemos então ficar mais um dia para conhecer a tal cachoeira.

Veja todas as fotos da cachoeira

Chapada na estrada para o Salto do ItiquiraA estrada até a cachoeira difere-se bastante do visual plano do Brasil central. Montanhas erguem-se em todos os lados e a partir da metade do caminho um grande paredão de pedra forma-se à esquerda de quem vai para a cachoeira.

Alguns riachos de água cristalina se formam deste paredão e cruzam a estrada. Paramos em um deles para nos banhar e como não é surpresa, tinha muito lixo deixado pelos “turistas” que vão até ali para fazer um churrasco. Fizemos então uma coleta de lixo no local para deixar o poço com a cara que merece.

O Salto do Itiquira é a maior cachoeira acessível do Brasil. Com 168m de queda, tem acesso fácil a sua base até para os menos preparados fisicamente. São apenas alguns metros de caminhada da portaria até a base da cachoeira.

A área de preservação da cachoeira é propriedade privada e para se ter acesso deve-se pagar uma taxa de R$12, sendo que estudantes e crianças até 12 anos pagam meia entrada. O local é muito bonito e preservado e conta com estrutura de estacionamento, restaurante, loja de souvenirs, banheiros e calçamento. Tudo feito com estilo para dar pouca interferência com o visual verde e preservado do local.

Salto do ItiquiraA queda d’água do Salto do Itiquira é impressionante! Quando se chega ao poço da queda, a força da água forma um vento forte que borrifa uma nuvem de água para todos os lados molhando tudo e todos ao redor. Se sua máquina fotográfica não é a prova d’água, evite levá-la até o poço da base. Por motivos de segurança este poço é proibido para banho, mas logo abaixo a corredeira forma cachoeiras menores e outros poços onde é permitido entrar na água.

De fato é a cachoeira mais bonita que já vimos na vida. O Tiago sentiu uma energia tão forte no vento d’água da cachoeira que começou a gritar “Estou sendo batizado!”. A energia da queda é realmente impressionante e mística. Saímos de lá com as baterias carregadas e felizes por termos escolhido ficar mais um dia para conhecer essa maravilha da natureza.

Confira o vídeo que fizemos do Salto do Itiquira.

Poço da queda

Poço da queda

Cachoeira enorme!

Cachoeira enorme!

Poço abaixo da queda principal

Poço abaixo da queda principal

O acidente do Marcelo (Três Marias – Paracatu)

// maio 12th, 2010 // 37 Comentários » // Diário de Bordo

 

Trecho: Três Marias-MG – Paracatu-MG
Início: 06/05/2010 Término: 09/05/2010 – 4 dias pedalados
Trecho: 244Km – Média: 61km/dia
Total: 792Km
Cidades: 04 (Três Marias, Luizlândia do Oeste, João Pinheiro, Paracatu)
7 pneus furados e 1 raio quebrado

Silhueta

É triste saber que o trecho com as mais belas paisagens e o mais colorido pôr do sol até então, foi marcado por um infeliz acidente com o Marcelo. No dia 9 de maio – dia das mães – a menos de 2km para chegarmos à casa da mãe do Kico em Paracatu, o Marcelo perdeu o controle da sua bicicleta em uma descida, e tomou um baita tombo.

Raio-X do braço do MarceloO resultado desse tombo foi uma fratura no rádio – osso do antebraço – que pode ser vista na foto acima. Mas o problema maior foi que um fragmento do osso provocou um corte longitudinal na artéria radial. Por sorte estávamos muito próximos da cidade e imediatamente conseguimos parar um carro na estrada e o motorista solicitamente o levou para o Hospital São Lucas.

Houve necessidade de intervenção cirúrgica que aconteceu no mesmo dia. Ele está bem e o tempo de recuperação é de aproximadamente 6 semanas. Continuaremos seguindo nosso cronograma e provavelmente em Cuiabá ele estará novamente conosco. Enquanto isso ele continuará participando do projeto, nos ajudando com a rota, site e o que for necessário.

Nesse trecho da viagem pudemos perceber como Cerrado é lindo! Os galhos retorcidos fazem das árvores uma obra de arte e de tempos em tempos  um casal de araras passa sobre nossas cabeças berrando e alegrando nossa pedalada. O céu dessa região tem nos chamado muita atenção, a forma das nuvens, cores, tudo muito maravilhoso, nos da belos momentos de contemplação.

Durante todo esse trecho, florestas de Eucalipto substituem a mata nativa, nos mostrando a imensa devastação da flora e fauna necessária para o progresso.

06 de maio – Três Marias -> Luizlândia do Oeste

 

Saímos tarde de Três Marias, depois de uma despedida emocionante com direito a um Pai Nosso rezado com a Vó Di. Nesse dia pegamos uma estrada com muita subida. Logo na saída da cidade subimos uma serra de cerca de 6km e mais tarde subimos a Serra do Abaeté, mais curta, mas mais íngreme. Nesse dia tomamos banho no córrego Curral das Éguas e inventamos a Academia da Natureza, usando os recursos da cachoeira e pedras para fazermos nossa ginástica e exercitar músculos menos utilizados durante a pedalada.

Ainda estamos em choque com a quantidade e tonalidade das cores do pôr do sol nessa região. Todo santo dia, o pôr do sol merece uma pausa e momento de contemplação.

Chegamos já de noite a Luizlândia do Oeste, onde conhecemos o Ebinho e seu pai que nos indicaram um terreno baldio para acamparmos. Montamos nossas barracas e por segurança guardamos a bicicleta na casa da vizinha do terreno.

Capa do livro

07 de maio – Luizlândia do Oeste -> João Pinheiro

 

Nesse dia pedalamos 87km. Nosso recorde de quilometragem até o momento. E não foi nada fácil o dia na estrada. Levantamos cedo, mas só conseguimos começar a pedalar às 9h. A estrada ajudou com poucas subidas, mas foi um dia com muitos pneus furados (4) e ainda paramos em um posto de gasolina à tarde onde ganhamos almoço. Ficamos muito tempo para fazer a digestão, isso atrasou nosso trecho e acabamos tendo que pedalar os últimos quilômetros à noite. Vale registrar as araras que alegraram nossa tarde.

Já estávamos cansados e estressados quando chegamos a João Pinheiro. Depois de uma maratona para achar o Vicente, gerente da loja Jovem Lar – incluindo a procura por um careca cabeludo – fomos abrigados dentro da loja da Jovem Lar, uma loja de móveis e eletro-domésticos. Definitivamente foi a casa com mais camas, sofás e guarda-roupas que já dormimos e cada um escolheu um sofá ou cama para ser seu leito nessa noite.

IMG_518308 de maio – João Pinheiro -> Fazenda da White Martins (BR040)

Depois de sair da nossa casa super mobiliada, pegamos uma estrada praticamente plana, nos sinalizando a proximidade do planalto central. O melhor terreno que pedalamos até agora. No meio do caminho, passamos pelo Rio da Prata e paramos para nos refrescar. Depois de um banho e mais uma tentativa frustrada de pescaria, quando já estávamos nos preparando para seguir viagem, eis que surge do nada um rapaz de moto. O sol de meio dia estava rachando nossa cabeça e depois de uma breve conversa com o Valdinei – o tal rapaz – ele nos pergunta “Vocês querem um refrigerante gelado?”. Só pode ser um anjo do céu. Nem acreditamos que aquilo estava acontecendo. No meio do nada aparece um refrigerante gelado em um dos dias mais quentes até agora.

Tomamos do refri e batemos um bom papo com o Valdinei. Mais tarde ganhamos outro refrigerante e um mapa rodoviário de dois caminhoneiros.

No meio da tarde estávamos passando perto de uma fazenda com um belo lago na frente e resolvemos entrar para tentar a sorte. A fazenda pertence à empresa White Martins e é uma fazenda carvoeira, muito bonita e organizada.

Nos liberaram para acampar perto da casa-sede da fazenda e ainda nos deram um belo jantar de fogão de lenha – feito com muito carinho pela Edilene – e banho quente nos chuveiros do alojamento dos carvoeiros.

Sem contar o bom banho de lago e o papo com o pessoal que trabalha por lá.

Acampamento na fazenda da White Martins09 de maio – Fazenda White Martins (BR040) -> Paracatu

Dormimos muito cedo para acordar muito cedo e ver o sol nascer nas margens da lagoa. Acordamos às 04:30, levantamos acampamento e demos um delicioso mergulho na lagoa assistindo os primeiros raios de sol do dia, presenteados com uma manhã sem nenhuma nuvem no céu. Um momento muito sublime.

Partimos antes das 7h, ainda emocionados com o que se passou. Foi um dia de pedalada tranqüila, sem grandes subidas e o trecho era de apenas 50km. Quando faltava 20km para chegarmos a Paracatu, eis que aparece a Marina, e a Manoela, respectivamente mãe e irmã do Kico, de carro para nos surpreender na estrada. Para agilizar o final do trecho resolvemos descarregar as bagagens das bicicletas no carro e terminar o trecho com as bikes leves.

Chegando a Paracatu, a menos de 2km de casa o Marcelo se acidenta e essa história já foi contada. Agora estamos esperando nosso professor de francês voltar. “Nous faisons un tour du monde à vélo”

A lagoa e as árvores

As primeiras lições (Belo Horizonte – Três Marias)

// maio 6th, 2010 // 15 Comentários » // Diário de Bordo

Trecho: Belo Horizonte – Três Marias
Início: 27/04/2010 Término: 30/04/2010 – 4 dias pedalados
Trecho: 267Km – Média: 67km/dia
Total: 548Km – Média: 60km/dia
Cidades: 08 (Belo Horizonte, Capim Branco, Matozinhos, Prudente de Morais, Sete Lagoas, Paraopeba, Felixlândia, Três Marias)
Um pneu furado, oito raios quebrados, duas correntes arrebentadas e uma gancheira quebrada.


Exibir mapa ampliado

Mexicano que nos ajudou a consertar a bicicleta A estrada se tornou nossa nova sala de aula. Cada pedalada nos faz enxergar o mundo de forma diferente e nos ensina uma nova lição. Toda vez que recebemos um conforto, uma casa para ficarmos, um abraço de boas vindas ou um beijo de despedida seguido de desejos de sucesso, nos faz pensar por que a TV mostra tanta coisa ruim.

Até nos momentos de dificuldade – claro que as dificuldades que passamos até agora foram muito poucas – sempre aparece uma boa alma para nos ajudar. No último dia de pedalada deste trecho, cerca de 20km antes de Três Marias, a bicicleta do Caseh começou a dar problemas. Quebrou raios, furou pneu e arrebentou a corrente. Quando fomos sacar a corrente, nossa ferramenta quebrou e fizemos uma gambiarra que no final foi pior. A corrente trocada se partiu e acabou quebrando a gancheira da bicicleta. Nessa hora, já eram quase 21h e ameaçava começar a chover. Do meio do nada surge uma lanterna na estrada vindo em nossa direção pelo acostamento. Se aproxima um matuto, que mora numa casinha na beira da estrada, longe de tudo e todos e depois de uma breve conversa nos oferece abrigo, água e café. Mesmo com pouquíssimos recursos, aquele senhor estava disposto a nos ceder o que ele tinha a seu dispor, somente para ajudar os recentes “amigos” da estrada.

São essas situações que nos fazem repensar tudo que fomos condicionados a saber. A sociedade nos ensina que as pessoas são primariamente hostis e que você só deve confiar em quem você conhece há tempos, mas o que vemos são mais pessoas boas – muito mais – do que pessoas que podem nos fazer algum mal.

27 de abril – Belo Horizonte -> Sete Lagoas

A saída de BH não foi das mais fáceis. O trânsito do início da manhã era intenso e nos embrenhamos com as bicicletas carregadas no meio daquele caos de carros, buzinas e fumaça. Nesse dia fomos bem acompanhados. O Goiaba e o Cabelo, nossos parceiros da Magrela’s pedalaram conosco o dia todo. Saindo de BH, pegamos o caminho por fora da BR040 para chegar a Sete Lagoas, passando por Capim Branco e Matozinhos. Trecho com muito sobe e desce e caminhões de cimento, mas a pedalada rendeu bastante e chegamos no meio da tarde ao destino. O pessoal da Magrela’s patrocinou-nos uma pizza na beira de uma das lagoas da cidade e nesse dia ficamos na casa do Daniel, primo do Felipe, nosso amigo de Juiz de Fora. Recepção nota 1000! Obrigado pelo “contra-filé” Daniel!

Os ninjas da estrada 

 28 de abril – Sete Lagoas -> Posto Trevão (BR040)

Dia de estrada boa e fácil! No meio do dia, quando paramos para encher nossas garrafas de água em um bar de beira de estrada, fomos informados por um morador local que tinha um curso d’água bom para banho perto de onde estávamos. Fomos para lá e passamos boa parte da tarde tomando banho em um ribeirão delicioso sobre uma laje de pedra. Encontramos vários pés de acerola completamente carregados e foi o dia da acerola para nós. No fim do dia acampamos no posto Trevão, às margens da BR040.

Arte com luz 

29 de abril – Posto Trevão (BR040) -> Felixlândia

Mais um dia de trecho excelente. Estrada ótima, com acostamento o tempo todo e subidas pouco íngremes. Nesse dia paramos sob uma ponte da estrada e pela primeira vez cozinhamos durante a pedalada. Tomamos um banho de córrego e comemos uma macarronada leve. A surpresa do dia foi a chegada a Felixlândia. A recepção na casa do Eder foi sensacional. Ele e o Dionísio – outro figuraça – são praticamente os únicos apaixonados por bicicleta (mountain bike) na cidade. Dormimos depois de um jantar delicioso e uma boa conversa.

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30 de abril – Felixlândia -> Três Marias

Esse foi um dia atípico. O Kico acordou com muitas dores no joelho e com isso começaram as dúvidas de como seguiríamos. Depois de ligar para o Everaldo Batalha (nosso fisioterapeuta “particular”), ele resolveu ir pedalando com a condição de parar a cada duas horas, aplicar gelo e passar pomada antiinflamatória no local. A bicicleta do Caseh estava em um dia infeliz e quebrou seis raios, arrebentou a corrente e quando faltava 20km para chegamos a Três Marias quebrou a gancheira. Já era quase 21h e uma chuva se aproximava. Tínhamos duas opções: montar acampamento em algum lugar próximo e procurar ajuda no dia seguinte ou ligar para o pai do Marcelo que mora em Três Marias e pedir um resgate. Escolhemos o mais prático e fomos rebocados nos quilômetros finais. Dar problema perto de casa também faz parte da sorte que contínua nos acompanhando.

On the road

Resultado das Atividades em Belo Horizonte

// maio 6th, 2010 // Nenhum Comentário » // Eventos

Pedalada na Lagoa da Pampulha

É sempre bom nos reunirmos com ciclistas, pois além de estarem sempre dispostos e bem humorados, são pessoas que gostam do que estamos fazendo e sempre têm dicas, sugestões e uma energia boa para nos passar.

Aproximadamente 15 ciclistas se reuniram no marco zero da Lagoa da Pampulha no sábado, dia 24 de abril para uma volta ao redor da lagoa. A pedalada ecológica foi uma iniciativa da Nova Origem em conjunto com a Magrela’s Life Style e Mountain Bike BH.

A Lagoa da Pampulha é um lago artificial situado na cidade de Belo Horizonte. O banho e a pesca são proibidos no local devido ao alto nível de poluição. Segundo Evandro Xavier, presidente da Fundação de
Zoo-Botânica de Belo Horizonte, o maior desafio para a despoluição da lagoa é o desassoriamento e o tratamento dos materiais orgânicos.

Na lagoa a população tem acesso  à cultura, esporte e lazer. Pudemos observar pessoas praticando ciclismo, caminhada e corrida além de meditação e yoga. Observamos várias famílias reunidas na área gramada da lagoa, aproveitando a sombra das árvores.

A pedalada foi bem no estilo do cicloturismo, um passeio! O dia estava ensolarado e o cenário muito bonito. O fato de terem poucas pessoas ajudou à interação entre os participantes. O clima estava muito gostoso. Fizemos uma única parada no museu de Arte da Pampulha.

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Participação na Motofair – Feira de motos e bikes

No domingo, dia 23 de abril, participamos da Motofair – Feira de motos e bikes – realizada no Expominas em Belo Horizonte. A feira contou com diversas marcas de motos, peças e acessórios.

A parte de bikes da feira não estava muito grande, mas teve coisa boa. Podemos destacar o stand de design de produtos da Fumec, que apresentou modelos de bicicletas conceito, como a bicicleta que também é carrinho de supermercado da foto abaixo.

Bicicleta Carrinho de Supermercado - Estande Fumec

Bicicleta Carrinho de Supermercado

Foi uma experiência interessante. Levamos as bicicletas montadas com os bagageiros e alforges e conhecemos muita gente. Também fizemos contatos com empresas da área em busca de patrocínio.

Plantio de Mudas no Parque Ecológico da Pampulha

O plantio de mudas é uma atividade de total conexão com a natureza.É um momento onde colocamos toda nossa energia para gerar uma nova vida. Em Belo Horizonte realizamos esta atividade no Parque Ecológico da Pampulha.

O presidente da Fundação de Zoo-Botânica de Belo Horizonte, Evandro Xavier participou do evento de plantio e nos contou que a o Parque Ecológico da Pampulha é passivo ambiental que ocorreu devido ao alto nível de assoriamento da lagoa que resultou em uma ilha de aproximadamente 30 hectares e que foi utilizada como um lixão durante aproximadamente 20 anos. Em meados da década de 2000 a prefeitura de Belo Horizonte resolveu transformar o passivo ambiental em um ativo e transformou o antigo lixão em um Parque Ecológico, plantando aproximadamente 3 mil mudas dos biomas brasileiros – Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica – formando assim um corredor ecológico dando tranqüilidade não só para os humanos mas também para a natureza, principalmente a flora. Um problema ambiental se transformou em solução.

No dia 24 de abril, plantamos de 20 mudas de diversas espécies e outras 20 foram doadas para o parque. Todas as mudas foram doadas pela Magrela’s Life Style e a Floricultura Domi. O plantio foi realizado pela Nova Origem em conjunto com os funcionários do Parque. O evento foi coberto pela rede de TV Bandeirantes.

Durante a preparação das covas, retirávamos não só terra, mas restos de embalagens plásticas, alumínio e demais lixos nos mostrando assim a história daquele local. Muito bom plantar uma nova vida em um local que estava morto. Parabéns para a prefeitura de Belo Horizonte por essa bela iniciativa.

Gostaríamos de agradecer em especial os funcionários do parque Liliane e Figueiredo que foram pessoas fundamentais para realização desta atividade.

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Entrevista com Evandro Xavier - Presidente da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte

Entrevista com Evandro Xavier – Presidente da Fundação Zoobotânica de Belo Horizonte

Palestra na Escola Estadual Getúlio Vargas

Foi a primeira escola que visitamos e a primeira vez que nos atrevemos a falar sobre o projeto Nova Origem, a busca pelos próprios sonhos e preservação ambiental para crianças. No dia 25 de abril, nós tivemos a missão de conversar com 350 crianças com idades entre 6 e 11 anos. A recepção sempre sincera e a eterna curiosidade da mente infantil nos cativaram já na primeira sala de aula. O maior desafio é conversar na língua das crianças e fazê-las entender  a mensagem que queremos passar.

Depois de cinco salas com cerca de 70 alunos cada, saímos de lá com sensação de missão cumprida. E nos lembraremos sempre da Gabriela, uma garotinha de cerca de 8 anos que esperou-nos na saída do colégio e deu um beijo no rosto de cada um e nos desejou boa viagem.

No final doamos uma muda de Jamelão para ser plantada na escola. Esperamos que em breve dê muitos frutos para essas crianças maravilhosas.

Essa atividade foi possível com o apoio da Conspiração Mineira pela Educação (Júlia), da Consultora Adriana Torres e da Escola Estadual Getúlio Vargas (Creuza). Obrigado a todas vocês!

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O início da viagem (Juiz de Fora – Belo Horizonte)

// abril 25th, 2010 // 20 Comentários » // Diário de Bordo

Trecho: Juiz de Fora – Belo Horizonte
Início: 18/04 – Término: 22/04 – 5 dias pedalados
Total: 280Km – Média: 56Km / dia
Pneus Furados: 2 (Caseh e Marcelo)
Cidades: 12 – Juiz de Fora, Ewbank da Câmara, Santos Dumont, Barbacena, Alfredo Vasconcelos, Ressaquinha, Carandaí, Cristiano Otoni, Conselheiro Lafaiete, Congonhas, Nova Lima, Belo Horizonte

A dança

As experiências que passamos nesses primeiros cinco dias de viagem nos mostraram que nesse mundo existem muitas pessoas com boas intenções que precisam apenas de oportunidade para transmitirem suas energias positivas. Nós não imaginávamos que a interação com as pessoas, por meio da bicicleta, seria tão intensa e prazerosa. Quando vêem aqueles quatro alienígenas montados em suas “espaço-bikes” querem logo saber do que se trata. Ao terem conhecimento da história da volta ao mundo, muitos nos tratam com admiração, outros nos consideram loucos, mas todos se interessam pela nossa história e não raro, fazem questão de nos ajudar de alguma forma. De indigentes a executivos, sem distinção alguma, pessoas vêm matar curiosidades a respeito desses quatro viajantes exóticos.

Nosso projeto é uma viagem de baixo custo e um dos maiores gastos durante o trajeto é com comida. Sim, precisamos nos alimentar com qualidade e durante todo o tempo, para aguentar a grande jornada diária de pedaladas. Logo no primeiro dia descobrimos que pedir comida viraria rotina em nossa viagem. Paramos num restaurante de beira de estrada e pedimos um pouco de arroz com feijão, para juntarmos com a carne que tínhamos. O rapaz levou nossos potes e voltou com eles cheios de arroz, feijão tropeiro, macarrão, carne e maionese. Ficamos muito surpresos e agradecidos. A partir daí até o presente momento, ouvimos somente “sim” em todos os lugares que pedimos. Sabemos que o “não” virá, mas descobrimos também que as pessoas em geral gostam de nos ajudar. Gastamos apenas R$3 com comida nos 5 primeiros dias de viagem.

Lembrando de um momento, cerca de 20 quilômetros antes de Barbacena, quando terminamos uma subida muito forte sob o sol de meio dia, com os reservatórios de água quase esgotados, eis que surge uma barraquinha de mexericas e o vendedor solicitamente dá a cada um de nós uma fruta e antes de partirmos nos presenteia com um saco cheio dessas delícias. Até agora já ganhamos muitas delas no caminho e então brincamos que o nosso patrocinador é a mexerica. O Tiago insiste em fazermos uma camisa com o desenho de uma mexerica, em forma de gratidão.

Nós fomos muito bem recebidos nas casas em que tivemos a oportunidade de dormir. Todos insistiam muito para que nos alimentássemos muito bem. Sempre nos deram comida para levarmos na viagem que vinha após as despedidas emocionadas. Somos muito gratos a todos que nos receberam.

A nossa forma de ver o mundo está mudando. Os nossos valores estão mudando. A comida oferecida com amor é muito mais saborosa. Ela vem com gosto do carinho de quem ofereceu e muitas vezes chega no momento em que mais precisamos. A água em que nos banhamos serve como refresco e purificação para a alma após o trabalho do corpo.

Apesar da saudade das pessoas amadas que ficaram, estamos recebendo muita força e energia positiva das pessoas que conhecemos no caminho.

Diário de viagem:

18/04/2010 (Juiz de Fora-Santos Dummont )

Combinamos com os amigos e família no Parque da Lajinha no domingo, 18/04 às 08h para uma despedida antes de partirmos, mas não imaginávamos quão emocionante seria este momento. O carinho, as lágrimas, as mensagens de força que nos passaram foram muito marcantes e importantes para nós e lembramos deste momento todos os dias em conversas entre nós. Partimos às 09h e fomos acompanhados por amigos de moto e bike durante os primeiros quilômetros.

Por volta das 15 horas paramos no posto BR040 e ganhamos nossa primeira comida. Pedimos arroz com feijão e ganhamos uma bela refeição. Demos até autógrafo. Era engraçado dizer que saímos para uma volta ao mundo e estávamos no primeiro dia. Rimos bastante. Tivemos um pneu furado (do Caseh) perto de um posto da Polícia Rodoviária Federal. No caminho, sugeriram que tentássemos pedir abrigo na leiteria São Luis. Chegamos lá, o dono não estava mas deixaram nós dormirmos no campinho de futebol em baixo da leiteria. Tomamos banho, fizemos uma bela macarronada na panela de pressão e dormimos.  Pedalamos 63km com média de 15km/h.

Famílias e amigos na despedida

19/04/2010 (Santos Dummont-Barbacena)

De manhã levantamos o acampamento e fomos pedir um café na leiteria. Ganhamos o café com leite e pão com manteiga mais gostoso que já comemos em nossa vida.

Começamos a pedalar às 9 horas. Nosso destino era Barbacena e como sabíamos que iria sair uma reportagem nossa na globo às 12:15, pedalamos os 45 quilômetros bem unidos e em uma tocada bem rápida. Um trabalho de equipe que incluiu aproveitar o “vácuo” do amigo, alimentação em movimento e motivação. Assim, conseguimos chegar à cabana da Mantiqueira às 12 horas. Missão cumprida.

Assistimos à nossa reportagem, almoçamos com o Plínio e o Everaldo (pai e tio do Tiago). Conhecemos Luis Penna, uma pessoa com muitas boas ideias a respeito do nosso projeto e que escreveu um belo artigo sobre nós. Trocamos várias ideias durante o almoço e depois fomos à loja de bike do Juninho (Racing Bike).  Deixamos as bikes com ele para fazer alguns acertos e fomos para a casa do Everaldo, onde iríamos passar a noite. Demos uma entrevista uma rádio local e voltamos para a loja de bicicletas onde ficamos até umas 21 horas. Achamos o Juninho uma pessoa muito especial, trabalhadora e solícita. Ele nos ajudou bastante e ainda deu um mega desconto nos equipos que compramos. À noite, o Everaldo (que é fisioterapeuta) passou uma série de alongamentos e exercícios de fortalecimento para fazermos durante a viagem. A principal sugestão dele foi que parássemos de hora em hora para alongarmos e relaxarmos, fazendo exercícios no sentido contrário aos que a pedalada exige. O Everaldo também foi uma pessoa que nos passou muita energia positiva. Neste dia pedalamos 45km com média de 15 km/h.

Primeiro acampamento

20/04/2010 (Barbacena-Conselheiro Lafaiete)

Após um belo café da manhã na casa do Everaldo, começamos a pedalada por volta de 11 horas. A pedalada foi marcada por uma picada de abelha que o Kico tomou no supercílio direito e que o deixou parecido com o Slot. A picada provocou um início de processo alérgico e obrigou o Kico a tomar um anti-histamínico. Após uma bela e difícil serra, com muita subida, acabamos chegando a Conselheiro Lafaiete por volta de 17 horas. Graças à ajuda do André Frota (Jack Daniels) um amigo nosso conseguimos o contato do Felipe Avelar, que é dono de uma loja de bike em Lafaiete (Bike Shop). Chegamos à sua loja, fomos entrevistados por um site local e partimos para sua casa por volta das 19 horas. Fomos muito bem recebidos por sua família, com duas belas macarronadas (uma com molho vermelho e linguiça e outra com molho branco e queijo).  Pedalamos 70km com média 17km/h. Nossa maior média até agora, graças ao trecho não muito irregular.

Pôr do sol

21/04/2010 (Conselheiro Lafaiete-acampamento no meio da estrada)

Na manhã seguinte tomamos um café da manhã delicioso e trocamos muitas energias positivas, através de mensagens, fotos e abraços. Que família maravilhosa! No fim a mãe de Felipe ainda nos agradeceu por termos ficado em sua casa. Ô Cida, quem agradece somos nós!

Sabíamos que a pedalada não seria fácil. O trecho Congonhas-BH é muito movimentado. Apesar da pista dupla, não há acostamento e o movimento de caminhões é intenso por causa das mineradoras que operam no local. Além da insegurança ficamos chocados com os impactos que as mineradoras estão causando na região. Não víamos populações locais. O trecho todo está muito poluído, com muito minério em pó. Um pó vermelho que lembra sangue. Tossíamos bastante. Nossas roupas ficaram marrons. Pudemos ter uma ideia dos efeitos de uma mineradora sobre o ambiente local. O que acontecerá com a região depois que eles extraírem todo o minério? Essa pergunta fica para o presidente dessas empresas. Na televisão, elas são empresas exemplares mas na prática nós não observamos isso. É lamentável a devastação causada por elas.

O trecho foi muito difícil com muita subida. Acabamos não conseguindo chegar a BH, como era o planejado. Passamos pelo novo viaduto que substiuirá o Viaduto das Almas. Apesar de ele ainda não estar liberado para o trânsito de automóveis, para nós ele foi um alívio. Lá relaxamos e tiramos algumas belas fotos. Poucos quilômetros depois do viaduto, por volta de 17 horas decidimos acampar e acabamos achando um campo aberto em uma estrada de terra próximo às margens da rodovia. Havia algumas casas em volta e conseguimos achar uma bica para tomarmos água e banho.

Fizemos um jantar e fomos dormir. Pedalamos 45 km neste dia.

Novo Viaduto das Almas

22/04/2010 (acampamento – Belo Horizonte)

Levantamos o acampamento às 6 horas. Chupamos mexericas e partimos rumo a BH. Faltavam 55 quilômetros. No alto da serra ganhamos café com leite e pão com manteiga de uma lanchonete. Após subidas e descidas, chegamos à entrada de BH. Avistamos a Lagoa dos Ingleses e bateu aquela água na boca de dar um mergulho. Conseguimos permissão para dar um mergulho e ficamos lá curtindo por pelo menos uma hora. Foi uma maravilha! Depois, na entrada de BH nos separamos. Kico e Marcelo foram para a casa do tio do Kico e Caseh e Tiago foram para a casa da Renata. Ficaremos alguns dias em BH realizando alguns eventos e divulgando o projeto.

Um banho necessário

Atividades em Belo Horizonte

// abril 23rd, 2010 // 7 Comentários » // Eventos

Um post um pouco em cima da hora, mas como o velho ditado, antes tarde do que nunca. Hoje, depois de uma correria de ligações, e-mails, chats e tomadas de decisão em minutos, fechamos todas as atividades que vamos desenvolver em Belo Horizonte.

A princípio, nossa idéia era desenvolver uma atividade no sábado e seguir viagem no domingo, mas pelo desenrolar da história, vamos ficar aqui até a terça-feira!

24/04 – sábado – Pedalada com a gurizada

Pedalada na Lagoa da Pampulha, em parceria com o Mountain Bike BH e a Magrela’s Lifestyle.

A pedalada será junto com um grupo de crianças reunidas pelo MTB-BH e nós vamos para interagir com essa gurizada.

Terá início às 08:30h na portaria principal do Mineirão, onde vamos partir para o Marco Zero da Pampulha para encontrar com a gurizada que vai sair de lá às 09:30h

Convite aberto a todos!

25/04 – domingo – Motofair – Feira de Motos, Bikes, Peças e Acessórios

A Motofair – Feira de Motos, Bikes, Peças e Acessórios – é reconhecida como o salão das motos e bikes de Minas Gerais. Está sendo realizada dos dias 22/04 a 25/04 no Expominas.

A Nova Origem estará presente na sessão de bikes no domingo a partir das 14h. Levaremos as bicicletas montadas e apresentaremos a todos os interessados a história e desenrolar do projeto.

A entrada no dia custa R$15. Mais detalhes no site http://www.motofair.com.br

26/04 – segunda-feira – Plantio de mudas no Parque Ecológico da Pampulha

Faremos o plantio de mudas nativas no Parque Ecológico da Pampulha a partir das 09:30h. Serão plantadas cerca de 20 árvores de 13 espécies distintas.

Entrada franca e convite aberto a todos!

26/04 – segunda-feira – Palestra e plantio na Escola Estadual Getúlio Vargas

Nós faremos uma palestra na Escola Estadual Getúlio Vargas na parte da tarde. Falaremos sobre o projeto de volta ao mundo de bicicleta para cerca de 350 crianças de 06 a 10 anos, dando ênfase no trabalho ambiental que estamos desenvolvendo e na importância da busca pelos sonhos de cada um. A atividade vai ser encerrada com o plantio de algumas mudas na escola.

A escola faz parte do projeto Serra Verde e temos o apoio da Conspiração Mineira pela Educação e da Consultora Adriana Torres para a realização do evento.