As primeiras lições (Belo Horizonte – Três Marias)
// maio 6th, 2010 // 15 Comentários » // Diário de Bordo
Trecho: Belo Horizonte – Três Marias
Início: 27/04/2010 Término: 30/04/2010 – 4 dias pedalados
Trecho: 267Km – Média: 67km/dia
Total: 548Km – Média: 60km/dia
Cidades: 08 (Belo Horizonte, Capim Branco, Matozinhos, Prudente de Morais, Sete Lagoas, Paraopeba, Felixlândia, Três Marias)
Um pneu furado, oito raios quebrados, duas correntes arrebentadas e uma gancheira quebrada.
A estrada se tornou nossa nova sala de aula. Cada pedalada nos faz enxergar o mundo de forma diferente e nos ensina uma nova lição. Toda vez que recebemos um conforto, uma casa para ficarmos, um abraço de boas vindas ou um beijo de despedida seguido de desejos de sucesso, nos faz pensar por que a TV mostra tanta coisa ruim.
Até nos momentos de dificuldade – claro que as dificuldades que passamos até agora foram muito poucas – sempre aparece uma boa alma para nos ajudar. No último dia de pedalada deste trecho, cerca de 20km antes de Três Marias, a bicicleta do Caseh começou a dar problemas. Quebrou raios, furou pneu e arrebentou a corrente. Quando fomos sacar a corrente, nossa ferramenta quebrou e fizemos uma gambiarra que no final foi pior. A corrente trocada se partiu e acabou quebrando a gancheira da bicicleta. Nessa hora, já eram quase 21h e ameaçava começar a chover. Do meio do nada surge uma lanterna na estrada vindo em nossa direção pelo acostamento. Se aproxima um matuto, que mora numa casinha na beira da estrada, longe de tudo e todos e depois de uma breve conversa nos oferece abrigo, água e café. Mesmo com pouquíssimos recursos, aquele senhor estava disposto a nos ceder o que ele tinha a seu dispor, somente para ajudar os recentes “amigos” da estrada.
São essas situações que nos fazem repensar tudo que fomos condicionados a saber. A sociedade nos ensina que as pessoas são primariamente hostis e que você só deve confiar em quem você conhece há tempos, mas o que vemos são mais pessoas boas – muito mais – do que pessoas que podem nos fazer algum mal.
27 de abril – Belo Horizonte -> Sete Lagoas
A saída de BH não foi das mais fáceis. O trânsito do início da manhã era intenso e nos embrenhamos com as bicicletas carregadas no meio daquele caos de carros, buzinas e fumaça. Nesse dia fomos bem acompanhados. O Goiaba e o Cabelo, nossos parceiros da Magrela’s pedalaram conosco o dia todo. Saindo de BH, pegamos o caminho por fora da BR040 para chegar a Sete Lagoas, passando por Capim Branco e Matozinhos. Trecho com muito sobe e desce e caminhões de cimento, mas a pedalada rendeu bastante e chegamos no meio da tarde ao destino. O pessoal da Magrela’s patrocinou-nos uma pizza na beira de uma das lagoas da cidade e nesse dia ficamos na casa do Daniel, primo do Felipe, nosso amigo de Juiz de Fora. Recepção nota 1000! Obrigado pelo “contra-filé” Daniel!
28 de abril – Sete Lagoas -> Posto Trevão (BR040)
Dia de estrada boa e fácil! No meio do dia, quando paramos para encher nossas garrafas de água em um bar de beira de estrada, fomos informados por um morador local que tinha um curso d’água bom para banho perto de onde estávamos. Fomos para lá e passamos boa parte da tarde tomando banho em um ribeirão delicioso sobre uma laje de pedra. Encontramos vários pés de acerola completamente carregados e foi o dia da acerola para nós. No fim do dia acampamos no posto Trevão, às margens da BR040.
29 de abril – Posto Trevão (BR040) -> Felixlândia
Mais um dia de trecho excelente. Estrada ótima, com acostamento o tempo todo e subidas pouco íngremes. Nesse dia paramos sob uma ponte da estrada e pela primeira vez cozinhamos durante a pedalada. Tomamos um banho de córrego e comemos uma macarronada leve. A surpresa do dia foi a chegada a Felixlândia. A recepção na casa do Eder foi sensacional. Ele e o Dionísio – outro figuraça – são praticamente os únicos apaixonados por bicicleta (mountain bike) na cidade. Dormimos depois de um jantar delicioso e uma boa conversa.
30 de abril – Felixlândia -> Três Marias
Esse foi um dia atípico. O Kico acordou com muitas dores no joelho e com isso começaram as dúvidas de como seguiríamos. Depois de ligar para o Everaldo Batalha (nosso fisioterapeuta “particular”), ele resolveu ir pedalando com a condição de parar a cada duas horas, aplicar gelo e passar pomada antiinflamatória no local. A bicicleta do Caseh estava em um dia infeliz e quebrou seis raios, arrebentou a corrente e quando faltava 20km para chegamos a Três Marias quebrou a gancheira. Já era quase 21h e uma chuva se aproximava. Tínhamos duas opções: montar acampamento em algum lugar próximo e procurar ajuda no dia seguinte ou ligar para o pai do Marcelo que mora em Três Marias e pedir um resgate. Escolhemos o mais prático e fomos rebocados nos quilômetros finais. Dar problema perto de casa também faz parte da sorte que contínua nos acompanhando.




















