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Subindo os Andes pela “Carretera Antigua” – Santa Cruz de la Sierra a Cochabamba

Subindo os Andes pela “Carretera Antigua” – Santa Cruz de la Sierra a Cochabamba Subindo os Andes pela "Antigua Carretera"

Para ir de Santa Cruz de la Sierra a Cochabamba existem duas opções: a estrada nova ou a antiga. A estrada nova está toda asfaltada, o caminho é um pouco mais curto e o trecho plano é bem maior. Na estrada velha (Antigua Carretera), a subida começa próximo a Santa Cruz e tem um trecho de 150Km de estrada de terra. Além disso, o noticiário informava que nessa estrada estava acontecendo vários deslizamentos de terra na região das cidades de Bermejo e La Angostura. Mas como a estrada velha é muito mais bonita e rica culturalmente, decidimos partir por ela, independente dos problemas.

Nos despedimos do pessoal do Alojamento Economico de Santa Cruz com um almoço de arroz com lentilha preparado pela Griselda, uma boa amiga que fizemos na Bolívia. Pedalamos 33km e chegamos a cidade de Los Tornos com muita chuva, trocamos um raio quebrado do Tiago e pernoitamos no Alojamento Gutierres, um lugar muito sujo e feio, que custou cerca de 50 bolivianos. A ansiedade aumentava, estávamos no pé da subida dos Andes, o tempo estava muito instável e o noticiário falava que a estrada estava interrompida por conta de deslizamentos.

Chegando nas primeiras, das muitas montanhas que subimos na Bolívia

Chegando nas primeiras, das muitas montanhas que subimos na Bolívia

Choveu a noite toda e pela manhã também, saímos do alojamento as 10 da manhã, quando a chuva parou. Na saída da cidade uma feira com frango, carne, tudo no meio das moscas. A falta de higiene nos impressiona cada vez mais aqui na Bolívia.

As monótonas paisagens de planícies que vinhamos pedalando desde o estado do Mato Grosso, no Brasil, enfim mudaram. Começamos a subir os Andes por uma estrada de muitas curvas, passando por grandes vales, beirando o rio Piray, sempre cercados por grandes montanhas.

Serpenteando entre as montanhas cobertas de verde vivo

Serpenteando entre as montanhas cobertas de verde vivo

Ficamos mais tranquilos quando passamos pelo trecho onde a estrada estava bloqueada. Algumas máquinas e homens ainda trabalhavam tirando pedras e barro da pista, mas a estrada estava liberada.

Homens trabalhando para limpar a estrada

Homens trabalhando para limpar a estrada

Fizemos uma parada em Bermejo para almoçar e contemplar os belos paredões vermelhos da pequena vila.

Serra Vermelha em Bermejo

Serra Vermelha em Bermejo

Continuamos a subir, com objetivo de chegar a Cuevas e no topo do morro, para chegar na cidade, a corrente da bike do Caseh arrebentou. Enquanto ele arrumava, parou um caminhão e Jaime, o motorista, nos convidou para irmos de carona com ele até Samaipata, que ficava há 25km de onde estávamos e que lá poderíamos pernoitar em seu chalé. A oferta de um teto e banho quente foi irrecusável.

Jaime, amigo de Samaipata

Jaime, amigo de Samaipata

Samaipata é uma cidade turística e bem organizada, se comparada com os padrões Bolivianos. Na cidade está uma das melhores portas de entrada para o Parque Nacional Amboró, além do sítio arqueológico de ruínas incas: “El Fuerte de Samaipata”. Não visitamos nenhum dos dois lugares porque eram bem caros e nossos recursos estão ficando cada vez mais escassos.

Ficamos três dias em Samaipata por conta do tempo ruim, acampados atrás do chalé, já que o Jaime tinha voltado para Santa Cruz. Por lá chegamos a conhecer a cachoeira de Cuevas (muita areia e pouca água) e o mirante do hotel El Pueblito, com um visual muito bonito da cidade.

Vista noturna da cidade de Samaipata

Vista noturna da cidade de Samaipata

Cachoeira de Cuevas

Cachoeira de Cuevas

Castelinho em Samaipata

Castelinho em Samaipata

Saindo de Samaipata, mais subida e os Valles Cruceños apareciam cada vez mais lindos, com montanhas enormes cobertas de verde muito vivo. O melhor de subir é contemplar a vista de cima: de um lado o morro superado e do outro a descida que estar por vir. Dormimos em Mataral, que fica a cerca de 60km de Vallegrande, cidade onde Che foi executado pelo exército Boliviano. Na saída da cidade, uma senhora nos ofereceu uma penca de bananas, e nos disse: ”Fui muito bem recebida quando fui ao Brasil e espero que os Bolivianos também os receba muito bem, pois essa é a verdadeira revolução.” A estrada e as pessoas nos ensinam muito. Nesse clima seguimos pedalando por uma vegetação muito diferente, uma imensa floresta de cactus e árvores retorcidas, lembrando o cerrado. Chegamos em Comarapa e de agora pra frente é estrada de terra e pedras (chamada aqui de rípio) e pura subida.

Jardim de Cactus na região entre Mataral e Comarapa

Jardim de Cactus na região entre Mataral e Comarapa

No dia seguinte subimos de 1850m a 2600m até um povoado chamado Torrecillas, conversamos com o coordenador da escola e dormimos por lá. Essa noite foi a primeira vez que fez realmente frio. No dia seguinte quando estávamos saindo uma senhora nos parou e nos deu um saco de batatas, um bom sinal, já que o pessoal de Santa Cruz disse que não conseguiríamos nem um copo de água com os Collas.

Um fim de tarde inesquecível na escola em Torrecillas

Um fim de tarde inesquecível na escola em Torrecillas

A mudança não foi só no relevo e clima, mas principalmente nas pessoas e sua cultura. O povo do alto se veste de maneira muito peculiar, falam o idioma próprio Quechua e são bem descofiados. Quando chegamos nas pequenas vilas, nos sentimos como ET’s, mas rapidamente nos enturmamos. Tem sido uma experiência muito rica interagir com esse povo tão diferente para nós. Suas roupas coloridas, as condições em que vivem, seus custumes, tudo nos encanta.

Família Colla

Família Colla

Molhando a criançada

Molhando a criançada

Fazendo feira

Fazendo feira

Seguimos pedalando em subidas e descidas gigantes, cada vez mais alto, até superarmos os 3000m. O visual dos vales e das montanhas andinas que começavam a aparecer no horizonte nos tirava o fôlego, mas não como a falta de ar da altitude. No caminho uma chuva leve nos pegou, ficamos assustados, pois com aquele frio não sabíamos se o equipamento iria dar conta, mas corremos para nos abrigar e deu tudo certo.

Ficamos apreensivos quando o tempo começou a fechar na altitude

Ficamos apreensivos quando o tempo começou a fechar na altitude

Neste trecho passamos por La Siberia, um lugar famoso, que sempre está no meio das nuvens, com forte neblina e chuviscando. A subida até lá foi forte e quando já estávamos chegando no topo um carro parou e o motorista nos cumprimentou com um “Que tengan una feliz altura!”. Logo depois, já chegando no cume e com algumas nuvens passando por nós, um Condor aparece do meio das nuvens, voa sobre nossas cabeças e do mesmo jeito que veio, foi embora, como se viesse para nos dar boas vindas aos Andes.

Chegamos aos 3.000m de altitude e começamos a sentir falta de ar e frio. Pedalar nessas condições nos deixa ofegantes e estamos indo bem devagar para nos aclimatarmos.

Arrumar a bike nesse visual fica fácil!

Arrumar a bike nesse visual fica fácil!

No km 170, há 3060m, paramos em uma curva abandonada, pois parte dela tinha caído e a estrada neste trecho foi reconstruída. O lugar é maravilhoso, com uma mina de água próxima e uma vista das lindas montanhas andinas. Batizamos o lugar de “Mirante da Curva” e acabamos dormindo duas noites por lá, fazendo comida na fogueira, dando uma geral nas bicicletas e contemplando as montanhas e de noite um céu infinito de estrelas.

Na segunda noite, uma ventania nos tomou de surpresa no meio da madrugada. Fazia bastante frio e tivemos que sair no meio do vento para reforçar as barracas e recolher o que estava de fora, para que nada fosse carregado. Este acampamento foi inspirador para nós. O lugar era maravilhoso e estávamos totalmente isolados de tudo e todos, um lugar inesquecível da viagem.

Bom demais estar inserido na natureza!

Bom demais estar inserido na natureza!

Depois deste acampamento pegamos uma boa subida e depois descemos forte até chegar a Epizania, onde já começava novamente o asfalto. Lá conseguimos um espaço no posto de saúde local para dormir e o Kico aproveitou para se consultar com o médico, pois tinha pegado uma diarréia, que no dia seguinte acometeu o Caseh também.

Foge não, menino!

Foge não, menino!

Quando acordamos em Epizania, o tempo estava muito feio e não estávamos animados de pedalar, então resolvemos tomar um ônibus para Cochabamba. A chuva molhava o vidro do ônibus, e quando ela se foi, nos sentimos mal de ver a estrada passar… e era só descida! Somos cicloturistas e a muito tempo nao entravamos em um ônibus, foi agoniante. Até que em um momento de lucidez o Caseh disse: “Vamos sair desse ônibus e pedalar!”. Os três concordaram na hora e fizemos o ônibus parar no meio do caminho, depois de andar uns 60Km.

Arrumamos as bicicletas e pegamos uma descida forte até chegar a Punata e o povoado chamado San Benito, onde conseguimos uma sala para dormir no Colégio Papa Juan, um colégio de freiras. Lá fizemos nosso primeiro plantio de mudas em terras estrangeiras. Junto com o professor de agropecuária e alguns alunos, plantamos 38 mudas de lingustos em um jardim. O colégio tem uma bela plantação com milho, maçã, hortaliças e até uma criação de porquinhos da índia (conhecidos por aqui como Cuy).

A interação com a garotada boliviana tem sido muito positiva. São as crianças os melhores professores de espanhol e é um sentimento muito bom mostrar para eles fotos da nossa viagem e ver seus olhos até brilhando de emoção.

Galera do Colégio Papa Juan

Galera do Colégio Papa Juan

Gary nos ajudando no plantio

Gary nos ajudando no plantio

De San Benito foi só plano e descida até Cochabamba, onde chegamos direto para a casa da Nildes, onde ficamos alguns dias para conhecer a cidade. Nildes é uma amiga que fizemos por conta da Priscila, grande amiga que conhecemos em Pirenópolis-GO, já durante a viagem. É a rede de pessoas se crescendo cada vez mais.

Chegando em Cochabamba pegamos um trânsito infernal!

Chegando em Cochabamba pegamos um trânsito infernal!

Sustentabilidade

Nesse caminho vimos muitas plantações nos vales, um manejo sustentável de hortaliças e principalmente morango. Ao lado de cada plantação tem um lago para represar a água da chuva. Impressionante como o povo do alto se adapta às condições adversas do meio-ambiente dessa região.

A grande maioria das contruções da região são de adobe, uma maneira barata e sustentável de se contruir. A técnica de contrução é milenar e os tijolos de terra, misturado com mato e cascalho são resistentes ao frio e ao tempo. Conhecemos no caminho algumas contruções com mais de 100 anos.

Na chegada em Cochabamba, uma das represas que abastece a cidade estava praticamente vazia, devido ao atraso nas chuvas deste ano. Qual será as causas dessa seca em pleno verão?

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Cicloturismo na Chapada dos Guimarães

Cicloturismo na Chapada dos Guimarães
Mirante do Alto do Céu

Mirante do Alto do Céu

Ver todos os álbuns de fotos da Chapada dos Guimarães

A Chapada dos Guimarães é famosa pelos seus imensos paredões de arenito vermelho, moldados pelo tempo. Nos dias que passamos por lá, conhecemos algumas cachoeiras, os mirantes mais alucinantes que já vimos na vida e fizemos um cicloturismo pelo Vale do Rio Claro, que fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

O caminho até a chapada foi cercado de plantações, cenário comum durante nossas pedaladas pelo Mato Grosso. O primeiro atrativo, o balneário da Martinha, preserva um filete de mata ciliar no meio de uma interminável área desmatada. Fica às margens da rodovia que liga Campo Verde à Chapada. Chegamos na véspera do feriado de 15 de novembro e o balneário estava lotado de gente. A galera acampada e fazendo churrasco. Paramos para dar um mergulho e nos refrescar, mas no primeiro tchibum já começou um temporal e corremos para nos abrigar em um restaurante na beira da rodovia. Fomos tão mal atendidos na hora de tentar almoçar nesse restaurante, que acabamos desistindo de gastar nosso precioso dinheiro ali. Por fim, um povo bacana nos convidou para almoçar com eles!

Bem-vindo a Chapada dos Guimarães

Bem-vindo a Chapada dos Guimarães

Faltava ainda uns 40Km para chegar na cidade e como a chuva não parou, decidimos seguir assim que ficou mais amena. No caminho, mais plantações… cadê o Cerrado? Pouco antes de chegar na cidade, paramos no Mirante do Centro Geodésico onde vimos os primeiros paredões vermelhos, um visual bem bacana da planície pantaneira e da cidade de Cuiabá. Terminamos de chegar na cidade, que também chama-se Chapada dos Guimarães, pedalando por uma boa ciclovia que segue desde o mirante. Encontramos um casal de motoqueiros viajantes que conhecemos na estrada e tomamos um refri com eles.

Caseh arrumando a placa

Caseh arrumando a placa

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Seguimos para encontrar com o Tadeu, amigo da família do Caseh, que nos hospedou em sua casa e viramos grandes amigos dele e de seus filhos Monarco, Pedro e Delano.

A família é fanática por MPB. Tadeu nos mostrou sua coleção de músicas e vídeos. No dia seguinte da nossa chegada foi aniversário de seu filho Monarco, que é músico e já ganhou vários festivais pelo Brasil. Comemoramos com uma “moage” em sua casa, tomando uma cachaça mineira e ouvindo um show do aniversariante.

Nos dias que chegamos, o tempo na Chapada não estava muito bom. Muita chuva e neblina, então ficamos 2 dias em casa organizando fotos, videos e os posts pro site. Esse negócio dá trampo e gasta uma grana, mas tá massa de fazer. Apesar de ainda não termos conseguido o patrocínio, o retorno das pessoas é muito gratificante e não tem preço.

Quando o tempo melhorou, fomos conhecer os atrativos naturais que ficam próximos à cidade. Conhecemos a Cachoeira dos Marimbondos e do Jamacá. Pedalamos pela Trilha do Matão, que é um pedal maneiríssimo no meio da mata fechada, que leva até o CINDACTA (controle aéreo) e chega no Mirante do Alto do Céu, que é o mirante mais próximo de Cuiabá, com vista para o ninho da águia e tem o pôr-do-sol mais maneiro que já vimos na vida.

Vale do Jamacá

Vale do Jamacá

Trilha do Matão

Trilha do Matão

Arara Vermelha no Morro dos Ventos

Arara Vermelha no Morro dos Ventos

Cachoeira do Marimbondo

Cachoeira do Marimbondo

Aliás, o que mais nos impressionou na Chapada foram os mirantes. Por ser um degrau entre o Planalto Central e a Planície Pantaneira, com um desnível de cerca de 600m, a Chapada dos Guimarães tem mirantes lindissimos que dá para ver muito longe mesmo. Nós conhecemos o mirante do Centro Geodésico, a Ponta do Campestre, o Morro dos Ventos e o Alto do Céu.

Belíssimo pôr-do-sol no Mirante do Alto do Céu

Belíssimo pôr-do-sol no Mirante do Alto do Céu

Mirante Alto do Céu

Mirante Alto do Céu

Flauta no Mirante do Centro Geodésico

Flauta no Mirante do Centro Geodésico

A cidade Chapada dos Guimarães

A cidade é muito tranquila e recebe turistas do mundo inteiro, mas a galera que freqüenta mais o local são os cuiabanos, já que a capital do MT está a apenas 65km de lá. A cidade está se estruturando para receber os turistas para a Copa de 2014, pois Cuiabá será uma das sedes e, por isso, vários atrativos como o famoso balneário da Salgadeira, estão fechados para reforma. A estrada que liga a capital até a Chapada já está sendo duplicada e está para ser aprovado um projeto de construção de um teleférico ligando as duas cidades.

Igreja de Chapada dos Guimarães

Igreja de Chapada dos Guimarães

Praça Dom Wunibaldo, no centro da cidade

Praça Dom Wunibaldo, no centro da cidade

A galera que freqüenta a Chapada tem um bom poder aquisitivo, e isso faz com que os preços do local fiquem um pouco salgados.

A estrada que liga Cuiabá até Chapada dos Guimarães é maravilhosa! Com certeza uma das mais bonitas do Brasil e do mundo, beirando os imensos paredões vermelhos e recomendamos o cicloturismo por lá.

Estrada que liga a Chapada dos Guimarães a Cuiabá

Estrada que liga a Chapada dos Guimarães a Cuiabá

Cicloturismo no Vale do Rio Claro – Parque Nacional da Chapada dos Guimarães

Vista do Vale do Rio Claro

Vista do Vale do Rio Claro

Nós também queríamos conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, mas lá só é permitido o acesso com guia, então fomos na agência Ecoturismo, e o Lui nos mostrou basicamente duas trilhas no parque: a das cachoeiras, passando pelo morro do São Geronimo; e o Vale do Rio Claro, com vista para os paredões e que dava para ir de bike. Decidimos pela segunda opção, depois de chorar bastante no preço do guia.

Amorésio, nosso guia

Amorésio, nosso guia

Encontramos bem cedo com o Amorésio, nosso guia nativo da Chapada e seguimos de bike para o Vale que fica na estrada para Cuiabá. O caminho passa pelas formações do Vale dos Dinossauros e o Portão do Inferno e nos emocionamos pedalando do lado daquelas imensas pedras vermelhas.

No Vale do Rio Claro está a nascente do rio, cercado por imensas formações rochosas que têm as mais diversas formas. O arenito vermelho é poroso, e além de absorver a água da chuva abastecendo os lençóis freáticos, é facilmente moldado por ações naturais, como chuva e vento. Pedalamos pelo Cerrado fechado e beirando os paredões até a cabeceira do Rio Claro, onde paramos para nos banhar na água cristalina.

Mergulho na cabeceira do Rio Claro

Mergulho na cabeceira do Rio Claro

Durante o pedal paramos na Crista do Galo, uma formação rochosa que, lá de cima, dá para se ter uma noção da dimensão e da enormidade desses paredões. Um visual que não iremos esquecer nunca. Fomos também até a ponta do Rio Claro, onde tem inscrições rupestres de comunidades indígenas que viveram na região milhares de anos atrás. É uma pena que a galera não respeita muito e tam várias pichações em volta do sítio arqueológico.

Cruzando o rio

Cruzando o rio

Vista da Crista do Galo

Vista da Crista do Galo

Impressionante o vermelho dos paredões

Impressionante o vermelho dos paredões

Uma corrente arrebentada no caminho

Uma corrente arrebentada no caminho

Pedal na mata fechada

Pedal na mata fechada

Caseh aos pés da Chapada

Caseh aos pés da Chapada

Partindo da Chapada

Estrada para Cuiabá

Estrada para Cuiabá

No dia de partir para Cuiabá, aproveitamos as atrações do caminho e paramos para conhecer a cachoeira mais famosa da Chapada, o Véu da Noiva. Fica a 500m da estrada e só é permitido vê-la por um mirante. O acesso até o poço da base foi fechado pois ocorreu um acidente no local que custou a vida de um turista.

Paramos também para conhecer o Vale dos Dinossauros. Fizemos uma trilha a pé de cerca de 3Km para ver as rochas tem realmente a forma dos gigantes pré-históricos. É uma caminhada que vale a pena fazer.

No Vale dos Dinossauros

No Vale dos Dinossauros

Cachoeira Véu da Noiva

Cachoeira Véu da Noiva

A estrada para Cuiabá é só descida. Seguramos nos freios para poder filmar e fotografar o visual que é alucinante. Cada curva guarda uma paisagem que faz dessa estrada a mais bela que já passamos.

Cuiabá, a capital do Pantanal

Cuiabá, a capital do Pantanal

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Vale do Araguaia – Aragarças e Barra do Garças

Mirante do rio Araguaia

Mirante do rio Araguaia

Chegamos no vale do Araguaia no pôr do sol e avistamos de longe, nos pés da bela Serra do Roncador as cidades de Aragarças e Barra do Garças. Depois de 100km pedalados, a única coisa que pensavamos era em chegar no famoso rio Araguaia.

Fomos procurar abrigo no batalhão da polícia de Aragarças, mas lá não havia espaço para nós e por coincidencia encontramos com um repórter da TV Centro-Oeste, que fez ali mesmo uma entrevista conosco que acabou rendendo frutos nos dias que se seguiram, pois fomos reconhecidos por muitos nas ruas!

O rio Araguaia faz a divisa entre os estados de Goiás e Mato Grosso. A ponte que atravessa o rio está fechada para caminhões, que só podem passar de 0hrs até às 6hrs da manhã, mas bicicleta tem trânsito livre e nós chegamos em Barra do Garças no início da noite, eufóricos por cruzarmos mais uma fronteira de estado. Fomos direto para o quartel dos Bombeiros que nos permitiu passar algumas noites lá.

Centro de Barra do Garças

Centro de Barra do Garças

Nossos anfitriões

Nossos anfitriões

Fomos pela primeira vez numa praia de água doce, nas margens do Araguaia. O encontro dos rios Garças e Araguaia formam um mar de água barrenta. Faz muito calor por aqui e só dentro d`agua para fugir da nuvem de mosquitos que fica na beira do rio e se sentir mais confortável.

Praia de rio no Araguaia

Praia de rio no Araguaia

A Serra Azul, continuação da Serra do Roncador, possui um belo mirante do Vale do Araguaia e de lá conseguimos ver as cidades de Aragarças em Goiás e Pontal do Araguaia e Barra do Garças no Mato Grosso. O encontro dos rios Garças e Araguaia fazem a divisão das três cidades e dos estados.

Tiramos um dia para conhecer o mirante do cristo, de onde dá para ver o encontro dos rios de cima. Para chegar no mirante subimos a escadaria de 1223 degraus e descemos a serra pela trilha das cachoeiras. Não contamos o número de quedas, mas tá pra lá de 10 o número de cachoeiras de água gelada e cristalina.

Sacando o visual

Sacando o visual

Vista do rio Araguaia

Vista do rio Araguaia

Foi na Serra do Roncador que o explorador inglês Percy Fawcett desapareceu e deu origem a lenda que foi retratada no filme Indiana Jones. Diz a lenda que o sujeito encontrou por la a terra perdida de “Atlantida” e por lá ficou.

As cachus de Barra do Garças

As cachus de Barra do Garças

Descendo a trilha das cachoeiras

Descendo a trilha das cachoeiras

Em Barra do Garças encontramos os primeiros índios inseridos no meio da sociedade. Estavam no posto assistindo o jogo do flamengo, no restaurante, comprando pão na padaria e a pé ou de carro pelas ruas da cidade. Existe uma rixa entre os brancos e os índios. Os brancos não concordam com a suposta “vida boa” que os irmãos de pele vermelha levam. Fomos alertados de que a tribo Xavante costuma fazer barreiras na estrada para arrecadar dinheiro e já ouve casos de saques. Ainda não tivemos a oportunidade de escutar a versão dos índios, mas estamos ansiosos por essa oportunidade.

Centro de Barra do Garças

Centro de Barra do Garças

Vista da Serra Azul

Vista da Serra Azul

Em Barra do Garças passamos um perrengue dos bons. Um dia o Tiago comeu alguma coisa avacalhada e no meio da madrugada começou a passar mal no batalhão dos Bombeiros e quando a situação ficou tensa, o bombeiro de plantão tocou a sirene e levaram o Tiago no SAMU pro pronto socorro. Nada muito grave. Tomou um litro de soro na veia com Dramin e voltou pra “casa” novo.

Nossa última noite em Barra do Garças foi no porto do Baé, nas margens do histórico rio Araguaia. Acordamos para pedalar mas o tempo estava chuvoso e enquanto esperávamos estiar, vimos um casal de botos subindo o rio.

Quando a chuva parou e já estávamos prontos para partir, aparece do nada um coroa em uma bike, toda carregada, dizendo estar a 15 anos na estrada para entrar no Guinness Book como o cara que conheceu mais cidades nas américas. Ele quer documentar a visita em 6000 cidades e já ultrapassou as 5000. Quando perguntamos onde ele nasceu, ele respondeu: “Sou de uma cidade onde só exite um juiz e 800.000 bandeirinhas”. Não tivemos dúvidas… Juiz de Fora! Eber de Souza é seu nome, 59 anos e está indo também em direção a Cuiabá. Resolvemos atrasar a partida, pois ele nos convidou para almoçar um macarrão com pequi que ele preparou em seu “microondas” e nós seguimos viagem.

Ebinho Souza, cicloturista de Juiz de Fora que encontramos no porto do Baé

Ebinho Souza, cicloturista de Juiz de Fora que encontramos no porto do Baé

Agradecemos em especial ao corpo de bombeiros de Barra do Garças que nos hospedou, ao Beto Bicicletas, ao Barra Ciclo e Secreta bike que nos ajudaram com a manutenção das bikes.

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Conhecendo a antiga capital do estado: Goiás Velho

Casa de Cora Coralina

Casa de Cora Coralina

Vamos começar esse texto explicando um pouco das redes de contato que estamos fazendo nessa viagem e como chegamos ao Daniel, nosso anfitrião na Cidade de Goiás.

Em Cavalcante, ficamos amigos do argentino Ramón, que nos apresentou a seu amigo holandês, o Franz, e através dele ficamos amigos de suas filhas Ana e Carol que moram em Brasília e a Ana nos colocou em contato com seu padrinho Daniel que mora na Cidade de Goiás e nos recebeu por lá. Pessoas especiais estão aparecendo nessas redes de contato que estão surgindo o tempo todo e facilitando muito nossa viagem.

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. – Cora Coralina

A cidade

Praça do coreto

Praça do coreto

A cidade de Goiás foi a primeira capital do Estado, fica nos pés da Serra Dourada e foi fundada no ano de 1727 para a exploração do ouro que havia na região. A cidade fica às margens do Rio Vermelho e recebeu esse nome pois viviam ali os índios Goyá que foram caçados para escravidão e para exploração das riquezas da região.

Goiás Velho, como também é conhecida, é uma cidade tranquila, sem muitos agitos, com um povo muito simpático e acolhedor.Cidade natal e morada da poetisa Cora Coralina, o centro histórico cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade e conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original e pedalar por suas ruas é uma viagem para o passado do nosso país.

Centro histórico tombado

Centro histórico tombado

Antigo presídio na praça do chafariz

Antigo presídio na praça do chafariz

A praça do coreto é ponto de encontro dos moradores e famosa também pelo delicioso picolé de frutas (baratinho). Com 16 igrejas e um centro histórico gigante e preservado, a cidade nos lembrou a mineira Ouro Preto.

A cidade fica no meio de um Cerrado muito preservado e para quem gosta de Ecoturismo, pode-se conhecer o Balneário do Carioca, Balneário de Santo Antonio, Balneário do Bacalhau, a Serra Dourada e a cachoeira das Andorinhas.

Balneário do Carioca

Balneário do Carioca

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas

Nosso anfitrião, Daniel, nos levou para sua casa e nos apresentou os outros moradores Dudu, Peter Pan e Martins. Figurassas, todos nos ensiram com suas histórias de vida. A história de Peter Pan foi a que mais nos chamou atenção.

O maluco é cicloturista, viajou por mais de 25 anos e percorreu mais de
50.000km pelo Brasil. Peter tem um sonho de construir uma nave espacial que leve para longe todos os terráqueos que estão destruindo nossa casa Terra. Ele é flautista de mão cheia. Aprendeu a tocar sozinho e ele mesmo produz suas flautas, bem diferentes, feitas com cano PVC. Ele fez uma para nós e o Tiago, que é nosso aspirante a flautista, já tá ficando craque.

Daniel é professor de História e nos convidou para irmos no Colégio Estadual Dr. Albion de Castro Curado. Chegando lá batemos um papo com as crianças, principalmente sobre preservação ambiental, esporte, estudos e sonhar! Peter Pan deu um show a parte com sua flauta e contou umas histórias de suas pedaladas pela BR. Aprendemos muito com a história das crianças, que na maioria das vezes tem tantas responsabilidades em casa que o único tempo que elas tem para ser criança é na escola. Dançamos, conversamos, jogamos ping-pong e no final uma surpresa: Daniel levou 4 mudas de árvore para plantarmos com as crianças, dizendo que era para todos se lembrem de nossa passagem por lá.

No meio da galera!

No meio da galera!

Bate-papo na Escola Dr. Castro Curado

Bate-papo na Escola Dr. Castro Curado

Na atividade!

Na atividade!

Tiago plantando com os alunos

Tiago plantando com os alunos

Visitamos também a Escola Estadual Lyceu de Goyaz. Chegamos sem agendar nada e o diretor da escola, muito solícito nos abriu as portas de um salão para falarmos para as 7 turmas do turno da tarde, totalizando mais de 200 alunos.

As professoras nos alertaram que algumas turmas eram muito bagunceiras, mas todos escutaram atentos e curiosos nossas histórias. Os alunos nos fizeram muitas perguntas, e no final pediram autógrafos e nos entregaram bilhetes dizendo que adoraram a conversa. Uma das professoras perguntou sobre nossas mães, pois também tem filhos e imaginou o aperto que nossas famílias estão passando. No final ela disse: “Parabéns pela história que estão fazendo, deu até vontade de comprar uma bicicleta e seguir com vocês!”

Escola Lyceu de Goyaz

Escola Lyceu de Goyaz

Alunos do Lyceu

Alunos do Lyceu

Melhor do que conhecer a Cidade de Goiás, foi fazer os amigos que conhecemos lá. Daniel, parabéns pelo trabalho e que você continue plantando sementes do bem na vida dessas crianças! E avisa pro Peter Pan que estamos esperando ele no deserto de Sonora!

Dudu, Daniel, Peter Pan, Martins, nós três e as magrelas

Dudu, Daniel, Peter Pan, Martins, nós três e as magrelas

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. – Cora Coralina

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Um tempo em Pirenópolis

Bem vindo a Pirenópolis

Bem vindo a Pirenópolis

Veja o álbum de fotos de Pirenópolis-GO
Vídeos de Pirenópolis-GO no Youtube

Não tínhamos pretensão de ficar muito tempo em Pirenópolis e já tínhamos combinado com o Horayma (amigo da Rafa de Brasília) que ficaríamos em sua casa somente uma noite, pois a casa já estava alugada para o feriado. Mas tínhamos o problema da bicicleta do Tiago para resolver e, como era feriado, precisaríamos ficar mais uns dias até conseguir uma loja de bicicleta aberta.

Solzão!

Solzão!

Chegando no centro histórico

Chegando no centro histórico

Passamos a primeira noite na casa dele e saímos no dia seguinte sem saber onde ficaríamos, pois a cidade estava ficando movimentada para o feriado. Mas a sorte continua conspirando a nosso favor, e antes de chegar na primeira esquina conseguimos uma casa para alugar por todo o feriado por um preço mais barato do que se pagássemos para acampar. Nossa anfitriã, a Vanessa, artesã que vive a muitos anos na cidade, nos recebeu muito bem e nos contou vários casos sobre Piri e as figuras que a cidade atrai.

Igreja Matriz

Igreja Matriz

Pirenópolis é uma cidade muito antiga, foi fundada em 1727 e ganhou esse nome devido a serra dos Pirineus, que recebeu esse nome em homenagem a cadeia de montanhas que separa a Espanha da França. A cidade foi tombada pelo (IPHAN) Instituto do Patrimônio Histórico Nacional em 1988 e possui um centro historico muito preservado, além de manter suas tradições como as Cavalhadas de Pirenópolis, uma das mais expressivas do Brasil.

Logo que passou o feriado de 12 de outubro começou o festival do Canto de Primavera, evento que rola todo ano. As oficinas de diversos instrumentos musicais e shows gratuitos atraem músicos e turistas de todo o Brasil. No palco montado na rua do Lazer, onde se concentra o movimento turístico da cidade tocaram vários músicos entre eles Zélia Duncan, Pepeu Gomes e Moraes Moreira.

Chorinho no coreto

Chorinho no coreto

Apresentação na Rua do Lazer

Apresentação na Rua do Lazer

Kico aproveitou para fazer oficina de percussão com o Marco Lobo, um percussionista fera que já tocou vários anos com o Milton Nascimento e agora toca com a Vanessa da Mata. Foram quatro dias de ensaio e no dia do encerramento do Canto de Primavera ele fez uma apresentação junto com toda a turma da oficina no Theatro de Pyrenópolis.

Kico batucando no Teatro

Kico batucando no Teatro

Ensaio da oficina de percussão

Ensaio da oficina de percussão

A cidade atrai muitos turistas por conta do Parque Estadual dos Pireneus e pelas várias cachoeiras e rios da região. Fomos na Cachoeira Bonsucesso, na Cachoeira dos Buritis e a que mais gostamos foi a Cachoeira das Andorinhas, que é uma seqüência grande de cachoeiras, sem muito volume de água, que tem umas pedras boas para brincar de escalar.

Rio das Almas

Rio das Almas

Jump na cachoeira Bonsucesso

Jump na cachoeira Bonsucesso

Tiago na Andorinhas

Tiago na Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira dos Buritis

Cachoeira dos Buritis

Nossa passagem ficou marcada pela beleza do lugar, pela visita sempre bem vinda da Rafa, que ainda nos salvou trazendo de Brasília as peças de reposição para a bike do Tiago e pelas pessoas incríveis que conhecemos e que vão deixar saudades.

Despedida na casa da Vanessa

Despedida na casa da Vanessa

Galera de Piri

Galera de Piri

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São Jorge – Cicloturismo na Chapada dos Veadeiros – Parte 3

Salto de 120m no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Salto de 120m no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Parte 1 – Alto Paraíso, o início da volta no parque
Parte 2 – O outro lado da Chapada

Mapa da volta na Chapada dos Veadeiros

São Jorge

Depois de conhecer o Engenho 2, terra Kalunga e as cachoeiras do Rio da Prata, voltamos a Cavalcante na casa do Ramón para pegar nossas tralhas e seguir para São Jorge para terminar a tão sonhada volta de bicicleta no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Pegamos um bom trecho de estrada de terra entre Cavalcante e São Jorge. Foram cerca de 170Km de muita terra, poeira solta, buracos e costelas., mas sempre recompensado por paisagens lindas. A primeira noite nós passamos no povoado Capela. É uma vila com pouquíssimas casas, mas nos recebeu de braços abertos. O Dé, lider comunitário, abriu as portas do salão de festas para nós passarmos a noite lá.

Cicloturismo na Chapada dos VeadeirosMirante da serra de Cavalcante

No dia seguinte pedalamos até a ponte do Rio Preto, um rio de águas cristalinas que cruza a estrada. Paramos para nos refrescar e, como era dia de lua cheia, decidimos aproveitar o resto do dia no rio e pedalar a noite. O céu da chapada é diferente, pedalamos como se fosse dia, guiados pela luz da lua que projetava as sombras das árvores retorcidas do Cerrado na estrada. Chegamos em Colinas do Sul por volta de 8 da noite. Pedimos informação em um bar, que nos rendeu alguns copos de cerveja, um Tucunaré frito, um banho e lugar pra dormir, tá bom né?

Nosso abrigo em Colinas do SulPonte do Rio Preto

Colinas do Sul é uma cidade um pouco diferente das demais da Chapada. O foco do turismo local é a pescaria na represa da Serra da Mesa, o segundo maior lago do mundo.

Seguimos para completar os últimos 35Km da volta na Chapada em direção a vila de São Jorge por uma estrada bem empoeirada e muita, muita subida!

São Jorge

As formas alucinantes do Vale da Lua

As formas alucinantes do Vale da Lua

Chegamos a São Jorge para a última semana de Julho, o ponto mais alto da temporada. E mais uma coincidência na Chapada, chegamos no primeiro dia do 10º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

São Jorge é uma pequena vila que movimenta a maior parte do turismo da Chapada dos Veadeiros pelo fato de ser lá o portão de entrada para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. É uma pequena cidade repleta de restaurantes, campings, pousadas e lojas de cristais e artesanato.

Passamos muito tempo no meio do mato antes de chegar a São Jorge. Tínhamos conhecido somente o lado tranquilo da Chapada, quando nos vimos em meio a uma multidão de turistas que tomou conta da cidade durante o festival.

Festival de Culturas Tradicionais

Festival de Culturas Tradicionais

Como não quríamos pagar camping, deixamos nossas coisas no carro de uma amiga e no primeiro dia só fomos montar nossas barracas às 4h da manhã em uma calçada gramada atrás do palco principal, depois de ter curtido os shows na praça e no Cavaleiros de Jorge.

Acordamos no outro dia e descobrimos que estávamos nos bastidores do evento, que mais parecia uma área VIP, pois era de frente para o circo, para o refeitório e para o coreto onde aconteceu o Encontro de Capoeira Angola. Também ficamos próximos da escola, que servia de alojamento para os participantes e onde era funcionava a cozinha do evento.

Circo do Festival de Culturas Tradicionais da Chapada dos VeadeirosAcampados em São Jorge

Sempre sobrava muita comida e, apesar das caras feias da tia que servia o rango, comemos de graça durante todo o evento. Além disso tudo, ainda tomamos banho quente todos os dias na escola. É ou não é área VIP?

10º Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros

Encontro de Culturas

Encontro de Culturas

O Encontro de Culturas foi uma festa inesquecível. A idéia é reunir diversas culturas tradicionais em um espaço de troca de experiências, onde as pessoas possam interagir e aprender sobre com diversas culturas espalhadas pelos cantos do Brasil.

Durante a semana do festival, a cidade transpirava arte. Por onde quer que fosse tinha um grupo fazendo um som, ou jogando capoeira, ou andando de perna de pau e por aí vai. Teve shows, oficinas, workshops, circo, teatro de mamulengo, capoeira, rodas de prosa e muita gente diferente. Aproveitamos para participar da oficina de Reaproveitamento do Cerrado para Artesanato que foi ministrada pela Maria Cerrado, uma pessoa muito simpática e empenhada com as causas sustentáveis.


Oficina de reaproveitamento do CerradoPalco lotado no Festival de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros

Conhecemos pessoas fantásticas que estavam ali com o propósito principal de compartilhar. Trocamos histórias, experiências e momentos que marcaram nossas vidas. Muitas dessas experiências foram vividas em volta de uma fogueira, momento onde as pessoas cantam, dançam e compartilham suas histórias.

Além de muita cultura, São Jorge também conta com uma natureza privilegiada e lá conhecemos o Vale da Lua, o Encontro das Águas e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

De volta a Alto Paraíso

Logo no início de nossa pedalada para Alto Paraíso a corrente da bicicleta do Tiago arrebentou. Sem poder arrumar, pegamos uma carona para Alto Paraíso. Coincidentemente quem nos ajudou é um conterrâneo de Juiz de Fora (saudade de casa). Infelizmente não pedalamos pela ciclovia tão famosa que liga as duas cidades.

Chegamos em Alto Paraíso e fomos de volta ao mercado, onde tínhamos deixado há mais de um mês metade de nossa bagagem. Dormimos duas noites por lá e, como já tínhamos pedalado pela estrada GO118 de Formosa até a Chapada, resolvemos pegar carona com o dono do mercado até Brasília.

Completamos a volta na Chapada dos Veadeiros em dois meses, e as experiências e aprendizados que vivemos nesses dias, marcarão para sempre nossa história.

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O outro lado da Chapada – Cicloturismo na Chapada dos Veadeiros – Parte 2

Entrega da bandeira na folia de Santo Antônio - Engenho, comunidade Kalunga

Entrega da bandeira na folia de Santo Antônio - Engenho, comunidade Kalunga

Este post conta as experiências que passamos na segunda parte do cicloturismo pela Chapada dos Veadeiros de Alto Paraíso até o Rio da Prata.

Parte 1 – Alto Paraíso, o início da volta no parque

Mapa da volta na Chapada dos Veadeiros

Parte 2 – O outro lado da Chapada

Passamos por grandes experiências nos dias que ficamos em Alto Paraíso de Goiás, e sair de lá não foi uma missão das mais fáceis. Na primeira tentativa de partir, quando já estávamos com as bagagens carregadas nas bicicletas e prontos para pegar estrada, o dono do supermercado nos intimou para um churrasco de despedida. Não resistimos e ficamos. No dia seguinte era jogo do Brasil contra o Chile pela Copa do Mundo e ficamos novamente.

No terceiro dia, quando enfim pegamos estrada – começamos a pedalar já era meio dia – só rodamos 10Km e chegamos à reserva onde ficam as cachoeiras dos Cristais e Água Fria. Aproveitamos que o sítio conta com estrutura de camping e decidimos que ficaríamos ali para conhecer as cachoeiras e partir no dia seguinte.

Nós três lotando a cachoeira da Água FriaPneu furado chegando nos Cristais

Depois de um banho na cachoeira da Água Fria, partimos rumo a Teresina. Durante toda a pedalada o PNCV ficou sempre à nossa esquerda e bastava virar a cabeça para admirar os belos mirantes de Cerrado de altitude e chapadões do parque. Isso nos ajudou a superar nossa falta de ritmo e atingir a altitude de 1.550m, máxima de nossa viagem. Estávamos próximos do Mirante do Pouso Alto, que chega a 1.676m, ponto mais alto da Chapada dos Veadeiros e do estado de Goiás.

Cruzamos o famoso Paralelo 14, que por ser o mesmo de Machu Picchu, é mais um mistério da região.
Nosso acampamento em Teresina de Goiás Mirante do Pouso Alto 1676m

Passamos a noite em Teresina de Goiás, acampados no galpão onde é a feira municipal e partimos já na manhã seguinte, pois nosso próximo objetivo era chegar a Cavalcante. Na saída da cidade fomos abordados pelo João, um ciclista de velocidade que nos acompanhou nos primeiros quilômetros até Cavalca.

Os 22Km que separam as duas cidades foram os últimos de asfalto que pegamos na volta pela Chapada. É um trecho de pedalada tranqüila e muito bonito, com mais descida do que subida.

Decidimos ficar a 4Km de Cavalcante, acampados no bar do Seu Armindo que fica sob a ponte do Rio das Almas onde passamos o restante do dia tomando um banho.

Fogueira no bar do Seu Armindo

Fogueira no bar do Seu Armindo

Rio das Almas

Rio das Almas

Partimos para a cidade no dia seguinte e chegamos lá a tempo de assistir o fiasco do Brasil contra a Holanda. Já era noite quando conhecemos o Zé, que nos convidou para passarmos a noite em seu rancho próximo à cidade.

Perdidos no Cerrado

Cerrado do rancho do Zé

Cerrado do rancho do Zé

Passamos a noite no rancho e no dia seguinte ele voltou com a esposa, os dois filhos pequenos e uma amiga. Vieram com os ingredientes para fazer pizza no forno de barro. A partir desse momento foi só emoção. O Zé nos convidou para pedalar por um curto trecho de trilha, ali mesmo em seu terreno. O Kico emprestou sua bike para ele e eu (Caseh) e o Tiago fomos junto. Preciso ressaltar que o Cerrado do sítio do Zé é extremamente preservado e tem árvores enormes que precisam de três pessoas para abraçar.

Pedalamos muito pouco, cerca de 1Km, vimos que o Zé tinha ficado para trás e decidimos voltar. Quando percebemos, não estávamos mais na trilha que viemos e perdemos todas as referências. Começamos a seguir os caminhos que se pareciam com trilhas e quanto mais nos embrenhávamos, mais densa ficava a mata. Começamos a gritar, mas sem resposta. Tiago chegou até a subir em cima de algumas árvores para pedir ajuda. O único sinal que nos aliviava era o latido do cachorro do rancho que ecoava na serra. Empurramos as bikes entre árvores, cipós, tentando sempre manter a calma. Depois de muita tensão acabamos encontrando o leito do rio que passa pelo rancho e depois de 3 horas perdidos no Cerrado chegamos aliviados em casa novamente. Sentimos toda força da natureza e percebemos o quanto é fácil se perder nas falsas trilhas do Cerrado. Fica aí o aprendizado e a experiência.

Temporada em Cavalcante

Chegada em Cavalcante

Chegada em Cavalcante

No fim da tarde voltamos para a cidade e fomos abordados pelo Ramón. Ele nos contou que é argentino e chegou na Chapada também de bicicleta depois de uma viagem de mais de 20 anos pelo mundo. Depois de alguns minutos de conversa ele nos convidou para dormirmos em sua casa, nós logicamente aceitamos.

Ramón é um artesão e faz da arte sua vida. Passamos duas semanas em sua casa aprendendo com o mestre sobre ser livre, viajante e estar aberto às oportunidades. Ele nos desportou para arte, nos ensinou a fazer artesanatos e malabares.
Na casa dele aprendemos a importância de sermos senhores do nosso tempo e que todas as alternativas são possíveis.

Ele nos apresentou o Franz, sua esposa Susana e suas filhas. Franz holandês gente boa que nos contou várias histórias dos tempos em que trabalhou com os índios Xavantes e no IBAMA. Aprendemos muito com as histórias das pessoas que conhecemos pelo caminho.

Caju

Caju

Ramón, Franz e Susana

Ramón, Franz e Susana

Engenho 2 – O Paraíso dos Kalungas

Arrumamos nossas bagagens, deixamos algumas coisas na casa do Ramón e partimos para o Engenho 2, terra Kalunga. No caminho muitos rios de água cristalina e uma forte subida até o mirante da Serra da Nova Aurora, trecho mais difícil. No caminho, a cachoeira da Ave Maria merece uma parada para contemplação.

Cachoeira da Ave Maria

Cachoeira da Ave Maria

Subindo a Serra da Nova Aurora

Subindo a Serra da Nova Aurora

Pedalamos 30km para chegar no Engenho. O sol já se punha quando fomos recepcionados pelo Sr. Cirilo, o líder da comunidade. Ele nos contou um pouco sobre a história dos kalungas e dos atrativos naturais do quilombo, a Santa Bárbara e a Capivara. Chegamos bem no dia do arremate da Folia de Santo Antônio e ele nos convidou para participarmos do jantar de entrega da bandeira, que aconteceria em sua casa naquela noite.

Cachoeira de Santa Bárbara

Cachoeira de Santa Bárbara

Nosso amigão Kalunga curtindo de ciclista

Nosso amigão Kalunga curtindo de ciclista

A reserva Kalunga, onde está localizado o Engenho 2 e mais 62 quilombos formam a maior reserva de Quilombolas do país. Para lá fugiram os escravos vindos da Bahia. Alguns Quilombos ainda não têm estradas e luz, sendo que no Engenho, somente há 30 anos chegou o primeiro carro lá e a energia elétrica há 4. Os Kalungas desenvolveram técnicas próprias de manejo de terra e animais e durante anos viveram somente do que produziam. Com o atual governo chegou energia elétrica, bolsa família e outros auxílios, que tem levado os Kalungas para a cidade comprar seus alimentos.

Casa Kalunga

O governo deu um curso de guia de turismo para os Kalungas, afim de preparar a comunidade para receber os Ecoturistas. O preço da diária do guia é R$ 50 mais R$10 por pessoa para conhecer os atrativos. A vila não possui estrutura de hospedagem e só é possível acampar.

Nossa última noite com os Kalungas foi no dia do arremate da folia. A festa regada comida, forró e cachaça kalunga durou até de manhã.

Folia de Santo Antônio

Folia de Santo Antônio

Nos despedimos dos kalungas e fomos sentido ao Rio da Prata. Pedalamos 59km no sertão de clima seco, muito sol e poeira. Era difícil de imaginar uma cachoeira naquele clima de deserto, mas quase na divisa com o estado de Tocantins chegamos nas famosas cachoeiras do Rio Prata.

Cachoeira Urubu Rei, no Prata

Cachoeira Urubu Rei, no Prata

Atrativos Naturais

Os antigos Quilombolas escolheram sabiamente seu refúgio – uma região regada de água e natureza preservada. Conhecemos algumas das cachoeiras que fazem da região kalunga um paraíso perdido no coração do país.

Cachoeira Santa Bárbara

Cachoeira Santa Bárbara

6Km do Engenho

A cachoeira de Santa Bárbara se destaca como uma das mais belas de toda a Chapada dos Veadeiros. A cor da água é inacreditavelmente azul.
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Cachoeira da Capivara

Cachoeira da Capivara

4Km do Engenho

A cachoeira de Santa Bárbara se destaca como uma das mais belas de toda a Chapada dos Veadeiros. A cor da água é inacreditavelmente azul.
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Cachoeiras do Rio da Prata

Cachoeiras do Rio da Prata

59Km do Engenho

O Rio da Prata tem uma sequência maneiríssima de cachoeiras e para chegar lá deve-se enfrentar quase 60Km de uma estrada puxada. Vale a pena pedalar pela trilha até a cachoeira Rei do Prata, a mais alucinante do lugar.
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Alto Paraíso, o início da volta ao parque – Cicloturismo na Chapada dos Veadeiros – Parte 1

Painel da Chapada dos Veadeiros

Painel da Chapada dos Veadeiros

Quando estavamos planejando a nossa rota percebemos que para chegar na Chapada dos Veadeiros daríamos uma volta de aproximadamente 500km. Inicialmente ficamos na dúvida se valeria a pena aumentar nossa rota, mas bastou vermos algumas fotos na internet para termos certeza que aquele era um lugar que não poderíamos deixar de conhecer.

Desde que começamos a viagem de bicicleta não tínhamos passado por nenhum lugar de natureza selvagem. Já estávamos há mais de um mês na estrada e a ansiedade para chegar na Chapada era grande. Alguns pedaços perdidos de Cerrado à beira da rodovia por onde passávamos nos dava o gostinho do que nos esperava.

São João D`Aliança - Portal da Chapada dos Veadeiros

São João D`Aliança - Portal da Chapada dos Veadeiros

Quando chegamos em São João D’Aliança nos deparamos com uma placa: “Bem-Vindos a São João D’Aliança – O Portal da Chapada dos Veadeiros”. Ficamos empolgados, afinal estávamos chegando de bicicleta no primeiro Parque Nacional da rota, movidos unicamente por nossa força e vontade. Várias cachoeiras, paisagens e pessoas para conhecermos.

Procuramos informações sobre a região na internet, mas não encontramos mapas ou detalhes sobre as estradas e trilhas para as cachoeiras, muito menos se elas davam acesso a bicicletas. Isso nos motivou a dar a volta no PNCV de bicicleta, mapear toda a região e produzir um material para contribuir na expedição de ciclistas e aventureiros interessados em passar um tempo na Chapada dos Veadeiros.

Passamos pelas comunidades de São João D`Aliança, Alto Paraíso de Goiás, Teresina de Goiás, Cavalcante, Engenho 2 (Kalunga), Capela, Colinas do Sul e São Jorge, totalizando cerca de 500km pedalados na região.

Ver o mapa no Google Maps
Download do GPS Tracklog completo da Chapada dos Veadeiros

Nós não tínhamos idéia do que nos esperava, mas depois de ficarmos 2 meses na região descobrimos que ao ultrapassar aquele portal existe um mundo onde os ETs tem aeroporto; que deve-se tomar conta com o que se pede em pensamento, pois acontece; que no mercado a conversa é sobre os cosmos; onde as crianças são eduacadas junto a natureza; que a Farmácia é no Tom das Ervas; onde índios e kalungas tem as suas terras e que o meio ambiente é a prioridade.

Estada para a Chapada

Estrada para a Chapada

A caminho

A caminho

Pôr do sol chegando na Chapada

Pôr do sol chegando na Chapada

Morro do Chapéu

Morro do Chapéu


Chegada na Chapada

Cataratas dos Couros

Cataratas dos Couros

Nosso cartão de visitas da região foram as Cataratas dos Couros. Pedalamos quase 100km de muitas subidas desde São João D`Aliança para chegarmos em um dos locais mais belos da Chapada dos Veadeiros. Chegamos nas Cataratas a noite e tivemos que esperar até o dia seguinte para conhecer o lugar.

Leia o post completo das Cataratas dos Couros

Passamos o dia conhecendo e contemplando o belo rio dos Couros e suas Cataratas. Começamos a pedalar rumo a Alto Paraíso no fim da tarde e chegamos à cidade já era noite, sem conhecer ninguém.

Precisávamos reabastecer nossos estoques de comida e paramos no primeiro supermercado que vimos aberto. Na hora de pagar, conversamos com o dono do mercado que disse ter nos visto na estrada dias atrás. Antes de partir para procurar um lugar para passar a noite, aconteceu o inesperado diálogo. Caseh, sem grandes pretensões perguntou pra ele se ele sabia onde poderíamos montar nossas barracas. Prontamente ele respondeu que poderíamos montar no terreno do lado, que faz parte do terreno do mercado. Já estávamos felizes de termos conseguido um teto para passar uns dias, quando ele complementou “Se eu falar pra eles que tem banheiro e cozinha eles não vão embora nunca mais”.

Leia o post completo “A vida nos fundos de um supermercado”

Alto Paraíso

Vista de Alto Paraíso do mirante do Morrão

Vista de Alto Paraíso do mirante do Morrão

Em nossa primeira semana na cidade, participamos da Semana do Meio Ambiente, onde assistimos palestras, filmes e participamos de rodas de prosa. O tema central era sempre a preservação do Cerrado. Aproveitamos os excelentes palestrantes para conhecer um pouco mais sobre essa região tão rica em recursos naturais, o berço das águas do Brasil.

Cinema na praça

Cinema na praça

Palestra sobre o Cerrado

Palestra sobre o Cerrado

Alto Paraíso é uma cidade de rotina tranquila com poucas pessoas na rua, alguns comércios abertos na avenida principal e pouquíssimos carros. No fim de semana o movimento aumenta um pouco com a chegada de pessoas de Brasília que são os principais visitantes da Chapada.

A cidade é a porta de entrada da Chapada dos Veadeiros e fica sobre uma grande placa de cristal quartzo, o que leva algumas pessoas a acreditarem que aquela região possui uma energia especial. A cidade é sede de várias ONGs, que estudam desde agroflorestas e preservação do Cerrdado, até OVNIs e seres de outros planetas. Em uma cidade com cerca de 7 mil habitantes, tomamos conhecimento de várias comunidades alternativas e religiões.

Tom das Ervas - Empório e fitoterápicos

Tom das Ervas - Empório e fitoterápicos

A Chapada dos Veadeiros é um local muito bom para a prática do cicloturismo e Alto Paraíso não é diferente. A bicicleta pode ser tranquilamente seu meio de transporte na cidade e é possível ter acesso à maioria das cachoeiras pedalando. Tem até uma ciclovia de 16Km na estrada entre Alto Paraíso e São Jorge, mas só no trecho asfaltado. Não deu para conhecer todas as atrações dessa vez, mas vamos listar as que visitamos e mapeamos.

A cidade conta com uma boa estrutura turismo contando com um CAT (Centro de Atendimento ao Turismo), agências de turismo, pousadas, campings, hotéis e restaurantes.

Para saber mais sobre a cidade, acesse o site da Prefeitura de Alto Paraíso ou o blog http://altoparaisodegoias.blogspot.com/ e siga o twitter @altoparaiso_go.

Cachoeiras de Alto Paraíso

Cataratas dos Couros

Cataratas dos Couros

50Km de Alto Paraíso
As Cataratas dos Couros são formadas por uma seqüencia de quatro grandes cachoeiras que chegam a 100m de queda e de uma série de poços de todos os tamanhos que acompanham o Rio dos Couros que ao final se torna um enorme cânion que se abre formando um visual de tirar o fôlego.
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Sertão Zen

Sertão Zen

12Km de Alto Paraíso
O Sertão Zen é uma cachoeira de 130m de queda que forma um maravilhoso mirante do vale dos rios Macaco e Macaquinho. Do alto avista-se o Vão da Serra do Paranã, que se abre em forma de V …
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Cachoeira das Loquinhas

Cachoeira das Loquinhas

4Km de Alto Paraíso
As Cachoeiras das Loquinhas tem duas trilhas que levam a duas sequencias de cachoeiras diferentes. A partir das trilhas, têm-se acesso aos poços ou locas (daí o nome Loquinhas), cada um identificado com seu nome em uma plaquinha na entrada.
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Cachoeiras do Macaquinho

Cachoeiras do Macaquinho

45Km de Alto Paraíso
Na Chapada dos Veadeiros, a palavra “macaco” tem um significado um pouco diferente. A presença dos rios Macaco e Macaquinho proporcionou à região o Vale dos Macacos, local que oferece inúmeras opções de cachoeira à beira dos dois rios.
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Cachoeiras dos Anjos e Arcanjos

Cachoeiras dos Anjos e Arcanjos

12Km de Alto Paraíso
Tiramos um dia para conhecer o povoado de Moinho, que fica situado a 12Km de Alto Paraíso. O local leva esse nome por ter abrigado o primeiro moinho de trigo da região da Chapada dos Veadeiros, hoje desativado. No povoado encontra-se o parque Solarion onde estão as famosas cachoeiras dos Anjos e dos Arcanjos.
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Salto do Itiquira, cachoeira com 168m de queda – Formosa-GO

Salto do Itiquira

Salto do Itiquira

Em nossa programação, ficaríamos somente uma noite em Formosa-GO, e seguiríamos na manhã seguinte sentido Alto Paraíso de Goiás, mas quando chegamos à casa da Mila ela nos mostrou fotos da cachoeira Salto do Itiquira, localizada cerca de 33km da cidade. Resolvemos então ficar mais um dia para conhecer a tal cachoeira.

Veja todas as fotos da cachoeira

Chapada na estrada para o Salto do ItiquiraA estrada até a cachoeira difere-se bastante do visual plano do Brasil central. Montanhas erguem-se em todos os lados e a partir da metade do caminho um grande paredão de pedra forma-se à esquerda de quem vai para a cachoeira.

Alguns riachos de água cristalina se formam deste paredão e cruzam a estrada. Paramos em um deles para nos banhar e como não é surpresa, tinha muito lixo deixado pelos “turistas” que vão até ali para fazer um churrasco. Fizemos então uma coleta de lixo no local para deixar o poço com a cara que merece.

O Salto do Itiquira é a maior cachoeira acessível do Brasil. Com 168m de queda, tem acesso fácil a sua base até para os menos preparados fisicamente. São apenas alguns metros de caminhada da portaria até a base da cachoeira.

A área de preservação da cachoeira é propriedade privada e para se ter acesso deve-se pagar uma taxa de R$12, sendo que estudantes e crianças até 12 anos pagam meia entrada. O local é muito bonito e preservado e conta com estrutura de estacionamento, restaurante, loja de souvenirs, banheiros e calçamento. Tudo feito com estilo para dar pouca interferência com o visual verde e preservado do local.

Salto do ItiquiraA queda d’água do Salto do Itiquira é impressionante! Quando se chega ao poço da queda, a força da água forma um vento forte que borrifa uma nuvem de água para todos os lados molhando tudo e todos ao redor. Se sua máquina fotográfica não é a prova d’água, evite levá-la até o poço da base. Por motivos de segurança este poço é proibido para banho, mas logo abaixo a corredeira forma cachoeiras menores e outros poços onde é permitido entrar na água.

De fato é a cachoeira mais bonita que já vimos na vida. O Tiago sentiu uma energia tão forte no vento d’água da cachoeira que começou a gritar “Estou sendo batizado!”. A energia da queda é realmente impressionante e mística. Saímos de lá com as baterias carregadas e felizes por termos escolhido ficar mais um dia para conhecer essa maravilha da natureza.

Confira o vídeo que fizemos do Salto do Itiquira.

Poço da queda

Poço da queda

Cachoeira enorme!

Cachoeira enorme!

Poço abaixo da queda principal

Poço abaixo da queda principal

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