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Cordilheira Branca, Cânion do Pato e Costa Norte – Peru

Cordilheira Branca, Cânion do Pato e Costa Norte – Peru
Pedalando aos 4850m de altitude - Parque Nacional Huascarán, Peru

Pedalando aos 4850m de altitude - Parque Nacional Huascarán, Peru

Foi no Parque Nacional Huascarán que alcançamos a altitude máxima da viagem até agora, 4.850 m. Pedalamos por uma estrada de chão entre os nevados e nenhum ser humano. O frio era intenso, e nossa comida estava escassa, pois estavamos a mais de um dia sem passar por um povoado, e nossa reserva de comida foi insuficiente. A adrenalina que sentimos é diferente, ficamos exitados com a paisagens, juntando força para subir as montanhas que se mostram a nossa frente. A cabeça ja doía devido a fome quando chegamos no Pastoruri, uma montanha famosa da região. De lá começou uma decida forte, e quando alcançamos os 4200m, achamos um lugar abrigado do vento, perto de um rio e de um bosque de Puya Raymondi, uma planta com uma das maiores inflorações do mundo. Fizemos uma fogueira e cozinhamos um macarrão, que enfim matou a nossa fome.

Jardim de Puya Raymondi - Parque Nacional Huascarán - Cordillera Blanca, Peru

Jardim de Puya Raymondi - Parque Nacional Huascarán - Cordillera Blanca, Peru

Parque Nacional Huascarán - Cordillera Blanca, Peru

Parque Nacional Huascarán - Cordillera Blanca, Peru

No dia seguinte pedalamos um pequeno trecho de estrada de chão, e logo estávamos no asfalto novamente, descendo para a cidade de Huaraz. No caminho encontramos um casal de cicloturistas ingleses, que estavam conhecendo a região. Eles usavam roupas bem engraçadas e batemos um papo bem divertido.

Huaraz é a capital do estado de Ancash, e é onde esta toda a estrutura para os turistas do mundo inteiro que vão para la explorar a região, uma das mais famosas de montanhismo. A cidade é pequena, mas muito agradável e fica no meio de enormes nevados.

A caminho de Huaraz - Cordillera Blanca, Peru

A caminho de Huaraz - Cordillera Blanca, Peru

No hostal que ficarmos conhecemos Alexandre Manzan, que já foi campeão mundial de Triathlon, e é gente finíssima. Trocamos muitas idéias sobre o mundo, a energia foi boa demais! As pessoas que cruzam nossos caminhos nos da a certeza que estamos na direção correta.

Alexandre Manzan, grande atleta brasileiro de X-Terra

Alexandre Manzan, grande atleta brasileiro de X-Terra

Na primeira tentativa de saída de Huaraz, um dos Alforges do Caseh caiu da bike e um caminhão passou e o roubou. Ele ainda pegou um taxi e tentou encontrar o caminhão, mas foi em vão. No alforges estavam sua equipagem de frio e chuva, saco de dormir. Voltamos para a cidade e ele comprou os equipamentos usados, a um preço bem barato. O prejuízo foi reduzido com a ajuda dos amigos, que participaram da Vaquinha feita pela net e doaram a grana que foi gasta no Equipamento.

Manoela Zaninetti, André, Eduardo, Andre Saliba, Crystiam Kelle, Jah Rastafarii, Renata Tibiriçá, Mari Zanon, Areta do Bem, Edvaldo Rodrigues, Gustavo Almeida, Rafael Vale, Daniel Fazza e Carol Fazza. Muito obrigado a todos que colaboraram!

Fizemos uma gambiarra e colocamos uma mochila para substituir o alforge perdido. Ficou meio desbalanceado o sistema, mas pelo menos pudemos voltar para a estrada.

Seguindo jornada, partimos de Huaraz em uma baixada enorme em direção ao Cânion do Pato. No meio do caminho o cabo da marcha do Tiago arrebentou, então tivemos que parar em Yungay para trocá-lo. Já estava tarde e acabamos ficando por lá para dormir. Acampamos na cidade sepultada, que se chama Campo Santo, em um viveiro de mudas. A antiga cidade de Yungay foi soterrada por uma avalanche de neve e lama que desceu do Huascarán (maior montanha do Peru com 6750m) em maio de 1970 matando mais de 25mil habitantes.

Nosso acampamento no Campo Santo - Yungay, Peru

Nosso acampamento no Campo Santo - Yungay, Peru

Aproveitamos a oportunidade de estar em um viveiro de mudas, no interior de uma cordilheira no Peru, e ficamos uma semana fazendo um trabalho voluntário por lá ajudando na manutenção dos viveiros e mudas. Passavamos o dia conversando com os funcionários, num ambiente de muita paz e tranquilidade. O sistema de irrigação dos viveiro é por canaletas usando o desnível do terreno e a gravidade, bem diferente do que estamos acostumados.

Trabalhando no viveiro de mudas do Campo Santo - Yungay, Peru

Trabalhando no viveiro de mudas do Campo Santo

Arrumando as mudas - Campo Santo, Yungay, Peru

Arrumando as mudas - Campo Santo, Yungay, Peru

Aproveitamos a oportunidade e fomos conhecer a famosa Laguna 69 e as lagoas de Llanganuco. De Yungay até o início da trilha são 30km de subida. Colocamos nossas bikes em um taxi que nos levou até o início da trilha, trancamos as bikes numa árvore e de lá tivemos que caminhar por cerca de duas horas para chegar na lagoa. O caminho é lindo, no meio de grandes cânions e uma vegetação diferente, com flores lilás e cada vez mais perto dos nevados.

Laguna 69 - Cordillera Blanca, Peru

Laguna 69 - Cordillera Blanca, Peru

Trekking para a Laguna 69 - Cordillera Blanca, Peru

Trekking para a Laguna 69 - Cordillera Blanca, Peru

A Lagoa 69 fica há 4690m acima do nível do mar, cercada de nevados e com um azul turquesa nunca visto antes. Kico arriscou um mergulho assim que chegou, mas não suportou o gelo da água. Voltamos de bike, num downhill alucinante, passando pelas lagoas de Llanganuco (Conococha e Chinancocha), que ficam meio a um cânion de nevados.

De bike por Llanganuco - Cordillera Blanca, Peru

De bike por Llanganuco - Cordillera Blanca, Peru

Esse paraíso está ameaçado de desaparecer, pois devido ao aquecimento global, algumas lagoas não podem ser mais acessadas, pois o nível de água delas está muito alto. Algumas pessoas que conversamos nos disseram que a neve do Huascaran está diminuido e eles tem medo de um dia ela acabar e a região se transformar em um grande deserto.

Fizemos boas amizades em Yungay, principalmente com a família Paz, com quem convivemos esses dias. Despedimos dos amigos e seguimos pedalada em direção ao litoral. Pedalamos por algum tempo pelo cânion formado pela Cordilleira Negra e Cordillera Blanca. Um dos fatores da existência da Cordillera Blanca é que a Cordillera Negra corta o vento vindo do Pacífico e permite o acúmulo da neve.

Despedida da família Paz em Yungay, Peru

Despedida da família Paz em Yungay, Peru

O asfalto acabou e começamos a pedalar por uma estrada de terra muito ruim. Logo chegamos ao Cañon del Pato, um trecho de estrada com mais de 50 túneis em uma estreita fenda no meio de montanhas gigantes.

Túneis consecutivos no Cañon del Pato - Peru

Túneis consecutivos no Cañon del Pato - Peru

Atravessando mais um túnel - Cañon del Pato, Peru

Atravessando mais um túnel - Cañon del Pato, Peru

Vencido o Cañon, mas não a estrada horrível, o bagageiro do Tiago não aguentou o tranco e quebrou. Estávamos no meio de um deserto, numa estrada que passava pouquíssimos carros. Kico e Caseh dividiram parte da bagagem do Tiago entre si para tentar chegar na cidade mais próxima e pegar um ônibus ou uma carona. Chegamos no povoado Mirador, que mais parecia uma cidade deserta, cheio de casas abandonadas, com apenas uma casa aberta. Uma senhora mantém ali um pequeno mercado. Disse que as pessoas abandonaram a regiao, pois perderam tudo numa cheia do Rio, e desanimaram de viver ali. Ela é professora aposentada e foi criada ali. Nos contou muitas histórias da região e nos mostrou as formas que consegue ver nas montanhas, foi bem divertido. Nessa noite, nos permitiu dormir em uma das casas da cidade que ela tinha a chave.

Na manhã seguinte conseguimos uma carona até Trujillo, o problema é que era um caminhão de carvão mineral. Chegamos pretos e exaustos depois de quase 8 horas na caçamba do caminhão sobre toneladas de carvão.

De carona em um caminhão de carvão

De carona em um caminhão de carvão

De carona em um caminhão de carvão

De carona em um caminhão de carvão

Em Trujillo tem uma das mais famosas Casas de Ciclistas da América do Sul e fomos direto para lá. Quando chegamos na casa de ciclista, negros, a galera se divertiu com a nossa cara. Passamos apenas uma noite por lá, mas foi muito inspirador. Ficamos sabendo da história de um alemão que está viajando há mais de 45 anos de bicicleta. Encontramos também com uma francesa de 63 anos que está viajando de bike sozinha pela América do Sul. Conhecemos Lucho, o dono da casa, e ele nos contou sobre a passagem do saudoso Valdo, cicloturista brasileiro de 66 anos que estava dando a volta ao mundo e morreu no México, um grande inspirador para o que estamos fazendo.

Com a galera da Casa de Ciclistas de Trujillo - Peru

Com a galera da Casa de Ciclistas de Trujillo - Peru

Em Trujillo Tiago soldou o bagageiro, mas como é alumínio, não ficou 100%, mas pelo menos nos permitiu seguir. Dali pegamos um ônibus para Máncora onde passamos uns dias muito bacanas e com muito boas companhias.

Em Máncora ficamos hospedados no Camping do Tito e conhecemos uma galera viajeira muito massa e isso inclui a brasileira Rita que tava viajando de bike com um grupo de argentinos. Máncora é uma cidade de noite agitada, mas nós nem caímos na noitada por lá, ficamos mais curtindo uma praia depois da temporada dura na Cordillera Blanca, foi como férias.

O caminho da praia em Máncora - Peru

O caminho da praia em Máncora - Peru

Galera multinacional no Camping do Tito - Máncora, Peru

Galera multinacional no Camping do Tito - Máncora, Peru

Algum parente do Bob Sponja - Máncora, Peru

Algum parente do Bob Sponja - Máncora, Peru

Quando saímos de Máncora, pedalando pela parte mais bonita do litoral peruano, paramos uns dias em Zorritos, no camping 3 Puntas Casagrillo e lá ficamos uns dias fazendo dois trabalhos web, um deles o site do próprio hotel onde estávamos.

Neste tempo, cerca de 20 dias, em Zorritos, conhecemos duas famílias argentinas viajando de Motor Home com seus filhos pequenos. Uma grande experiência de vida para estas crianças. Presenciamos também um efeito natural incrível. Durante a noite, algas marinhas (fitoplânctons) iluminavam as ondas de azul neon, colorindo o mar com explosões de luz, realmente incrível.

Família Salemme que conhecemos em Zorritos - Peru

Família Salemme que conhecemos em Zorritos - Peru

Viringo, raça de cachorros sem pêlo do Peru

Viringo, raça de cachorros sem pêlo do Peru

Daí seguimos para as últimas pedaladas em terras peruanas, rumo ao Equador. Nos despedimos de um país que nos brindou com muita cultura, pessoas simples e paisagens deslumbrantes.

Confira nossos outros posts da nossa passagem pelo Peru:

Primeiras aventuras no Peru – Cusco, Machu Picchu e Vale Sagrado

Linhas de Nazca, Paracas e Chincha Alta

Cicloturismo na Cordillera Blanca – subindo aos 4.850m de altitude

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Cicloturismo na Cordillera Blanca – subindo aos 4.850m de altitude

Cicloturismo na Cordillera Blanca – subindo aos 4.850m de altitude

Nosso destino ainda não estava certo, queríamos conhecer a cordilheira Branca, principalmente depois de ver as fotos da viagem do Antônio Olinto e da Rafa, mas teríamos que chegar a 4.850m de altitude e sair da zona de conforto que o litoral vinha nos propiciando. Saímos de Lima e seguimos pela Panamericana, rumo a Trujillo, por um caminho de deserto com as paisagens bem parecidas, mesclando o deserto com o mar e um céu nublado.

Pedalando pelo litoral peruano

Pedalando pelo litoral peruano

A decisão de ir para Cordilheira Branca veio no trevo para Huaraz. Caseh parou e falou que tava pilhado de subir, e depois de uma troca de idéias decidimos subir pedalando para os andes. A Cordilheira fica no estado de Ancash, e lá que esta o Huascarán, a maior montanha do Peru. Essa região é visitadas por amantes do montanhismo do mundo inteiro.

Vale verde no início da subida

Vale verde no início da subida

Alguns kilometros percorridos e a paisagem começou a mudar, o sol saiu e o verde apareceu em um vale com muitas frutas e verde. Pela estrada fomos fazendo a feira: maracujá, manga, maçã, tudo do pé. No final da tarde paramos numa cidadezinha e nos ofereceram o campo de futebol para dormir. Acabou que o povo chamou a gente para bater uma pelada, e lógico aceitamos.

Acampamento no campo de futebol

Acampamento no campo de futebol

Tiago interagindo

Tiago interagindo

Acordamos bem detonados por causa do futebol, mas sem muita escolha, seguimos pedalando pelo vale. Nas subidas a velocidade média é entre 6 e 7 km, temos que ter paciência para chegar no objetivo. Nesse dia pedalamos mais do que gostaríamos. Final da tarde já estávamos cansados, mas na montanha era penhasco pra tudo que é lado, não tínhamos onde armar nossas barracas e tivemos que seguir até a próxima cidade. Chegando la uma senhora nos indicou a quadra de futebol para dormirmos.

Montanhas por todos os lados

Montanhas por todos os lados

Senhora que nos conseguiu água

Senhora que nos conseguiu água

Parada pro rango e alongamento

Parada pro rango e alongamento

Seguimos nossas pedaladas, e uma das coisas que mais nos impressionou é como que em um trecho tão pequeno, as coisas mudam tanto. O povo, o clima, vegetação, tudo muda drasticamente em uma distância muito pequena. Nos andes é tudo muito diferente, cada cidadezinha é uma cultura diferente, são todos fechados, puros e ao mesmo tempo muito gentis. Por aquí chove somente de dezembro a março, e no restante do ano a água vem do desgelo, que é distribuída para as comunidades por canaletas na beira da estrada. Chegamos a 3.400m de altitude e dormirmos denovo numa quadra de futebol. Dessa vez um grupo dumas 10 crianças nos fizeram companhia até a hora de dormir.

Canaletas de água na beira da estrada

Canaletas de água na beira da estrada

Crianças curiosas

Crianças curiosas

Um Jumento chorou a noite toda, e nós acordamos antes do sol aparecer. Fizemos nosso café com leite e partimos por uma subida forte, cheia de zigue-zague até as primeiras montanhas nevadas. A alguns dias atrás estávamos no mar e bater os 4.300 metros alguns dias depois da uma sensação de superação indescritível.

Primeiras montanhas nevadas

Primeiras montanhas nevadas

CUIDADO. Zona de gran altura

CUIDADO. Zona de gran altura

Família campesina

Família campesina

Armamos nosso acampamento no alto de uma montanha, com uma vista linda para uma cordilheira nevada. Era lua cheia, fizemos uma fogueira e essa noite em especial conversamos muito sobre nossas famílias, saudades!

Vista magnífica da Cordillera Blanca

Vista magnífica da Cordillera Blanca

Acordamos com nossas barracas cheia de gelo. Tiramos foto e ficamos todo orgulhosos da nossa aventura. O rolé ja começou com uma descida forte, que apesar de muito bonita, nos fez voltar aos 3.400m. Paramos para almoçar em uma cidadezinha e nos disseram que até Parque Nacional Huscarán não encontraríamos mais povoado para comprar comida. Fizemos a compra para dois dias de rolé e partimos. O caminho é no meio de umas montanhas cinza com os cumes nevados. Pedalar no meio das montanhas nevadas é sempre um luxo! Fizemos outro acampamento com um visual surreal! É bom demais a sensação de que precisamos de pouco para ser feliz…

Essa madrugada batemos o récorde da temperatura mínima da viagem: -7C. A manhã tava gelada, o sol não aparecia, a mão congelava e tava difícil de arrumar as coisas para seguir. Nessa hora que valorizamos o calor do sol e sentimos o quão importante ele é.

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Linhas de Nazca, Paracas e Chincha Alta – Peru

Linhas de Nazca, Paracas e Chincha Alta – Peru

Viajamos de Cusco até Nazca de ônibus, para pedalar no deserto de Nazca, região cheia de cultura ancestral e conhecer a Reserva Nacional de Paracas, paraíso de vida marinha, onde o deserto encontra o mar azul.

Cerca de 12 horas dentro do ônibus nos deixou mais cansados do que se tivéssemos pedalado este caminho. Vimos uma belíssima paisagem andina indo embora na velocidade do busão.

Uma das descidas mais alucinantes da viagem em direção ao deserto de Nazca

Uma das descidas mais alucinantes da viagem em direção ao deserto de Nazca

Baixamos à noite em um povoado chamado Pampatambo, de onde teríamos 50Km de pura descida até Nazca. Acampamos por lá e começamos a descida na manhã seguinte, e foi uma das mais tops da viagem! A estrada era cheia de curvas que ia serpenteando o morro em direção a uma planície desértica, nos mostrando uma paisagem árida, sem vida e cheia de cores, um visual inesquecível.

Encarando o deserto em um dos mirantes da estrada

Encarando o deserto em um dos mirantes da estrada

Fizemos os 50Km até Nazca em tempo recorde, então mudamos nossos planos de pernoitar por lá e resolvemos seguir até onde ficam as famosas Linhas de Nazca. Não teríamos dindin para fazer o sobrevôo, então o negócio era procurar umas montanhas e mirantes para ver alguma coisa dessas linhas curiosas e ancestrais. Pedalavamos pela estrada tentando ver por onde os aviões faziam volta, para tentar ver alguma coisa, estávamos em um lugar muito especial!

Liberdade total

Liberdade total

Linhas de Nazca

Invadimos as Linhas de Nazca!

Invadimos as Linhas de Nazca!

As Linhas de Nazca são desenhos de formas geométricas, humanas e formas naturais como animais e árvores, que supostamente foram feitos pelo povo Nazca, mais de mil anos atrás. Estão preservadas até hoje simplesmente porque lá não chove. São 2h de água por ano nesse lugar e mesmo assim é só uma neblina.

Uma alemã, Maria Reich, se apaixonou pelo lugar e pelas linhas e dedicou sua vida a catalogar e preservar as Linhas. Com o tempo conseguiu apoio do governo e hoje tem um museu bem bacana onde era sua casa, no povoado de San Pablo. Visitamos o museu e ficamos impressionados com a paranoia que a Maria Reich entrou com o lugar. Várias fotos dela já bem velha no meio do deserto, medindo e limpando as linhas. No museu além de contar a história das linhas e da Maria Reich, conta também com amostras de artesanato, cerâmica e uma múmia, todos da civilização Nazca.

Entendendo um pouco mais sobre as Linhas de Nazca no Museu Maria Reiche

Entendendo um pouco mais sobre as Linhas de Nazca no Museu Maria Reiche

Múmia da civilização Nazca

Múmia da civilização Nazca

Na estrada conseguimos visualizar algumas das Linhas em dois mirantes, uma montanha e uma torre de 12m. Da montanha se vê linhas que vão ao infinito e formas geométricas e da torre já consguimos ver duas formas: A Árvore e A Mão. Sinceramente a nossa sensação é de que imaginávamos que os desenhos eram maiores. Mas não deixa de ser curioso a perfeição de como esse povo fazia essa arte.

A Árvore - uma das figuras de Nazca vista do mirante

A Árvore - uma das figuras de Nazca vista do mirante

Foi partindo daí em direção a Ica, onde fizemos um dos acampamentos mais diferentes até hoje. Em um trecho de 50Km de estrada não existe nada a não ser deserto arenoso e amarelo para os dois lados. Nenhum sinal de vida, nenhuma casa. Nos abastecemos de rango e água e, no meio do nada, decidimos parar de pedalar e acampar ali mesmo, afastados uns 100m da beira da Panamericana, que era o único sinal de civilização por ali.

Acampamos no meio do deserto em uma paisagem inóspita e inspiradora

Acampamos no meio do deserto em uma paisagem inóspita e inspiradora

Areia, sol forte e um pôr-do-sol incrível nos mostrou um ambiente que nunca tínhamos tido contato. Nenhum bicho, inseto, árvore, nada. Totalmente inóspito e silencioso.

Dali seguimos para uma noite em Huacachina, um oasis natural no meio do deserto, pertinho da cidade de Ica. O lugar virou um ponto turístico e lá é cheio de restaurantes, hostals e agências de turismo que levam a galera para fazer sandboard nas dunas. Lá ficamos na casa do El Chamo, um venezuelano que é guia local e em sua casa, malucos de toda América do Sul. Galera muito massa!

Galera maneiríssima na casa dos malucos em Huacachina

Galera maneiríssima na casa dos malucos em Huacachina

Paracas

Paracas, paraíso de vida marinha no encontro do deserto com o mar azul

Paracas, paraíso de vida marinha no encontro do deserto com o mar azul

A próxima meta era chegar no Oceano Pacífico, outra coisa que seria totalmente novidade para nós. Pedalando pelo deserto, fomos nos aproximando de Paracas enfrentando um vento contra bem forte, de frente pra um pôr-do-sol surreal. Chegamos na cidade já estava anoitecendo e acampamos na varanda de uma casa na primeira noite.

Gaivota em Paracas

Gaivota em Paracas

Porto da cidade de Paracas

Porto da cidade de Paracas

No dia seguinte resolvemos ir até a Reserva Nacional de Paracas, onde ficam as maiores belezas do local e acampar lá uma noite. Trocando idéia com os locais, nos indicaram ir até a praia de Lagunillas e acampar por lá e isso fizemos.

Chegando em Lagunillas, na Reserva Nacional de Paracas

Chegando em Lagunillas, na Reserva Nacional de Paracas

Entrando na RNP (paga-se 5 soles por cabeça), já paramos direto para ver fósseis de molusco de 45 milhões de anos encrustrados no chão e também um montão de Flamingos e outras aves guaneiras. Quando todos levantaram vôo foi um espetáculo da natureza.

Turritelas, fósseis marinhos de 45 milhões de anos

Turritelas, fósseis marinhos de 45 milhões de anos

Montañas coloradas

Montañas coloradas

Em Lagunillas pegamos as bikes e fomos conhecer a Praia da Mina e dar uma volta no mirante dos Lobos Marinhos. Acostumados com as praias cercadas de verde no Brasil, nos deparamos com um deserto colorido se encontrando com o mar perfeitamente azul e falésias gigantes, paredões que passam dos 100m de altura de encontro ao mar.

Onda dando um show no mar de Paracas

Onda dando um show no mar de Paracas

Durante todo o passeio, ficamos contemplando esse visual que enche os olhos e a vida animal local que é bem preservada. Presenciamos o nado de um Lobo Marinho e muitas aves mesmo.

Belíssimas aves de Paracas

Belíssimas aves de Paracas

Apesar de ter muita vida no local, um pescador nos disse que antes se pegava peixes grandes na borda da praia e hoje o tamanho não passa de um palmo. Outro pescador, que trabalha para uma companhia de peixes gigante, nos disse que cada vez que o barco vai ao mar traz 500 toneladas de peixe, usam GPS e Radar para localizar os cardumes. E detalhe que depois de toda essa exploração, tudo vai para o Japão. Uma covardia com a comunidade local.

Já na saída de Paracas, toda a beleza da reserva se transforma em um litoral feio, pobre e com cidades bem desorganizadas, como Ica e Pisco. Apesar de não termos passado por nada de errado, todo mundo nos alertava para termos cuidado com possíveis roubos nestas cidades.

Com a amiga Carolina na praia em Chincha Alta

Com a amiga Carolina na praia em Chincha Alta

Encontramos um pouco de tranquilidade em Chincha Alta, onde encontramos a amiga Carolina que conhecemos em Cusco e ela nos levou para conhecer o que tem de principal na cidade, a culinária. Nos levou para comer Carapulcra com Sopa Seca, Colado (doce de feijão), um doce de mandioca e o melhor de tudo foi uma bebida chamada Cachina, que é tipo um vinho, uma delícia! Compramos uma garrafa de Cachina e um cado de comida local na feira e fomos pra praia passar a tarde.

Um belo pôr do sol na praia em Chincha Alta

Um belo pôr do sol na praia em Chincha Alta

De lá seguimos para chegar à Lima, capital do país. Como qualquer babilônia, a entrada da cidade foi um caos e por fim conseguimos chegar no Hostal que a Lívia tinha reservado e conseguido um bom preço pra gente, em Miraflores.

Passamos 3 noites em Lima, compartimos muito com a Livia e sua mãe, que nos fizeram uma feijoada maravilhosa e nos receberam muito bem. Aproveitamos para fazer a missão de pegar a carta do IPD – Instituto Peruano de Deporte (veja carta). Demos um rolé de bike pelo bairro miraflores, que é muito grande e bem bacana.

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Primeiras aventuras no Peru – Cusco, Machu Picchu e Vale Sagrado

Primeiras aventuras no Peru – Cusco, Machu Picchu e Vale Sagrado
Saindo de Copacabana - Adeus Bolívia!

Saindo de Copacabana - Adeus Bolívia!

Cruzamos a fronteira entre Bolívia e Peru às margens do lago Titicaca, conseguimos 3 meses de visto e iniciamos nossas pedaladas no Peru, rumo aos Vales Cusqueños e a capital do império Inca – Cusco. A ansiedade era grande para conhecer mais um país e para encontrar o motivador de nossa viagem Antonio Olinto, que também estava em viagem pelo Peru.

Imigração da Bolívia

Imigração da Bolívia

Katerine, Cachorra que nos acompanhou por 30km correndo!

Katerine, Cachorra que nos acompanhou por 30km correndo!

Na beira da estrada muita agricultura familiar, o povo colhendo Quinua e produzindo cordas artesanalmente, como uma continuação da Bolívia. Nossa primeira noite no Peru foi em um salão de artesanato, num mirante com uma linda vista para o lago Titicaca.

Família produzindo cordas artesanais

Família produzindo cordas artesanais

Uma coisa que mudou muito quando entramos no Peru é que somos tratados como gringos, algumas pessoas ficam nos pedindo dinheiro, dando mal exemplo paras as crianças, que fazem a mesma coisa. Na Bolívia interagimos mais com as crianças, pois fomos vistos mais como seres de outros planetas que inspirava a curiosidade da garotada. Aqui no Peru, passamos pedalando e as crianças gritando “Gringo! Invitame plata!”. Nada que apague o brilho do sorriso dos Peruanos, que em sua maioria tem nos recebido de forma especial.

Ciclotrabalhador!

Ciclotrabalhador!

Em Puno passamos quase 2h para encontrar um alojamento barato e com banho quente, pois já fazia 3 dias que não nos banhávamos. Encontramos um em frente à rodoviária que cobrou 20 soles para os três. O problema é que mentiram quanto à água quente. Reclamamos muito, ameaçamos até chamar a polícia e conseguimos um ínfimo desconto de 1 sol a menos cada um.

Bike-Taxi na cidade de Puno

Bike-Taxi na cidade de Puno


O transporte básicos das cidades que estamos conhecendo são umas motos modificadas, que parecem mais uma carroagem. Tem também o bike-taxi, que são umas bikes modificadas que carregam até 3 pessoas. É estranho ver os passageiros numa boa e um coroa pedalando, mas de qualquer maneira é um transporte coletivo limpo, sustentável e saudável. Muito interessante! Idéia aprovada!

Adeus Titicaca

Nos despedimos do lago Titicaca e continuamos nosso caminho rumo a Cusco. Seguíamos no altiplano que liga os países, o relevo apresenta poucas subidas e a vegetação é toda de um capim marrom e ralo típico da altitude andina. A noite tem feito muito frio e estamos buscando sempre lugares fechados para dormir.

Um lugar inusitado que dormimos foi um celeiro, cheio de palha e bosta seca de alpacas e llamas. Jogamos algumas palhas limpas no chão, armamos as barracas e quando terminamos de jantar a família que mora ao lado entrou no celeiro com uma panela de arroz doce e chá. Uma atitude especial, pois são muito humildes e vivem praticamente do que produzem em sua terra. No dia seguinte de manhã voltaram com quinua com leite, uma delícia de cereal. Melhor do que ganhar a comida é a interação, é sentir que a pessoa se preocupou com você e essa compaixão temos sentido durante toda a viagem.

Celeiro de llamas e alpacas, nossa casa por uma noite

Celeiro de llamas e alpacas, nossa casa por uma noite

Depois que saimos do Brasil não conhecemos nenhum brasileiro que estivesse viajando por conta própria, os primeiros foram uns motoqueiros, pai, filho e um amigo, do estado do Paraná. Estavam em uma expedição entre Argentina, Chile, Bolívia e Peru e indo para Machu Picchu. Com suas motos ultrapotentes, eles foram até Machu Picchu, voltaram e nós ainda estávamos no caminho.

Brasileiros que conhecemos na estrada

Brasileiros que conhecemos na estrada

A região da cidade de Ayaviri é muito bonita, com umas formações rochosas diferentes, como uma Chapada, e uma energia muito forte. Dormimos em um hotel por 10 soles cada um numa cama muito boa e aquele banho quente que estávamos buscando! Pela manhã, em nossa parada para o primeiro lanche na estrada, apareceu Roberto um Mexicano cicloturista, que estava vindo desde do Ushuaya, com meta de chegar no México em 6 meses. O cara disse que já pedalou 250km num dia, praticamente um psicopata! Uma coisa muito maneira do cicloturismo são as diversas formas que se pode praticá-lo.

Chapada perto de Ayaviri

Chapada perto de Ayaviri

Roberto, cicloturista mexicano

Roberto, cicloturista mexicano

Passo La Raya, há 4.380m

Passo La Raya na divisa dos estados e Puno e Cusco

Passo La Raya na divisa dos estados e Puno e Cusco

Pedalamos o dia todo no plano e na hora que começamos a subir para o passo que se chama La Raya, há 4.380m, paramos em um povoado para dormir. Conversamos com o prefeito da cidade, que estava bêbado, mas liberou de dormimos em uma sala de reunião na Prefeitura, aos pés do nevado Kunurana. Nesse dia muitas crianças ficaram interagindo com a gente, pedindo para cantarmos músicas em português, curiosas com a viagem, com nossas coisas. É um momento bacana, porque as crianças sempre nos contam muitas histórias da região, tentam sempre nos ensinar alguma coisa de sua língua, cantam música para nós também, é uma troca massa demais.

Neste caso disseram quem ninguém sobe o Kunurana, pois a montanha come gente.

Vales Cusqueños

Passamos pelo passo La Raya, que divide os estados de Puno e Cusco e começamos a descer, passando por um vale já com árvores e verde, muito diferente do amarelo e cinza que nos acostumamos na altitude. As cidades começam a ter mais estrutura, os mercados tem mais variedade de alimentos como fruta, legumes e também dos industrializados.

Nesse trajeto, em um dos hostais que dormimos nos deram o golpe da ducha quente denovo, estava fria! Tivemos que pagar a mais pra poder usar o banheiro com água quente. Tem umas pessoas bem cara de pau e são essas pessoas que fazem a má fama que o peruano tem de desonesto.

Pedalando pelos Vales Cusqueños

Pedalando pelos Vales Cusqueños

A estrada desce acompanhando um rio, nos pés de umas montanhas muito altas. No caminho encontramos um casal cicloturistas argentinos que estavam indo para a Bolívia. Galera rodou a América do Sul e tá voltando pra casa. Foi quase um dia todo de descida, com umas subidas fortes para chegar na cidade de Urcos, onde passamos a noite. A cidade fica no trevo da estrada Interoceânica, que leva à Porto Maldonado e a fronteira com o Brasil no Acre.

Cusco

A entrada de Cusco foi terrível. Pedalamos uns 20Km já dentro da cidade com um trânsito terrível. Na chegada tem até uma ciclovia, pelo menos era para ser uma ciclovia. Muito entulho acumulado pelo caminho e em todos os cruzamentos tinha algum carro estacionado atrapalhando seguir por ali, então pedalamos enfrentando o trânsito mesmo.

Chegamos no centro histório da cidade, passamos por umas ruas estreitas de pedra até a famosa Praça de Armas. Foi bem chocante a hora que chegamos, pois estávamos na capital do antigo império Inca, e a praça principal da cidade é rodeada por imponentes igrajas católicas. Paramos sentados alguns minutos, refletindo sobre a colonização e suas influências ali, quando parou um taxi e saiu um cara falando: “E ai cara, beleza??”. Começamos a conversar e ele, muito emocionado, nos disse que também estava viajando de bike, nos convidou para ir para o hostal onde ele estava que ia pagar uma noite para nós. Aceitamos o convite e fomos.

Praça de Armas em Cusco

Praça de Armas em Cusco

Chegamos no Hostal Estrellita, que é o mesmo que os amigos suiços que conhecemos em La Paz nos indicaram. Edmilson nos contou que esta viajando há mais de 3 anos e está voltando pra casa agora. Ele foi o primeiro cicloturista brasileiro que conhecemos.

Edimilson cicloturista - Brasil vai!!

Edimilson cicloturista - Brasil vai!!

A cidade tem vários museus e ruínas. Caminhar pelas ruas de Cusco é uma volta ao passado. A arquitetura colonial tem muita influência Inca, pois foram contruídos pelos escravos. As igrejas foram contruídas por cima de antigos templos e quanto mais vai se conhecendo, mais vai entendendo como exército e igreja trabalharam juntos para colonizar o império Inca.

Igreja construída sobre templo do Império Inca

Igreja construída sobre templo do Império Inca

Rua no centro de Cusco

Rua no centro de Cusco

Visita da mãe do Kico

Marina, mãe do Kico, veio nos encontrar em Cusco e ficou 10 dias conosco. Fez feijoada e outras comidas pra gente, deu um gostinho de casa para os três.

Tiago estava com dores nos pés e não sabia quando ia poder ir para Machu Picchu, então Kico e Marina foram antes para conhecer a famosa ruína Inca. Depois foram também conhecer as ilhas flutuantes de Puno.

Ter recebido a visita da minha mãe, tê-la levado para conhecer Machu Picchu e o lago Titicaca foi muito especial para mim. Momentos em que matei a saudade de casa e do carinho da família. Kico Zaninetti

Interagindo com a galera no Hostal.

Interagindo com a galera no Hostal.

Marina vestida de Senhora de Urcos, nas ilhas flutuantes em Puno

Marina vestida de Senhora de Urcos, nas ilhas flutuantes em Puno

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Machu Picchu

Machu Picchu, foto clássica!

Machu Picchu, foto clássica!

A missão para Machu Picchu foi feita em duas expedições diferentes. Kico foi antes com sua mãe por conta do tempo que ela passaria em Cusco e Caseh foi uns dias depois com a amiga Annie. Tiago estava com dores nos pés e não quis arriscar a caminhada, como já tinha ido em 2008, achou melhor ficar em Cusco.

Machu Picchu é um lugar extremamente especial na face da terra. É uma ruína Inca muito bem preservada (muita coisa foi refeita pra gringo ver) e é construída no topo de uma montanha que fica localizada em um cânion coberto de verde cortado pelo rio Urubamba.

Ruínas no caminho para Machu Picchu

Ruínas no caminho para Machu Picchu

Para se chegar lá tem que tomar um trem desde Ollantaytambo ou encara alguns dias de caminhada com um visual fantástico. Para ir andando existem várias opções de trilha, sendo a mais famosa, mais cara e mais concorrida, a Trilha Inca. Outra opção de caminhada é ir pelo trilho do trem desde Ollantaytambo (caminho feito pelo Caseh).

Chega-se primeiro à cidade de Águas Calientes, que fica ás margens do Rio Urubamba e é uma cidadezinha totalmente voltada para o turismo, cheia de restaurantes e hostals. De lá, são 1:30 min de trilha até a portaria de Machu Picchu.

Ver aquela cidade de pedra de perto é uma sensação incrível. A conexão dos Incas com a natureza é inspiradora e só estando lá e olhando as montanhas ao redor, a perfeição das construções, as trilhas e os templos, para entender um pouco da história antiga dessa civilização que foi devastada pelos espanhóis.

El Templo de las Tres Ventanas

El Templo de las Tres Ventanas

Além da cidadela em si, conhecemos também as montanhas Huayna Picchu e a montanha Machu Picchu, ponto mais alto do parque. Cada um destes lugares apresenta um panorama diferente das ruínas e é incrível ver tudo de cima.

Machu Picchu visto do seu ponto mais alto

Machu Picchu visto do seu ponto mais alto

Casa do Beto e Dyani

Nesse meio tempo em Cusco a Dyani, amiga que nos foi apresentada pelo Eber de Oruro, nos convidou para ficarmos na casa de seu namorado, Beto. Foi ótimo, pois tínhamos um encontro com Olinto e Rafa, que estava chegando em breve em Cusco por uma rota diferente da que íamos fazer. As pessoas algumas vezes nos acolhem de uma forma que é até difícil saber como retribuir. Casa confortável, com cama macia e banho quente e todos os dias o casal fazia uma comida típica do Peru para nos apresentar, nos trazia doces, coisas típicas da região e nos apresentou para seus amigos. Em nossas conversas, Beto e Dyani nos contavam sobre a história dos Incas e de como é a vida hoje na região.

Almoço para comemorar o aniversário do Kico com os amigos Cusqueños

Almoço para comemorar o aniversário do Kico com os amigos Cusqueños

Nos ensinaram muito e hoje são grandes amigos que fizemos na estrada e sempre mantemos contato pela internet.

Vale Sagrado e o econtro com Olinto e Rafa.

Quando ficamos sabendo da possibilidade de nos encontrar com o Antônio Olinto em nossa passagem pelo Peru, ficamos muito empolgados, pois, para quem não o conhece, foi o primeiro brasileiro que fez a volta ao mundo em bicicleta e foi inspirado em seu livro No Guidão da Liberdade que estamos na estrada hoje.

Ruínas de Ollantaytambo com Olinto e Rafa

Ruínas de Ollantaytambo com Olinto e Rafa

Quando Olinto e Rafa, sua esposa, chegaram em Ollantaytambo fomos até lá de van no mesmo dia para encontrá-los. Era fim de tarde quando enfim conhecemos o cara que nos inspirou a estar vivendo essa viagem hoje. Passamos o dia juntos, trocamos muitas idéias, visitamos uma ruína que tem ao lado da cidade e combinamos de ir a Cusco e voltar à Olantaytambo com nossas bicicletas, enquanto eles iam conhecer Machu Picchu.

Chegamos em Cusco, ajeitamos uma bagagem bem leve para fazer um cicloturismo de apenas 4 dias pelo Vale Sagrado e partimos pedalando. Depois de muita subida e descida, chegamos na cidade de Maras, onde pernoitamos no pátio de uma igreja, com um visual de frente a umas montanhas nevadas e como Vale Sagrado lá embaixo, bem show.

Caminho para Ollantaytambo

Caminho para Ollantaytambo

Saímos de Maras por uma estrada de chão que leva às ruínas de Moray, que era um laboratório agrícola dos Incas, bem interessante, mas nada comparável com a descida alucinante que fizemos a partir dali até chegar na beira do rio Urubamba, já no meio do Vale Sagrado.

Ruínas de Moray

Ruínas de Moray

Chegamos em Ollantaytambo e encontramos com o casal que estava exausto da caminha que fizeram de Águas Calientes até Ollantaytambo. Jantamos juntos e dormimos cedo.

A pedalada a Pisac foi descendo o rio, pedalando e conversando muito com os dois. A interação com Olinto e Rafa foi muito fácil, simples e rica. Falamos sobre viagem, vida, religião, no meio de muitas brincadeiras e risadas.

Pedalando e aprendendo

Pedalando e aprendendo

Subimos para Cusco, e fomos parando para descansar e conhecer as ruínas Incas que tem pelo caminho. Em uma das ruínas, o segurança disse liberar a entrada para nós sem termos que pagar, mas teríamos que cantar e sambar. Rafa deu o incentivo inicial e logo saiu o coro “Brasil, meu Brasil brasileiro…” e todos nós começamos a sambar… foi bem divertido.

Quando chegamos na cidade, já era noite. Perguntamos a Beto e Dyani se poderiam nos ajudar a conseguir uma hospedagem para nossos amigos e eles prontamente os convidaram para ficar em sua casa conosco.

Tarde brasileira na casa dos amigos peruanos

Tarde brasileira na casa dos amigos peruanos

Olinto e Rafa passaram duas noites conosco, compartilhando com Dyani e Beto numa reunião de pessoas que nunca poderíamos imaginar. Foi uma troca de idéias sensacional e cada vez mais percebemos que viajar nos proporciona conhecer pessoas muito especiais e isso tem nos feito evoluir muito como pessoas.

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