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Subindo os Andes pela “Carretera Antigua” – Santa Cruz de la Sierra a Cochabamba

Subindo os Andes pela “Carretera Antigua” – Santa Cruz de la Sierra a Cochabamba Subindo os Andes pela "Antigua Carretera"

Para ir de Santa Cruz de la Sierra a Cochabamba existem duas opções: a estrada nova ou a antiga. A estrada nova está toda asfaltada, o caminho é um pouco mais curto e o trecho plano é bem maior. Na estrada velha (Antigua Carretera), a subida começa próximo a Santa Cruz e tem um trecho de 150Km de estrada de terra. Além disso, o noticiário informava que nessa estrada estava acontecendo vários deslizamentos de terra na região das cidades de Bermejo e La Angostura. Mas como a estrada velha é muito mais bonita e rica culturalmente, decidimos partir por ela, independente dos problemas.

Nos despedimos do pessoal do Alojamento Economico de Santa Cruz com um almoço de arroz com lentilha preparado pela Griselda, uma boa amiga que fizemos na Bolívia. Pedalamos 33km e chegamos a cidade de Los Tornos com muita chuva, trocamos um raio quebrado do Tiago e pernoitamos no Alojamento Gutierres, um lugar muito sujo e feio, que custou cerca de 50 bolivianos. A ansiedade aumentava, estávamos no pé da subida dos Andes, o tempo estava muito instável e o noticiário falava que a estrada estava interrompida por conta de deslizamentos.

Chegando nas primeiras, das muitas montanhas que subimos na Bolívia

Chegando nas primeiras, das muitas montanhas que subimos na Bolívia

Choveu a noite toda e pela manhã também, saímos do alojamento as 10 da manhã, quando a chuva parou. Na saída da cidade uma feira com frango, carne, tudo no meio das moscas. A falta de higiene nos impressiona cada vez mais aqui na Bolívia.

As monótonas paisagens de planícies que vinhamos pedalando desde o estado do Mato Grosso, no Brasil, enfim mudaram. Começamos a subir os Andes por uma estrada de muitas curvas, passando por grandes vales, beirando o rio Piray, sempre cercados por grandes montanhas.

Serpenteando entre as montanhas cobertas de verde vivo

Serpenteando entre as montanhas cobertas de verde vivo

Ficamos mais tranquilos quando passamos pelo trecho onde a estrada estava bloqueada. Algumas máquinas e homens ainda trabalhavam tirando pedras e barro da pista, mas a estrada estava liberada.

Homens trabalhando para limpar a estrada

Homens trabalhando para limpar a estrada

Fizemos uma parada em Bermejo para almoçar e contemplar os belos paredões vermelhos da pequena vila.

Serra Vermelha em Bermejo

Serra Vermelha em Bermejo

Continuamos a subir, com objetivo de chegar a Cuevas e no topo do morro, para chegar na cidade, a corrente da bike do Caseh arrebentou. Enquanto ele arrumava, parou um caminhão e Jaime, o motorista, nos convidou para irmos de carona com ele até Samaipata, que ficava há 25km de onde estávamos e que lá poderíamos pernoitar em seu chalé. A oferta de um teto e banho quente foi irrecusável.

Jaime, amigo de Samaipata

Jaime, amigo de Samaipata

Samaipata é uma cidade turística e bem organizada, se comparada com os padrões Bolivianos. Na cidade está uma das melhores portas de entrada para o Parque Nacional Amboró, além do sítio arqueológico de ruínas incas: “El Fuerte de Samaipata”. Não visitamos nenhum dos dois lugares porque eram bem caros e nossos recursos estão ficando cada vez mais escassos.

Ficamos três dias em Samaipata por conta do tempo ruim, acampados atrás do chalé, já que o Jaime tinha voltado para Santa Cruz. Por lá chegamos a conhecer a cachoeira de Cuevas (muita areia e pouca água) e o mirante do hotel El Pueblito, com um visual muito bonito da cidade.

Vista noturna da cidade de Samaipata

Vista noturna da cidade de Samaipata

Cachoeira de Cuevas

Cachoeira de Cuevas

Castelinho em Samaipata

Castelinho em Samaipata

Saindo de Samaipata, mais subida e os Valles Cruceños apareciam cada vez mais lindos, com montanhas enormes cobertas de verde muito vivo. O melhor de subir é contemplar a vista de cima: de um lado o morro superado e do outro a descida que estar por vir. Dormimos em Mataral, que fica a cerca de 60km de Vallegrande, cidade onde Che foi executado pelo exército Boliviano. Na saída da cidade, uma senhora nos ofereceu uma penca de bananas, e nos disse: ”Fui muito bem recebida quando fui ao Brasil e espero que os Bolivianos também os receba muito bem, pois essa é a verdadeira revolução.” A estrada e as pessoas nos ensinam muito. Nesse clima seguimos pedalando por uma vegetação muito diferente, uma imensa floresta de cactus e árvores retorcidas, lembrando o cerrado. Chegamos em Comarapa e de agora pra frente é estrada de terra e pedras (chamada aqui de rípio) e pura subida.

Jardim de Cactus na região entre Mataral e Comarapa

Jardim de Cactus na região entre Mataral e Comarapa

No dia seguinte subimos de 1850m a 2600m até um povoado chamado Torrecillas, conversamos com o coordenador da escola e dormimos por lá. Essa noite foi a primeira vez que fez realmente frio. No dia seguinte quando estávamos saindo uma senhora nos parou e nos deu um saco de batatas, um bom sinal, já que o pessoal de Santa Cruz disse que não conseguiríamos nem um copo de água com os Collas.

Um fim de tarde inesquecível na escola em Torrecillas

Um fim de tarde inesquecível na escola em Torrecillas

A mudança não foi só no relevo e clima, mas principalmente nas pessoas e sua cultura. O povo do alto se veste de maneira muito peculiar, falam o idioma próprio Quechua e são bem descofiados. Quando chegamos nas pequenas vilas, nos sentimos como ET’s, mas rapidamente nos enturmamos. Tem sido uma experiência muito rica interagir com esse povo tão diferente para nós. Suas roupas coloridas, as condições em que vivem, seus custumes, tudo nos encanta.

Família Colla

Família Colla

Molhando a criançada

Molhando a criançada

Fazendo feira

Fazendo feira

Seguimos pedalando em subidas e descidas gigantes, cada vez mais alto, até superarmos os 3000m. O visual dos vales e das montanhas andinas que começavam a aparecer no horizonte nos tirava o fôlego, mas não como a falta de ar da altitude. No caminho uma chuva leve nos pegou, ficamos assustados, pois com aquele frio não sabíamos se o equipamento iria dar conta, mas corremos para nos abrigar e deu tudo certo.

Ficamos apreensivos quando o tempo começou a fechar na altitude

Ficamos apreensivos quando o tempo começou a fechar na altitude

Neste trecho passamos por La Siberia, um lugar famoso, que sempre está no meio das nuvens, com forte neblina e chuviscando. A subida até lá foi forte e quando já estávamos chegando no topo um carro parou e o motorista nos cumprimentou com um “Que tengan una feliz altura!”. Logo depois, já chegando no cume e com algumas nuvens passando por nós, um Condor aparece do meio das nuvens, voa sobre nossas cabeças e do mesmo jeito que veio, foi embora, como se viesse para nos dar boas vindas aos Andes.

Chegamos aos 3.000m de altitude e começamos a sentir falta de ar e frio. Pedalar nessas condições nos deixa ofegantes e estamos indo bem devagar para nos aclimatarmos.

Arrumar a bike nesse visual fica fácil!

Arrumar a bike nesse visual fica fácil!

No km 170, há 3060m, paramos em uma curva abandonada, pois parte dela tinha caído e a estrada neste trecho foi reconstruída. O lugar é maravilhoso, com uma mina de água próxima e uma vista das lindas montanhas andinas. Batizamos o lugar de “Mirante da Curva” e acabamos dormindo duas noites por lá, fazendo comida na fogueira, dando uma geral nas bicicletas e contemplando as montanhas e de noite um céu infinito de estrelas.

Na segunda noite, uma ventania nos tomou de surpresa no meio da madrugada. Fazia bastante frio e tivemos que sair no meio do vento para reforçar as barracas e recolher o que estava de fora, para que nada fosse carregado. Este acampamento foi inspirador para nós. O lugar era maravilhoso e estávamos totalmente isolados de tudo e todos, um lugar inesquecível da viagem.

Bom demais estar inserido na natureza!

Bom demais estar inserido na natureza!

Depois deste acampamento pegamos uma boa subida e depois descemos forte até chegar a Epizania, onde já começava novamente o asfalto. Lá conseguimos um espaço no posto de saúde local para dormir e o Kico aproveitou para se consultar com o médico, pois tinha pegado uma diarréia, que no dia seguinte acometeu o Caseh também.

Foge não, menino!

Foge não, menino!

Quando acordamos em Epizania, o tempo estava muito feio e não estávamos animados de pedalar, então resolvemos tomar um ônibus para Cochabamba. A chuva molhava o vidro do ônibus, e quando ela se foi, nos sentimos mal de ver a estrada passar… e era só descida! Somos cicloturistas e a muito tempo nao entravamos em um ônibus, foi agoniante. Até que em um momento de lucidez o Caseh disse: “Vamos sair desse ônibus e pedalar!”. Os três concordaram na hora e fizemos o ônibus parar no meio do caminho, depois de andar uns 60Km.

Arrumamos as bicicletas e pegamos uma descida forte até chegar a Punata e o povoado chamado San Benito, onde conseguimos uma sala para dormir no Colégio Papa Juan, um colégio de freiras. Lá fizemos nosso primeiro plantio de mudas em terras estrangeiras. Junto com o professor de agropecuária e alguns alunos, plantamos 38 mudas de lingustos em um jardim. O colégio tem uma bela plantação com milho, maçã, hortaliças e até uma criação de porquinhos da índia (conhecidos por aqui como Cuy).

A interação com a garotada boliviana tem sido muito positiva. São as crianças os melhores professores de espanhol e é um sentimento muito bom mostrar para eles fotos da nossa viagem e ver seus olhos até brilhando de emoção.

Galera do Colégio Papa Juan

Galera do Colégio Papa Juan

Gary nos ajudando no plantio

Gary nos ajudando no plantio

De San Benito foi só plano e descida até Cochabamba, onde chegamos direto para a casa da Nildes, onde ficamos alguns dias para conhecer a cidade. Nildes é uma amiga que fizemos por conta da Priscila, grande amiga que conhecemos em Pirenópolis-GO, já durante a viagem. É a rede de pessoas se crescendo cada vez mais.

Chegando em Cochabamba pegamos um trânsito infernal!

Chegando em Cochabamba pegamos um trânsito infernal!

Sustentabilidade

Nesse caminho vimos muitas plantações nos vales, um manejo sustentável de hortaliças e principalmente morango. Ao lado de cada plantação tem um lago para represar a água da chuva. Impressionante como o povo do alto se adapta às condições adversas do meio-ambiente dessa região.

A grande maioria das contruções da região são de adobe, uma maneira barata e sustentável de se contruir. A técnica de contrução é milenar e os tijolos de terra, misturado com mato e cascalho são resistentes ao frio e ao tempo. Conhecemos no caminho algumas contruções com mais de 100 anos.

Na chegada em Cochabamba, uma das represas que abastece a cidade estava praticamente vazia, devido ao atraso nas chuvas deste ano. Qual será as causas dessa seca em pleno verão?

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Santa Cruz de la Sierra, a capital Camba

Santa Cruz de la Sierra, a capital Camba
Vista do trânsito de uma rotatória em Santa Cruz de la Sierra

Vista do trânsito de uma rotatória em Santa Cruz de la Sierra

A Bolívia é dividida entre dois povos, os cambas e os collas. Os cambas são os mestiços, que habitam a parte baixa do país e os collas o povo mais indígena, dos grandes vales e dos Andes. E Santa Cruz de la Sierra é a capital Camba, um povo aberto, globalizado e bem humorado, que muito se assemelha ao brasileiro e, por isso, nosso tempo na cidade não podia ter sido melhor.

Bandeira do estado de Santa Cruz

Bandeira do estado de Santa Cruz

A capital Cruceña foi nosso primeiro contato com uma cidade grande na Bolívia, com muita mistura de cultura. Pessoas vestidas de forma muito distintas, hábitos diferentes, todos misturados. A comida é bem exótica: Suco de balde, panza rebozada (uma espécie de buchada de bode), frango frito no meio da rua, muita sujeira e higiene nenhuma. As feiras livres estão espalhadas por toda cidade e o que nos salvou foi a grande variedade de frutas. Ficamos chocados, mas ao mesmo tempo intrigados com toda aquela diversidade.

Nos hospedamos no Alojamento Econômico, próximo ao antigo Terminal de Buses, conhecido como Ex Terminal. Chegamos neste alojamento pela Cláudia, que conhecemos pouco depois de chegar à Bolívia, em Ascención. Ela nos indicou o alojamento de sua prima Griselda. Ficamos sabendo depois que essa região é a mais perigosa da cidade, mas não vimos nada de anormal por lá.

Griselda nos ajudou muito por lá, com um super descontasso nas diárias, nos convidou para almoçar diversas vezes, foi nossa guia para onde quer que quiséssemos ir em Santa Cruz e ainda ganhamos uns refrigerantes e cervejas do bar La Cueva del Tejon, que fica logo abaixo do alojamento.

Picante de Pollo, almoço que ganhamos da Griselda

Picante de Pollo, almoço que ganhamos da Griselda

No primeiro dia de Santa Cruz fomos direto em uma feira que acontece toda quinta-feira, chamada de Feria de la Cumavi. Uma feira de roupas usadas que vem dos Estados Unidos e lá é possível encontrar muita coisa boa a um preço inacreditável. Tem roupa que custa menos de R$1!

Lá compramos algumas roupas de frio e camisas de tecido dry fit, tudo por menos de R$10 cada. O Caseh ainda comprou uma bota massa demais por R$15, pena que o sistema de impermeabilização dela não estava bom, mas tem sido um calçado útil na viagem.

Comemos basicamente Pollo Chinês, que é frango com macarrão e arroz. O triste era quando não achávamos um cabelo no prato, porque aí era certo que tínhamos comido ele.

Comida boliviana vendida na feira da Ramada em Santa Cruz

Comida boliviana vendida na feira da Ramada em Santa Cruz

Nos chamou muita atenção uma bike adaptada com uma chapa de hamburguer, que a galera vende as hamburguesas no meio do trânsito. Num sinal o chapeiro freiou a bike rápido, soltou o guidão e deu aquela ajeitada nas carnes de hamburguer com a mão. Pegar a comida com a mão é normal por aqui também, eles te entregam a comida com a mão, te dao o troco e ainda limpam a mão na roupa, como se nada tivesse acontecido.

As estátuas e monumentos espalhados pela cidade nos contou um pouco da rica história boliviana.

Estátua em um cruzamento de Santa Cruz

Estátua em um cruzamento de Santa Cruz

Bicicleta em Santa Cruz

De bicicleta, disputando espaço no trânsito

De bicicleta, disputando espaço no trânsito

O trânsito da cidade é muito ruim! Muitos carros, taxis e micros dividem espaço entre os anillos (a cidade é divida em anéis concêntricos) e os motoristas quase não usam seta, sinalizam tudo que vão fazer com buzinadas.

Apesar do terreno plano ser perfeito para andar de bike, a bagunça de automóveis e a disputa de espaço com os carros nas ruas faz com que andar de bicicleta por lá seja muito arriscado. Esse é um dos motivos de não se ver muita gente pedalando nas ruas.

Trânsito caótico de taxis e micros em um cruzamento da cidade

Trânsito caótico de taxis e micros em um cruzamento da cidade

Conseguir peças de mountain bike em Santa Cruz foi uma grande aventura. Tiago precisava comprar uma sapatilha, pneu e algumas peças de reposição. Nas lojas indicadas, só tinha bicicletas de crianças e as do estilo barraforte. As peças são da China e de péssima qualidade, Shimano nunca ouviram falar. Compramos nessas lojas de “repuestos de bici” câmara de ar e pneu, mesmo assim um dos pneus que compramos explodiu na saída da cidade.

Um brasileiro que conhecemos, que anda de bicicleta, nos indicou a loja Monaco, onde encontramos peças boas e o Tiago conseguiu comprar sua sapatilha para substituir o trapo que ele vinha usando no pé. Apesar de ser usada, a sapatilha é Shimano e está em ótimo estado e custou 100Bs, cerca de R$30.

Foi um custo conseguir uma substituta para essa sapatilha do Tiago

Foi um custo conseguir uma substituta para essa sapatilha do Tiago

Caseh aproveitou também para trocar o cubo traseiro da bicicleta, pois estava estourado e muito ruim para pedalar. Por sorte trazia um bom de reserva.

Bicicleteria Monaco
Calle Buena Vista (zona Mercado Mutalista al frente) Diagonal (Banco Económico Préstamos mi Socio, Nº2545)
Tel.: 348-0903
Cels.: 721-74452 / 736-56401
Santa Cruz de la Sierra – Bolívia

Pontos turísticos

Em Santa Cruz não ficamos muito por conta de turismo, mas conhecemos dois pontos importantes, a Plaza 24 de Septiembre e o Parque Urbano.

Catedral de Santa Cruz de la Sierra

Catedral de Santa Cruz de la Sierra

A Plaza 24 de Septiembre é o lugar mais famoso da cidade, onde muita gente se reúne nas tardes e noites para ficar conversando e tomando um sorvete. Lá tem a bela Catedral Matriz, uma construção enorme e toda em tijolos. A sede do governo estadual também fica na praça, junto com teatros, museus, bons bares e sorveterias.

Garoto correndo atrás dos pombos na Plaza 24 de Septiembre

Garoto correndo atrás dos pombos na Plaza 24 de Septiembre

Fomos com as bicicletas na praça para vender algumas fotos e conhecemos bastante gente legal por lá. Encontramos alguns brasileiros que estavam de passagem pela cidade, mochilando pela Bolívia e também um casal de missionários da Igreja Batista, que o cara já rodou muito de moto pela América do Sul e nos deu uma ajuda.

Roletando no Parque Urbano de Santa Cruz

Roletando no Parque Urbano de Santa Cruz

Roletamos de bike pelo Parque Urbano, um dos poucos redutos de área verde na cidade. A galera vai lá para relaxar, fazer picnic e praticar esportes, como caminhada e futebol.

Amigos Cruceños

No tempo que ficamos lá, ficamos muito amigos do pessoal do Alojamento Econômico, principalmente a Griselda, Moira e a criançada que mora lá, que nos atormentou todo o tempo. Era só sair do quarto e já chegava um deles e perguntava “Que esta haciendo, señor?”.

Essa galerinha do Alojamento Econômico deu trabalho!

Essa galerinha do Alojamento Econômico deu trabalho!

Quando tiramos um dia para arrumar as bicicletas e lavar as barracas, foi quando o bicho pegou. Só precisava de um segundo de desantenção de nossa parte para cada um deles estar com alguma ferramenta ou peça de bicicleta na mão correndo de um lado para o outro. Não sei como não perdemos nada para estes pestinhas, que do mesmo jeito que nos atormentaram, fizeram a alegria dos momentos que estávamos no Alojamento.

Cláudia, a prima da Griselda, tinha também chegado na cidade e tiramos um dia para ir a sua casa fazer um almoço de arroz com feijão para não perder o costume. Lá conhecemos seu irmão Rodrigo, também gente boníssima e tenho certeza que deixamos a cidade com boas amizades nessa família.

Griselda, Cláudia e Rodrigo, amigos de Santa Cruz

Griselda, Cláudia e Rodrigo, amigos de Santa Cruz

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O início da jornada na Bolívia (San Matias a Santa Cruz de la Sierra)

O início da jornada na Bolívia (San Matias a Santa Cruz de la Sierra)
Bienvenidos a Republica de Bolivia

Bienvenidos a Republica de Bolivia

Viramos uma curva na estrada de chão, e uma cancela de madeira com uma bandeira boliviana hastiada e alguns soldados de roupas verdes nos mostrou a primeira fronteira entre países de nossa viagem. Mostramos nossos documentos, respondemos algumas perguntas comuns sobre a viagem e começamos nossa etapa internacional.

Guarda boliviana de fronteira

Guarda boliviana de fronteira

As pessoas, o idioma, os costumes, as cidades, tudo é diferente. Esse primeiro trecho desde a fronteira até Santa Cruz de la Sierra nos mostrou uma parte da Bolívia primitiva, de natureza selvagem e gente humilde.

Um rango com o pessoal do Gefron foi nossa despedida do Brasil, e não foi um rango qualquer… foi um belo frango com pequi! Saímos do asfalto do lado brasileiro e após cruzar a fronteira só estrada de chão. Fomos até uma piscina de água natural indicada pelos policiais para fazer a digestão. A piscina fica na nascente de um rio e tem um marco que divide o Brasil da Bolívia. Depois de um banho e o primeiro contato com o povo nativo que estava lá, seguimos pela estrada de terra rumo a primeira cidade fora do Brasil, San Matias.

Vale a pena conhecer esta piscina na fronteira entre Brasil e Bolívia

Vale a pena conhecer esta piscina na fronteira entre Brasil e Bolívia

Já na cidade fizemos o primeiro desenrolo em espanhol e chegamos na Migración para receber o primeiro carimbo nos nossos passaportes. Cambiamos nossos reais em moeda local. O câmbio em San Matias estava 3,6 Bolivianos para cada Real. Neste dia ficamos no Alojamento Cochabamba, onde negociamos o preço de 50Bs (R$14) para nós três.

Fomos na Migración para tirar o "permiso" de 90 dias na Bolívia

Fomos na Migración para tirar o "permiso" de 90 dias na Bolívia

Lá começamos a ter contato com as pessoas hablando Castellano e a conhecer as cidades bolivianas. A falta de estrutura nos impressionou. Falta saneamento básico, muitas cidades sem luz e sem água e a higiene da galera é quase inexistente, principalmente nas cidades e vilas que ficam no trecho de estrada de terra.

Feira de frutas em San Matias

Feira de frutas em San Matias

A comida típica da Bolívia é com uma sopa de entrada e um segundo prato. O mais comum é o tal do pollo con arroz y papas, que é frango na brasa ou frito, com arroz, macarrão e batata frita.

De San Matias começamos a jornada de 500km de estrada de chão. Passamos por Las Petas, Ascención e nos indicaram seguir para a vila de Tuná ao invés de fazer o caminho que tínhamos planejado, passando por San Bartolo e San Inácio.

Estrada de terra na fronteira com a Bolívia

Estrada de terra na fronteira com a Bolívia

Em Ascención conhecemos uma família maravilhosa. Dona Nancy, seu marido Hugo, sua filha Cláudia e a sobrinha Sílvia. Nancy nos contou uma triste história, de seu filho que há mais de 10 anos saiu para o Brasil e nunca mais teve notícias, nem sabe se está vivo ou morto. Quando foi se despedir de nós chorou por lembrar do filho e nos emocionamos com seu sentimento.

Caseh descansando na varanda em Ascención

Caseh descansando na varanda em Ascención

Pedalamos todos esses dias com o sol batendo os 40º fácil e a estrada de chão estava em péssimas condições por conta das chuvas. Quando chegamos a Tuná, estávamos destruídos de cansaço e nossas bikes bem acabadas por conta da lama que pegamos nos empoçados e dos areiões do caminho. E o trecho não tinha nenhuma estrutura em caso de algum problema conosco ou com as bicicletas.

Resolvemos então passar o dia 7 de Janeiro em Tuná para comemorar o aniversário do Tiago e ver se conseguíamos uma carona até San José de Chiquitos, onde começava o asfalto.

A decisão de ficar um dia na vila foi a mais acertada. Ficamos acampados na varanda de um mercadinho muito simples e a família dona do local nos acolheu muito bem. Quando ficaram sabendo que era cumpleaño do Tiago, mataram dois patos e fizeram um almoço pra comemorar. Depois começou a diversão: jogamos bola com as crianças, e de tarde fomos com a gurizada na represa pra tomar banho e pescar… jacaré! Não conseguimos pegar nenhum, mas foi quaaaaase.

Roberto nos levou para conhecer a represa que abastece a província e o que encontramos foi uma represa praticamente vazia, dizendo ele que a seca esta muito intensa e estão precisando ir na cidade vizinha para buscar água. Essa é uma realidade de toda região.

No dia seguinte conseguimos carona com um caminhão que transportava madeira para Santa Cruz. Foi uma economia de 240Km de estrada de chão, até ele nos deixar em San Jose de Chiquitos. A carona com vista panorâmica nos mostrou que a vegetação na região é muito preservada, apesar do grande número de madeireias existentes na cidade de San Rafael. O problema foi que essa carona custou furos em dois alforges, um do Caseh e um do Kico.

De carona no caminhão madeireiro

De carona no caminhão madeireiro

Voltamos a pedalar no asfalto cerca de 280Km, com direito a 40Km de terra no meio do caminho entre Quimome e El Tinto. A estrada está em ótimas condições até chegar a Pailon. De lá até Santa Cruz acaba o acostamento e o asfalto está meio detonado.

Primeiros quilômetros de asfalto na Bolívia, depois de San José de Chiquitos

Primeiros quilômetros de asfalto na Bolívia, depois de San José de Chiquitos

Acampamos nas vilas El Tinto e Tres Cruces. A primeira cidade com alguma estrutura foi Pailon. Lá ficamos na casa do Tonico, um cara que nos encontrou na estrada dois dias antes e nos disse para procurarmos ele por lá. O cara é tão fã do Brasil que, acreditem, colocou o nome do seu filho de Tonyko Tynoko.

Ele nos recebeu muito bem, nos deu um jantar e um cafezinho brasileiro. No dia seguinte sua esposa anunciou nossa presença em sua rádio e pediu para que as pessoas viessem nos ajudar com algum trocado. A rádio do cara são megafones instalados na antena da sua casa e um microfone em seu quarto, de onde ele passa informações de utilidade pública.

Galerinha boliviana em Pailón

Galerinha boliviana em Pailón

Tonico e seu filho Tonyko Tynoko

Tonico e seu filho Tonyko Tynoko

Foi só ele anunciar e começaram a aparecer pessoas para nos ver, tirar fotos e nos dar una plata. Todo mundo que nos ajudou levou de recordação uma foto da viagem, que imprimimos para vender e auxiliar com os custos. E quando fomos partir de Pailon, uma mulher nos chamou em um ponto de mototaxi e disse que também iria nos ajudar. Pegou um boné e rodou entre os mototaxistas e cada um colocou sua colaboração.

Comendo uma sopa duvidosa

Comendo uma sopa duvidosa

Mototaxistas de Pailón

Mototaxistas de Pailón

Os trabalhadores por aqui mascam folha de coca o dia inteiro. Dizem tirar o sono e o apetite. Eles ficam acumulando uma bola em um lado da boca e cuspindo a saliva.

Trabalhador boleando folhas de coca

Trabalhador boleando folhas de coca

Partimos para chegar a Santa Cruz de la Sierra. Logo depois de Pailon, passamos por uma ponte enorme, bem ao lado do trilho do famoso Trem da Morte. Dia um pouco sem sorte para o pneu do Tiago que furou três vezes em menos de 5Km e acabamos atrasando a chegada. A surpresa veio em Cotoca, cidade que fica há 17Km de Santa Cruz.

Paramos para comprar uns pães de milho com queijo que estavam deliciosos e quando fomos seguir, uma mulher parou sua moto do nosso lado e perguntou: “Tão fazendo o quê com a bandeira do meu país?”. Ela se chama Marina e é uma baiana arretada que nos convidou para tomar um cafezinho em sua casa. Conversamos muito com ela e seu marido boliviano e eles nos convidaram para passar a noite acampados lá. De quebra ela nos preparou um maravilhoso jantar com arroz e feijão.

Marina, baiana arretada de Cotoca

Marina, baiana arretada de Cotoca

No dia seguinte nos despedimos da família que nos fez sentir um pouco no Brasil e seguimos embaixo de uma chuva fina para chegar a Santa Cruz de la Sierra. Estamos hospedados em um alojamento muito simples, mas na bagatela de 40Bs (R$10) por dia.

Vamos ficar aqui alguns dias para conhecer um pouco da cidade e tentar vender umas fotos para levantar um capital. Daqui seguiremos rumo ao nosso próximo desafio que será enfrentar a altitude e o frio dos Andes.

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Últimos quilômetros de Brasil (Cuiabá à fronteira com a Bolívia)

Últimos quilômetros de Brasil (Cuiabá à fronteira com a Bolívia)
Pedalando pelos últimos quilômetros de Brasil

Pedalando pelos últimos quilômetros de Brasil

Pedalar perto fronteira é um clima diferente, sempre apreensivo pois são muitos os casos de assalto e a polícia fica em cima, afinal, estamos numa das maiores rotas do tráfico do país. Apesar desse clima pesado, fomos sempre muito recebidos nos lugares por onde passamos, inclusive passamos o Natal e Reveillon foi na região.

Novos integrantes do GEFRON, guarda de fronteira

Novos integrantes do GEFRON, guarda de fronteira

Cuiabá foi vida boa, fomos recebidos pela tia do Tiago, Marisa Batalha. Ela conseguiu um hotel para ficarmos com ar condicionado e internet liberada, um luxo. Demos entrevista para TV Globo, dois programas na rádio Cidade e para o jornal Folha do Estado. A capital do Mato Grosso é bem bacana, mas pedalar por lá foi uma missão difícil, pois o povo acelera os carros e o calor é forte. Aproveitamos a boa estrutura de comércio da cidade para comprarmos algumas peças para bike e outros utensílios, já que até Santa Cruz, na Bolívia, as cidades são muito pequenas.

Entrevista no programa Caximbocó na Rádio Cidade

Entrevista no programa Caximbocó na Rádio Cidade

Entrevista para a TV Centro América

Entrevista para a TV Centro América

A entrevista para a TV Centro América, afiliada da Rede Globo, foi junto com outro cicloturista que também estava de passagem por Cuiabá, o paulista André que está percorrendo os 5 biomas brasileiros. Um dos fundadores da ONG CicloBR, ele é um cicloativista e está sempre presente nos movimentos pró bike. É sempre muito bom fazer amigos cicloturistas e para acompanhar a viagem dele é só acessar o site www.bicicreteiro.org .

Despedida com o André "Bicicreteiro" e a galera da Tribo Adventure

Despedida com o André "Bicicreteiro" e a galera da Tribo Adventure

Inicialmente iríamos fazer a Transpantaneira, mas como já ficamos muito tempo no Brasil e a ansiedade de seguir é grande, partimos então sentido a Bolívia, passando por Cárceres, última cidade do Brasil. Antes de partimos de Cuiabá encontramos com o André para uma despedida na loja de bike Tribo Adventure, onde rolou um um café da manhã com a galera. Tiramos umas fotos, trocamos algumas idéias, nos despedimos e seguimos viagem.

Era véspera de Natal e o calor forte demais! Pedalamos cerca 60km e paramos em um restaurante de beira de estrada. Pedimos para o dono colocar o Lambrusco Italiano que a tia do Tiago nos deu de presente para gelar, compramos umas linguiças e preparamos nossa ceia de Natal: Arroz com Macarrão, um luxo! Esse foi com certeza o Natal mais raíz de nossas vidas, simples, mas feliz. Oramos um Pai Nosso e mandamos muita energias positivas para nossas famílias e amigos.

Natal na estrada

Natal na estrada

Na estrada pra Cárceres a vegetação é bem preservada, a região não parece ser muito favorável para agricultura. A maior parte das fazendas da região cria gado. Fizemos uma parada na Vila Sadia, antiga fazenda da empresa de mesmo nome. O Governo comprou o local e fez um assentamento de famílias. No restaurante Fogão a Lenha ganhamos um almoço do dono, Paulo, que junto com sua família nos tratou muito bem. Lá conhecemos Sr. João e seus filhos Rafael e Quinho, que nos convidaram para passar a noite em seu sítio, no pé da Serra do Mangaval, onde passamos a noite.

Serra do Mangaval

Serra do Mangaval

O lugar é muito lindo. Fica no meio da Serra e Rafael nos preparou um belo jantar e nos contou algumas histórias. Ele tem uma filha de 7 meses que está sendo sua maior força na luta contra o crack, droga que ele ja foi viciado. Ele nos contou da dificuldade que é se livrar desse vício e que ter se mudado de Cárceres para o campo o ajudou muito também. “Aqui na roça não temos muito luxo, mas nossa vida é muito farta, aqui temos água pura da serra, galinha, porco, horta, frutas, só compramos o arroz”, contou ele. Ficamos muito felizes de ver o Rafael vivendo sua Nova Origem, longe das drogas.

Com a família do Rafael

Com a família do Rafael

Subimos a Serra do Mangaval, que por sinal é muito bonita e chegamos em Cáceres. Fomos na Polícia Federal confirmar qual era a burrocracia para sair do país. Nos informaram que nos países do mercosul é só apresentar o documento de identidade que pode entrar. Eles nos indicaram a Polícia Ambiental para tentarmos conseguir abrigo. Chegamos lá e fomos vetados, fomos então procurar o batalhão dos bombeiros. Paramos para tirar uma foto no trânsito de uma placa com os dizeres: “No trânsito a prioridade é das bicicletas” e nessa hora um ciclista veio conversar conosco, o Carlos. Ele falou que era mais esquema ficarmos no Batalhão do Exército e nos levou até lá. Conversamos com o comandante e deu tudo certo, nos arrumaram um quarto no hotel de trânsito, com ventilador, banheiro, refeitório… show de bola! Carlos nos levou para almoçarmos na casa de seu tio que também é ciclista. Ele não estava em casa mas seu vizinho Kener estava e nos serviu um belo rango. A galera é muito gente boa, nos levaram no balneário Piraputanga, onde tem uma cachoeira muito massa. Foi uma recepção em tanto.

Placa em Cáceres: Bicicletas tem prioridade sobre os veículos

Placa em Cáceres: Bicicletas tem prioridade sobre os veículos

Kico no Balneário Piraputanga

Kico no Balneário Piraputanga

Carlos, Henrique e Kener, amigos de Cáceres

Carlos, Henrique e Kener, amigos de Cáceres

Cáceres já foi considerada a cidade das bicicletas. Com ciclovia na maioria das ruas e terreno plano, as bikes são ideais como meio de transporte por lá. Só que de alguns anos para cá as motocicletas invadiram a cidade e ocuparam o lugar das bicicletas, uma pena.

A cidade fica na beira do Rio Paraguai, no Pantanal Matogrossense. O Rio parece ter muita vida, vimos Tuiuius voando, ariranhas e jacarés nadando e vários outros tipos de aves. Uma praia na beira do rio faz a alegria da galera.

Barcos no Rio Paraguai

Barcos no Rio Paraguai

Já era quase fim de ano e depois de uma indecisão de onde passaríamos nosso Reveillon, decidimos ficar por ali mesmo, já que o pessoal do Exército liberou de ficarmos alojados até o dia 2 de Janeiro.

Igreja de Cáceres iluminada para o fim do ano

Igreja de Cáceres iluminada para o fim do ano

Na virada do ano fizemos uma ceia caprichada no Hotel e fomos para a Praça da cidade. Na hora da virada, todo mundo na praça estava meio apático, ninguém se pronunciava e o relógio já estava virando para meia noite. Como ninguém fez nada, fizemos a nossa contagem regressiva, empolgados com o encerramento do ano de 2010, tão importante em nossa história.

Feliz 2011 e partiu Nova Origem!

Feliz 2011 e partiu Nova Origem!

Agora temos um 2011 inteiro pela frente, com o sentimento de estar realmente longe da família, amigos e do conforto de nossas casa. Nossa história que vai ser ainda mais diferente daqui para frente já que logo depois de Cáceres começaremos nossa jornada internacional. Que venha a Bolívia!

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Cicloturismo na Chapada dos Guimarães

Cicloturismo na Chapada dos Guimarães
Mirante do Alto do Céu

Mirante do Alto do Céu

Ver todos os álbuns de fotos da Chapada dos Guimarães

A Chapada dos Guimarães é famosa pelos seus imensos paredões de arenito vermelho, moldados pelo tempo. Nos dias que passamos por lá, conhecemos algumas cachoeiras, os mirantes mais alucinantes que já vimos na vida e fizemos um cicloturismo pelo Vale do Rio Claro, que fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

O caminho até a chapada foi cercado de plantações, cenário comum durante nossas pedaladas pelo Mato Grosso. O primeiro atrativo, o balneário da Martinha, preserva um filete de mata ciliar no meio de uma interminável área desmatada. Fica às margens da rodovia que liga Campo Verde à Chapada. Chegamos na véspera do feriado de 15 de novembro e o balneário estava lotado de gente. A galera acampada e fazendo churrasco. Paramos para dar um mergulho e nos refrescar, mas no primeiro tchibum já começou um temporal e corremos para nos abrigar em um restaurante na beira da rodovia. Fomos tão mal atendidos na hora de tentar almoçar nesse restaurante, que acabamos desistindo de gastar nosso precioso dinheiro ali. Por fim, um povo bacana nos convidou para almoçar com eles!

Bem-vindo a Chapada dos Guimarães

Bem-vindo a Chapada dos Guimarães

Faltava ainda uns 40Km para chegar na cidade e como a chuva não parou, decidimos seguir assim que ficou mais amena. No caminho, mais plantações… cadê o Cerrado? Pouco antes de chegar na cidade, paramos no Mirante do Centro Geodésico onde vimos os primeiros paredões vermelhos, um visual bem bacana da planície pantaneira e da cidade de Cuiabá. Terminamos de chegar na cidade, que também chama-se Chapada dos Guimarães, pedalando por uma boa ciclovia que segue desde o mirante. Encontramos um casal de motoqueiros viajantes que conhecemos na estrada e tomamos um refri com eles.

Caseh arrumando a placa

Caseh arrumando a placa

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Seguimos para encontrar com o Tadeu, amigo da família do Caseh, que nos hospedou em sua casa e viramos grandes amigos dele e de seus filhos Monarco, Pedro e Delano.

A família é fanática por MPB. Tadeu nos mostrou sua coleção de músicas e vídeos. No dia seguinte da nossa chegada foi aniversário de seu filho Monarco, que é músico e já ganhou vários festivais pelo Brasil. Comemoramos com uma “moage” em sua casa, tomando uma cachaça mineira e ouvindo um show do aniversariante.

Nos dias que chegamos, o tempo na Chapada não estava muito bom. Muita chuva e neblina, então ficamos 2 dias em casa organizando fotos, videos e os posts pro site. Esse negócio dá trampo e gasta uma grana, mas tá massa de fazer. Apesar de ainda não termos conseguido o patrocínio, o retorno das pessoas é muito gratificante e não tem preço.

Quando o tempo melhorou, fomos conhecer os atrativos naturais que ficam próximos à cidade. Conhecemos a Cachoeira dos Marimbondos e do Jamacá. Pedalamos pela Trilha do Matão, que é um pedal maneiríssimo no meio da mata fechada, que leva até o CINDACTA (controle aéreo) e chega no Mirante do Alto do Céu, que é o mirante mais próximo de Cuiabá, com vista para o ninho da águia e tem o pôr-do-sol mais maneiro que já vimos na vida.

Vale do Jamacá

Vale do Jamacá

Trilha do Matão

Trilha do Matão

Arara Vermelha no Morro dos Ventos

Arara Vermelha no Morro dos Ventos

Cachoeira do Marimbondo

Cachoeira do Marimbondo

Aliás, o que mais nos impressionou na Chapada foram os mirantes. Por ser um degrau entre o Planalto Central e a Planície Pantaneira, com um desnível de cerca de 600m, a Chapada dos Guimarães tem mirantes lindissimos que dá para ver muito longe mesmo. Nós conhecemos o mirante do Centro Geodésico, a Ponta do Campestre, o Morro dos Ventos e o Alto do Céu.

Belíssimo pôr-do-sol no Mirante do Alto do Céu

Belíssimo pôr-do-sol no Mirante do Alto do Céu

Mirante Alto do Céu

Mirante Alto do Céu

Flauta no Mirante do Centro Geodésico

Flauta no Mirante do Centro Geodésico

A cidade Chapada dos Guimarães

A cidade é muito tranquila e recebe turistas do mundo inteiro, mas a galera que freqüenta mais o local são os cuiabanos, já que a capital do MT está a apenas 65km de lá. A cidade está se estruturando para receber os turistas para a Copa de 2014, pois Cuiabá será uma das sedes e, por isso, vários atrativos como o famoso balneário da Salgadeira, estão fechados para reforma. A estrada que liga a capital até a Chapada já está sendo duplicada e está para ser aprovado um projeto de construção de um teleférico ligando as duas cidades.

Igreja de Chapada dos Guimarães

Igreja de Chapada dos Guimarães

Praça Dom Wunibaldo, no centro da cidade

Praça Dom Wunibaldo, no centro da cidade

A galera que freqüenta a Chapada tem um bom poder aquisitivo, e isso faz com que os preços do local fiquem um pouco salgados.

A estrada que liga Cuiabá até Chapada dos Guimarães é maravilhosa! Com certeza uma das mais bonitas do Brasil e do mundo, beirando os imensos paredões vermelhos e recomendamos o cicloturismo por lá.

Estrada que liga a Chapada dos Guimarães a Cuiabá

Estrada que liga a Chapada dos Guimarães a Cuiabá

Cicloturismo no Vale do Rio Claro – Parque Nacional da Chapada dos Guimarães

Vista do Vale do Rio Claro

Vista do Vale do Rio Claro

Nós também queríamos conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, mas lá só é permitido o acesso com guia, então fomos na agência Ecoturismo, e o Lui nos mostrou basicamente duas trilhas no parque: a das cachoeiras, passando pelo morro do São Geronimo; e o Vale do Rio Claro, com vista para os paredões e que dava para ir de bike. Decidimos pela segunda opção, depois de chorar bastante no preço do guia.

Amorésio, nosso guia

Amorésio, nosso guia

Encontramos bem cedo com o Amorésio, nosso guia nativo da Chapada e seguimos de bike para o Vale que fica na estrada para Cuiabá. O caminho passa pelas formações do Vale dos Dinossauros e o Portão do Inferno e nos emocionamos pedalando do lado daquelas imensas pedras vermelhas.

No Vale do Rio Claro está a nascente do rio, cercado por imensas formações rochosas que têm as mais diversas formas. O arenito vermelho é poroso, e além de absorver a água da chuva abastecendo os lençóis freáticos, é facilmente moldado por ações naturais, como chuva e vento. Pedalamos pelo Cerrado fechado e beirando os paredões até a cabeceira do Rio Claro, onde paramos para nos banhar na água cristalina.

Mergulho na cabeceira do Rio Claro

Mergulho na cabeceira do Rio Claro

Durante o pedal paramos na Crista do Galo, uma formação rochosa que, lá de cima, dá para se ter uma noção da dimensão e da enormidade desses paredões. Um visual que não iremos esquecer nunca. Fomos também até a ponta do Rio Claro, onde tem inscrições rupestres de comunidades indígenas que viveram na região milhares de anos atrás. É uma pena que a galera não respeita muito e tam várias pichações em volta do sítio arqueológico.

Cruzando o rio

Cruzando o rio

Vista da Crista do Galo

Vista da Crista do Galo

Impressionante o vermelho dos paredões

Impressionante o vermelho dos paredões

Uma corrente arrebentada no caminho

Uma corrente arrebentada no caminho

Pedal na mata fechada

Pedal na mata fechada

Caseh aos pés da Chapada

Caseh aos pés da Chapada

Partindo da Chapada

Estrada para Cuiabá

Estrada para Cuiabá

No dia de partir para Cuiabá, aproveitamos as atrações do caminho e paramos para conhecer a cachoeira mais famosa da Chapada, o Véu da Noiva. Fica a 500m da estrada e só é permitido vê-la por um mirante. O acesso até o poço da base foi fechado pois ocorreu um acidente no local que custou a vida de um turista.

Paramos também para conhecer o Vale dos Dinossauros. Fizemos uma trilha a pé de cerca de 3Km para ver as rochas tem realmente a forma dos gigantes pré-históricos. É uma caminhada que vale a pena fazer.

No Vale dos Dinossauros

No Vale dos Dinossauros

Cachoeira Véu da Noiva

Cachoeira Véu da Noiva

A estrada para Cuiabá é só descida. Seguramos nos freios para poder filmar e fotografar o visual que é alucinante. Cada curva guarda uma paisagem que faz dessa estrada a mais bela que já passamos.

Cuiabá, a capital do Pantanal

Cuiabá, a capital do Pantanal

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¡Hola hermanos! ¡Estamos en Bolivia!

¡Hola hermanos! ¡Estamos en Bolivia!

É isso aí pessoal, pela primeira vez escrevemos de território internacional. A primeira fronteira entre países foi quebrada e estamos desde o dia 03 de Janeiro em território Boliviano.

Passamos por um trecho muito sem estrutura, onde as cidades e vilas não tinham saneamento, onde falta água e luz, quiçá internet. Foram 500Km de estrada de terra desde a fronteira com o Brasil até o asfalto e neste momento estamos em Pailon, a primeira cidade com alguma estrutura e com internet (movida a manivela) e ainda não tem como enviarmos fotos e vídeos.

Amanhã estaremos em Santa Cruz de la Sierra, cidade grande, onde ficaremos uns dias para colocar nossas coisas em dia e escrever aqui o que se passou nesses dias.

Abraços da Bolívia!

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Atravessando o deserto verde (Barra do Garças-MT a Chapada dos Guimarães-MT)

Atravessando o deserto verde (Barra do Garças-MT a Chapada dos Guimarães-MT)

Início: 08/11/2010 Término: 14/11/2010 (7 dias pedalados)
Total: 460Km Média: 66Km/dia
Geral: 2839Km
Cidades: 06 (Barra do Garças-MT, General Carneiro-MT, Vila Paredão-MT, Primavera do Leste-MT, Campo Verde-MT e Chapada dos Guimarães-MT)

O deserto verde

O deserto verde


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Acordamos no porto do Baé e arrumamos nossas coisas para partir de Barra do Garças e começar o cicloturismo pelo estado do Mato Grosso. Enquanto desmontávamos acampamento, vimos dois botos subindo o rio. Sinal de que o dia ia ser bom! Quando já estávamos prontos para começar a pedalar, aparece o Ebinho Souza, o cicloturista de Juiz de Fora que conhecemos bem ali no encontro dos rios. Ele fez um almoço ali mesmo para comemorarmos este encontro e trocamos altas idéias. Ele iria fazer o mesmo caminho que nós, mas não partiria de Barra naquele dia. Ele nos disse antes de sairmos: “Não sou da globo, mas a gente se vê por aí”.

Ebinho Souza no Porto do Baé em Barra do Garças-MT

Ebinho Souza no Porto do Baé em Barra do Garças-MT

Saímos de Barra com o tempo cinzento, meio chuvoso, feio de ver, mas muito bom para nós, pois ameniza o calor infernal da região e nos desgasta menos durante as pedaladas. No primeiro dia fomos até um restaurante de beira de estrada chamado Galinha Caipira, onde pernoitamos. Na hora de fazer nosso rango, vimos que perdemos um parafuso do nosso fogareiro e ele não funcionava. Tentamos fazer uma fogueira em uma churrasqueira, mas só conseguimos fumaça! Por fim, o que nos salvou foi um querosene que estávamos carregando para limpar as bicicletas. Fizemos um fogo numa latinha e terminamos de preparar nossa gororoba.

Nosso acampamento no bar Frango Caipira

Nosso acampamento no bar Frango Caipira

Começamos a pedalar cedo e logo chegamos a General Carneiro, onde almoçamos e repomos nossa dispensa. Encontramos lá um casal de cicloturistas baianos que estavam indo no sentido contrário ao nosso e disseram estar vindo de Rondônia somente por estradas de terra. Haja disposição! Seguimos viagem até o Bar do Xerim, um restaurante bem simples na BR-070. Pouco tempo depois que chegamos, aparece o Ebinho pedalando. Fizemos um jantar caprichado e acampamos na varanda do bar.

Pedalar pela BR-070 no estado de Mato Grosso foi uma aventura perigosa. A estrada não tem acostamento e é pista de mão dupla. Quase não se vê carro de passeio transitando pela rodovia, que é dominada por caminhões e carretas bitrem. Como a estrada é muito plana, esses veículos monstruosos passam a milhão. A maioria deles nos respeita e nos ultrapassam de longe, buzinando para nos cumprimentar, mas em outros momentos temos que sair do asfalto. Ficamos sempre ligados no retrovisor, que nunca foi tão útil quanto nesse trecho. Tiago deu sorte, pois colocou um retrovisor de moto na bike em Barra do Garças.

Caminhões e carretas da BR070

Caminhões e carretas da BR070

A estrada plana e o tempo nublado ajudou na pedalada até a Vila Paredão, distrito de General Carneiro, acompanhados pelo Ebinho. O visual deste trecho foi muito top! Vários paredões e chapadas de arenito vermelho encheram nossos olhos e nos deram um gostinho do que nos esperava na Chapada dos Guimarães. Acampamos na varanda da casa de orações da igreja local e, mais uma vez, fizemos um rango especial com direito a feijão com linguiça e angu a baiana.

Arroz, feijão com linguiça e angu a baiana

Arroz, feijão com linguiça e angu a baiana

Fazendo o rango na Vila Paredão-MT

Fazendo o rango na Vila Paredão-MT

Ebinho nos contou muito de sua história nesses 15 anos de estrada e foi muito massa trocar idéia com um cara de Juiz de Fora, falar da Tribuna de Minas, Parque Halfeld e outras histórias de Juiz de Fora. Aprendemos muito sobre a vida na estrada escutando suas experiências de cicloturista. Pedalar com o Eber e ver toda sua disposiçao aos 59 anos de idade, nos inspirou e deu forças para seguirmos nossa Nova Origem.

Depois da Vila Paredão, passamos pela reserva dos índios Xavantes. Foram 40Km de estrada, onde do lado direito – a reserva indígena – era puro Cerrado preservadíssimo e, do lado esquerdo – fazendas – grandes lavouras e monoculturas. Estávamos apreensivos durante este trecho, pois fomos alertados de que os índios faziam barreira na estrada, mas não tivemos problema algum. Durante o trecho vimos apenas um índio, mas ao invés de arco e flecha, ele carregava uma espingarda!

.. distoa das infinitas monoculturas

.. distoa das infinitas monoculturas

Tribo Xavante no meio do cerrado preservado ..

Tribo Xavante no meio do cerrado preservado ..

No dia seguinte, antes de partirmos do Posto Companheiro, onde passamos a noite, tivemos a oportunidade de conversar com um índio Xavante que tinha chegado de carro ali e ficou curioso com nossas bicicletas. O índio nos contou histórias emocionantes de como sua tribo fica restrita àquele espaço de terra da reserva. Ele nos disse: “Os Xavantes são índios guerreiros. Nós queremos respeito do branco. Somos todos seres humanos e queremos respeito!”. Ele terminou nos contando o caso do seu primo que tinha morrido há pouco mais de um mês, atropelado por um caminhão, quando voltava de bicicleta de uma pescaria. Os Xavantes fecharam a rodovia por dois dias para tentar encontrar o caminhoneiro responsável, mas sabe como é né… missão impossível. Ele nos disse também que a reserva tem cerca de 15 mil índios, espalhados por 42 aldeias. Eles falam o dialeto próprio dos Xavantes. As crianças frequentam uma escola estadual na aldeia de Sangradouro, até completarem o ensino fundamental e depois vão terminar os estudos na cidade. Ele disse que não recebem ajuda financeira do governo e que vivem da caça de anta, tatu, veado campeiro entre outros animais do Cerrado. Vendo a reserva de uma colina, podemos concluir que pelo menos preservar a mata eles sabem fazer melhor do que os brancos que destroem a mata nativa para “produzir alimento”.

E uma arara para alegrar o pedal

E uma arara para alegrar o pedal

Emas procuram seu espaço no meio da lavoura

Emas procuram seu espaço no meio da lavoura

Os 40Km até Primavera do Leste foram tranquilos, mas a paisagem nos assustou. Lavouras a perder de vista transformaram o horizonte em um verde monótono, que mais parece um deserto sem vida, muito diferente do verde que vemos em florestas e matas preservadas. É muita terra mesmo, na mão de pouca gente que enriquece com ajuda do governo e dos trabalhadores rurais. A cidade de Primavera do Leste é voltada para o agronegócio. Tudo é mais caro e passamos somente uma noite lá, hospedados no Batalhão dos Bombeiros. Aqui no Mato Grosso temos que agradecer muito à essa corporação que tanto tem nos ajudado.

Em Primavera do Leste nos desencontramos do Ebinho, que a essas horas continua seguinho seu caminho “… a gente se vê por aí!”. Na partida da cidade fizemos uma matéria para a TV Primavera, afiliada da Record e seguimos para Campo Verde. A estrada até a cidade não mudou em nada o monótono visual de lavouras infinitas e, nesse dia, batemos nosso recorde de quilometragem. Pedalamos 105Km sempre com o mesmo deserto verde das fazendas, que nos gerou muitas reflexões, sobre quem tem a posse dessas terras e qual a real finalidade do seu uso. Refletimos muito também sobre o nosso consumo e como isso interfere no mundo. O mais triste é pensar que ali um dia foi Cerrado preservado, cheio de vida.

Infinitas lavouras, pouca vida, o deserto verde<br />

Infinitas lavouras, pouca vida, o deserto verde

Para reforçar a idéia de que essas monoculturas extensivas não são positivas, em Campo Verde trocamos idéia com o pessoal da Pizzaria Massapê, que nos recebeu muito bem por lá. Eles nos contaram que a cidade é a primeira no Brasil em produção de algodão, soja, ovos e também é campeã em casos de câncer. Com 30 mil habitantes, Campo Verde registra uma morte a cada 40 dias por conta da doença que é causada pela contaminação da água e do ar por agrotóxicos das lavouras. Passamos em frente ao aeroporto da cidade, bombado de monomotores equipados com pulverizadores para borrifar agrotóxico nas lavouras. Como de costume no Mato Grosso, passamos a noite no Batalhão dos Bombeiros e o Cabo Dias, que nos contou várias histórias, nos disse que tem dias na cidade em que você sente gosto ruim na boca do agrotóxico que é trazido pelo vento.

Valeu bombeiros do Mato Grosso!

Valeu bombeiros do Mato Grosso!

Borrifador de câncer

Borrifador de câncer

Bom, pelo menos estávamos próximos da Chapada dos Guimarães, a segunda Chapada de nossa rota (leia os posts da Chapada dos Veadeiros). Saímos de Campo Verde animados para pedalar os 70Km que nos separavam desse paraíso preservado no meio dessas monoculturas que já estavam nos incomodando. Outra coisa boa é que a estrada de Campo Verde até a Chapada é bem tranquila, com um acostamento curto, mas seguro e sem caminhões. É proibido o tráfego de caminhões com mais de três eixos por ali.

Pedalamos os 30Km iniciais ainda cercados por grandes pastos e plantações e só encontramos uma faixa de Cerrado preservado no Balneário da Martinha, ponto de entrada da Chapada dos Guimarães. O local tava bombado de gente! Mas também chegamos bem no domingo, 14 de novembro, véspera de feriado. Paramos para dar um mergulho e nos refrescar, mas foi o tempo de molhar a cabeça e fomos pegos por uma chuva pesada! Corremos com as bikes para o restaurante do outro lado da rodovia e ficamos lá esperando o tempo melhorar e trocando idéia com o pessoal que também correu pra lá para se proteger da chuva.

Chapada chegando e cadê o Cerrado?

Chapada chegando e cadê o Cerrado?

Chegando embaixo de chuva

Chegando embaixo de chuva

Quando decidimos seguir viagem, ainda chovia um pouco e ventava frio. Vestimos nossas roupas de chuva pela primeira vez durante uma pedalada e seguimos para terminar os 40Km finais. Triste chegar na Chapada embaixo de chuva, com tempo cinza e visual limitado. Ainda paramos no Mirante do Geodésico, que fica há 8Km da cidade. No alto do mirante venta muito, a vista de lá é show e dá até para ver a cidade de Cuiabá, situada há 65Km da Chapada. Do mirante até a cidade tem uma faixa compartilhada para pedestres e bicicletas e pedalamos por ela despreocupadamente até chegarmos, enfim, à Chapada dos Guimarães!

Mirante do Centro Geodésico

Mirante do Centro Geodésico

Arrumando a placa

Arrumando a placa

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Vista do mirante

Vista do mirante

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Vale do Araguaia – Aragarças e Barra do Garças

Mirante do rio Araguaia

Mirante do rio Araguaia

Chegamos no vale do Araguaia no pôr do sol e avistamos de longe, nos pés da bela Serra do Roncador as cidades de Aragarças e Barra do Garças. Depois de 100km pedalados, a única coisa que pensavamos era em chegar no famoso rio Araguaia.

Fomos procurar abrigo no batalhão da polícia de Aragarças, mas lá não havia espaço para nós e por coincidencia encontramos com um repórter da TV Centro-Oeste, que fez ali mesmo uma entrevista conosco que acabou rendendo frutos nos dias que se seguiram, pois fomos reconhecidos por muitos nas ruas!

O rio Araguaia faz a divisa entre os estados de Goiás e Mato Grosso. A ponte que atravessa o rio está fechada para caminhões, que só podem passar de 0hrs até às 6hrs da manhã, mas bicicleta tem trânsito livre e nós chegamos em Barra do Garças no início da noite, eufóricos por cruzarmos mais uma fronteira de estado. Fomos direto para o quartel dos Bombeiros que nos permitiu passar algumas noites lá.

Centro de Barra do Garças

Centro de Barra do Garças

Nossos anfitriões

Nossos anfitriões

Fomos pela primeira vez numa praia de água doce, nas margens do Araguaia. O encontro dos rios Garças e Araguaia formam um mar de água barrenta. Faz muito calor por aqui e só dentro d`agua para fugir da nuvem de mosquitos que fica na beira do rio e se sentir mais confortável.

Praia de rio no Araguaia

Praia de rio no Araguaia

A Serra Azul, continuação da Serra do Roncador, possui um belo mirante do Vale do Araguaia e de lá conseguimos ver as cidades de Aragarças em Goiás e Pontal do Araguaia e Barra do Garças no Mato Grosso. O encontro dos rios Garças e Araguaia fazem a divisão das três cidades e dos estados.

Tiramos um dia para conhecer o mirante do cristo, de onde dá para ver o encontro dos rios de cima. Para chegar no mirante subimos a escadaria de 1223 degraus e descemos a serra pela trilha das cachoeiras. Não contamos o número de quedas, mas tá pra lá de 10 o número de cachoeiras de água gelada e cristalina.

Sacando o visual

Sacando o visual

Vista do rio Araguaia

Vista do rio Araguaia

Foi na Serra do Roncador que o explorador inglês Percy Fawcett desapareceu e deu origem a lenda que foi retratada no filme Indiana Jones. Diz a lenda que o sujeito encontrou por la a terra perdida de “Atlantida” e por lá ficou.

As cachus de Barra do Garças

As cachus de Barra do Garças

Descendo a trilha das cachoeiras

Descendo a trilha das cachoeiras

Em Barra do Garças encontramos os primeiros índios inseridos no meio da sociedade. Estavam no posto assistindo o jogo do flamengo, no restaurante, comprando pão na padaria e a pé ou de carro pelas ruas da cidade. Existe uma rixa entre os brancos e os índios. Os brancos não concordam com a suposta “vida boa” que os irmãos de pele vermelha levam. Fomos alertados de que a tribo Xavante costuma fazer barreiras na estrada para arrecadar dinheiro e já ouve casos de saques. Ainda não tivemos a oportunidade de escutar a versão dos índios, mas estamos ansiosos por essa oportunidade.

Centro de Barra do Garças

Centro de Barra do Garças

Vista da Serra Azul

Vista da Serra Azul

Em Barra do Garças passamos um perrengue dos bons. Um dia o Tiago comeu alguma coisa avacalhada e no meio da madrugada começou a passar mal no batalhão dos Bombeiros e quando a situação ficou tensa, o bombeiro de plantão tocou a sirene e levaram o Tiago no SAMU pro pronto socorro. Nada muito grave. Tomou um litro de soro na veia com Dramin e voltou pra “casa” novo.

Nossa última noite em Barra do Garças foi no porto do Baé, nas margens do histórico rio Araguaia. Acordamos para pedalar mas o tempo estava chuvoso e enquanto esperávamos estiar, vimos um casal de botos subindo o rio.

Quando a chuva parou e já estávamos prontos para partir, aparece do nada um coroa em uma bike, toda carregada, dizendo estar a 15 anos na estrada para entrar no Guinness Book como o cara que conheceu mais cidades nas américas. Ele quer documentar a visita em 6000 cidades e já ultrapassou as 5000. Quando perguntamos onde ele nasceu, ele respondeu: “Sou de uma cidade onde só exite um juiz e 800.000 bandeirinhas”. Não tivemos dúvidas… Juiz de Fora! Eber de Souza é seu nome, 59 anos e está indo também em direção a Cuiabá. Resolvemos atrasar a partida, pois ele nos convidou para almoçar um macarrão com pequi que ele preparou em seu “microondas” e nós seguimos viagem.

Ebinho Souza, cicloturista de Juiz de Fora que encontramos no porto do Baé

Ebinho Souza, cicloturista de Juiz de Fora que encontramos no porto do Baé

Agradecemos em especial ao corpo de bombeiros de Barra do Garças que nos hospedou, ao Beto Bicicletas, ao Barra Ciclo e Secreta bike que nos ajudaram com a manutenção das bikes.

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Até mais, Goiás (Goiás Velho-GO a Barra do Garças-MT)

Trecho: Goiás Velho-GO a Barra do Garças-MT
Início: 30/10/2010 Término: 02/11/2010 – 4 dias pedalados
Quilometragem: 264Km – Média: 66Km/dia
Geral: 2379Km
Cidades: 7 (Goiás Velho-GO, Uvá-GO, Itapirapuã-GO, Jussara-GO, Ponte Alta-GO, Aragarças-GO, Barra do Garças-MT)
Metas: Cruzamos mais uma fronteira de estados e atingimos a menor altitude até então: 300m do nível do mar


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Pôr do sol na estrada

Pôr do sol na estrada

Veja o álbum de fotos do trecho Goiás Velho-GO a Barra do Garças-MT

Partimos de Goiás Velho com sensação de dever cumprido. Conhecemos um pouco daquela cidade histórica e retomamos nossas atividades de visita em escolas e plantio de mudas.

No dia 30 de outubro, arrumamos nossas bagagens, nos despedimos do Daniel e da galera e partimos. A intencão era chegar em Jussara, distante 90Km, mas como saímos tarde, pedalamos 42Km até um vilarejo chamado Uvá e decidimos passar a noite por ali.

Balneário Cachoeirinha em Uvá-GO

Balneário Cachoeirinha em Uvá-GO

Acampamos na Cachoeirinha, um balneário na beira do rio Uvá e fomos muito bem recebidos pela família que toma conta do lugar. No dia seguinte acordamos debaixo de muita chuva e resolvemos esperar por questões de segurança. Valeu a pena pois dona Luzia nos deu um almoço delicioso com uma peixada e pequi cozido. Colhemos algumas mangas e seguimos para chegar a Jussara.

Pedalando pela BR070

Pedalando pela BR070

Manga!

Manga!

Pedalada boa pela BR070, com mais descidas do que subidas e sol ainda encoberto pelas nuvens. Faltando cerca de 20Km para chegarmos na cidade, um carro branco diminui a velocidade e começa a nos acompanhar lado a lado. Dentro, dois policiais militares estavam curiosos para saber do que se tratava a nossa viagem e, para nossa felicidade, o Tenente Coronel Davi lançou: “Se não tiver problema para vocês, podem acampar no Batalhão da PM em Jussara”. Problema nenhum! Muito pelo contrário, problema resolvido! Pedalamos os últimos quilômetros tranquilos, pois já estávamos com “casa” garantida.

Ten. Cor. Davi, quem nos ajudou em Jussara-GO

Ten. Cor. Davi, quem nos ajudou em Jussara-GO

Ficar hospedado em área militar nos dá uma segurança, tanto pessoal, quanto para nosso equipamento e nossas bikes. E também é garantido que teremos banheiro limpo, com chuveiro quente e, às vezes, uma marmita, que foi o que rolou em Jussara.

Saímos com idéia de chegar até a cidade de Ponte Alta-GO, mas era cerca de 100Km até lá. Não saímos muito cedo da cidade, mas o relevo muito plano ajudou a render a pedalada. Apesar disso, nem tudo estava a nosso favor. O pneu dos três furou no mesmo dia.

O último a ter o pneu furado foi o Kico, na entrada de um condomínio de sítios e já estava ficando tarde. Eram 18h e ele ainda não tinha conseguido resolver o problema do pneu (foram 4 câmaras de ar nessa brincadeira), quando sai um carro do condomínio. Conversamos com o motorista e perguntamos sobre um lugar seguro para passarmos a noite, pois não ia ter jeito de chegar a Ponte Alta. O motorista se chama Guilherme e logo nos ofereceu para passarmos a noite no rancho da família, neste mesmo condomínio. Fomos recebidos por ele, sua esposa e filha, seus sogros e seu sobrinho Juninho Pampers, gente finíssima. Ele nos levou para conhecer o Rio Claro e a noite fomos presenteados com um churrasco e um cantinho tranquilo para pernoitar.

Juninho Pampers e seus avós

Juninho Pampers e seus avós

Rancho da família do Guilherme

Rancho da família do Guilherme

Conversamos com o sogro do Guilherme, que é pescador e vive há muitos anos na beira do rio Claro. Ele nos contou que o rio está a cada ano mais largo e raso, devido ao assoriamento provocado pelos fazendeiros que desmatam a mata ciliar. Seu filho Warley e um grupo de amigos fazem anualmente uma viagem de cerca de 4 dias de lancha, cruzando parte dos rios Claro, Caiapó e Araguaia recolhendo o lixo de suas margens. No primeiro ano foram 7 toneladas de lixo recolhidos.

Na manhã seguinte, depois de um café delicioso, nos despedimos da família e seguimos para o último dia de pedalada do trecho e também nosso último dia em Goiás. Com relevo bom, seguimos na direção do Rio Araguaia. Passando por Ponte Alta, fomos abordados pelo Fábio, que descobrimos ser amigo do Guilherme. Ele nos deu um almoço delicioso, frango caipira com pequi e trocamos altas idéias. Ficamos felizes por estarmos atraindo tanta gente com energia boa.

Fábio nos ajudou em Ponte Alta-GO

Fábio nos ajudou em Ponte Alta-GO

Frango com pequi

Frango com pequi

Uma triste realidade deste trecho foi a quantidade de tamanduás-bandeira, tamanduás-mirim e tatus que encontramos mortos nas margens da estrada. Com certeza vimos mais de 10 carcaças só de tamanduás-bandeira, que é um animal ameaçado de extinção. E para piorar, não existe nenhuma placa avisando da presença desses animais na pista.

Triste realidade. Tamanduá-bandeira atropelado

Triste realidade. Tamanduá-bandeira atropelado

Chegamos no vale do Araguaia no pôr do sol e avistamos de longe, nos pés da bela Serra Azul as cidades de Aragarças, Pontal do Araguaia e Barra do Garças. Depois de 95km pedalados, a única coisa que pensavamos era em chegar no famoso rio Araguaia. A ponte que separa os estados estava em reforma e os caminhões só podiam passar entre 0hrs e 6hrs da manhã, mas bicicleta tem trânsito livre. Ultrapassamos uma fila gigante de caminhoes e não perdemos a oportunidade de zuar os caminhoneiros, que nos reconheceram, pois nos ultrapassaram na estrada durante o dia.

Fila de caminhões esperando para atravessar a ponte do Araguaia

Fila de caminhões esperando para atravessar a ponte do Araguaia

Fomos procurar abrigo no batalhão da polícia de Aragarças, mas não havia espaço para nós e por coincidência encontramos com um reporter da TV Centro-Oeste, afiliada do SBT, que fez ali mesmo uma entrevista conosco.

Concluímos nossa jornada no estado de Goias, que muito nos cativou. Atravessamos o histórico rio Araguaia e chegamos em Barra do Garças já no estado de Mato Grosso, último estado antes de saírmos do Brasil. Procuramos o Batalhão do Corpo de Bombeiros, que nos recebeu bem e permitiu que ficássemos ali durante nossa estadia na cidade.

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Conhecendo a antiga capital do estado: Goiás Velho

Casa de Cora Coralina

Casa de Cora Coralina

Vamos começar esse texto explicando um pouco das redes de contato que estamos fazendo nessa viagem e como chegamos ao Daniel, nosso anfitrião na Cidade de Goiás.

Em Cavalcante, ficamos amigos do argentino Ramón, que nos apresentou a seu amigo holandês, o Franz, e através dele ficamos amigos de suas filhas Ana e Carol que moram em Brasília e a Ana nos colocou em contato com seu padrinho Daniel que mora na Cidade de Goiás e nos recebeu por lá. Pessoas especiais estão aparecendo nessas redes de contato que estão surgindo o tempo todo e facilitando muito nossa viagem.

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. – Cora Coralina

A cidade

Praça do coreto

Praça do coreto

A cidade de Goiás foi a primeira capital do Estado, fica nos pés da Serra Dourada e foi fundada no ano de 1727 para a exploração do ouro que havia na região. A cidade fica às margens do Rio Vermelho e recebeu esse nome pois viviam ali os índios Goyá que foram caçados para escravidão e para exploração das riquezas da região.

Goiás Velho, como também é conhecida, é uma cidade tranquila, sem muitos agitos, com um povo muito simpático e acolhedor.Cidade natal e morada da poetisa Cora Coralina, o centro histórico cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade e conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original e pedalar por suas ruas é uma viagem para o passado do nosso país.

Centro histórico tombado

Centro histórico tombado

Antigo presídio na praça do chafariz

Antigo presídio na praça do chafariz

A praça do coreto é ponto de encontro dos moradores e famosa também pelo delicioso picolé de frutas (baratinho). Com 16 igrejas e um centro histórico gigante e preservado, a cidade nos lembrou a mineira Ouro Preto.

A cidade fica no meio de um Cerrado muito preservado e para quem gosta de Ecoturismo, pode-se conhecer o Balneário do Carioca, Balneário de Santo Antonio, Balneário do Bacalhau, a Serra Dourada e a cachoeira das Andorinhas.

Balneário do Carioca

Balneário do Carioca

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas

Nosso anfitrião, Daniel, nos levou para sua casa e nos apresentou os outros moradores Dudu, Peter Pan e Martins. Figurassas, todos nos ensiram com suas histórias de vida. A história de Peter Pan foi a que mais nos chamou atenção.

O maluco é cicloturista, viajou por mais de 25 anos e percorreu mais de
50.000km pelo Brasil. Peter tem um sonho de construir uma nave espacial que leve para longe todos os terráqueos que estão destruindo nossa casa Terra. Ele é flautista de mão cheia. Aprendeu a tocar sozinho e ele mesmo produz suas flautas, bem diferentes, feitas com cano PVC. Ele fez uma para nós e o Tiago, que é nosso aspirante a flautista, já tá ficando craque.

Daniel é professor de História e nos convidou para irmos no Colégio Estadual Dr. Albion de Castro Curado. Chegando lá batemos um papo com as crianças, principalmente sobre preservação ambiental, esporte, estudos e sonhar! Peter Pan deu um show a parte com sua flauta e contou umas histórias de suas pedaladas pela BR. Aprendemos muito com a história das crianças, que na maioria das vezes tem tantas responsabilidades em casa que o único tempo que elas tem para ser criança é na escola. Dançamos, conversamos, jogamos ping-pong e no final uma surpresa: Daniel levou 4 mudas de árvore para plantarmos com as crianças, dizendo que era para todos se lembrem de nossa passagem por lá.

No meio da galera!

No meio da galera!

Bate-papo na Escola Dr. Castro Curado

Bate-papo na Escola Dr. Castro Curado

Na atividade!

Na atividade!

Tiago plantando com os alunos

Tiago plantando com os alunos

Visitamos também a Escola Estadual Lyceu de Goyaz. Chegamos sem agendar nada e o diretor da escola, muito solícito nos abriu as portas de um salão para falarmos para as 7 turmas do turno da tarde, totalizando mais de 200 alunos.

As professoras nos alertaram que algumas turmas eram muito bagunceiras, mas todos escutaram atentos e curiosos nossas histórias. Os alunos nos fizeram muitas perguntas, e no final pediram autógrafos e nos entregaram bilhetes dizendo que adoraram a conversa. Uma das professoras perguntou sobre nossas mães, pois também tem filhos e imaginou o aperto que nossas famílias estão passando. No final ela disse: “Parabéns pela história que estão fazendo, deu até vontade de comprar uma bicicleta e seguir com vocês!”

Escola Lyceu de Goyaz

Escola Lyceu de Goyaz

Alunos do Lyceu

Alunos do Lyceu

Melhor do que conhecer a Cidade de Goiás, foi fazer os amigos que conhecemos lá. Daniel, parabéns pelo trabalho e que você continue plantando sementes do bem na vida dessas crianças! E avisa pro Peter Pan que estamos esperando ele no deserto de Sonora!

Dudu, Daniel, Peter Pan, Martins, nós três e as magrelas

Dudu, Daniel, Peter Pan, Martins, nós três e as magrelas

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. – Cora Coralina

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