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A Chapada dos Guimarães é famosa pelos seus imensos paredões de arenito vermelho, moldados pelo tempo. Nos dias que passamos por lá, conhecemos algumas cachoeiras, os mirantes mais alucinantes que já vimos na vida e fizemos um cicloturismo pelo Vale do Rio Claro, que fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.
O caminho até a chapada foi cercado de plantações, cenário comum durante nossas pedaladas pelo Mato Grosso. O primeiro atrativo, o balneário da Martinha, preserva um filete de mata ciliar no meio de uma interminável área desmatada. Fica às margens da rodovia que liga Campo Verde à Chapada. Chegamos na véspera do feriado de 15 de novembro e o balneário estava lotado de gente. A galera acampada e fazendo churrasco. Paramos para dar um mergulho e nos refrescar, mas no primeiro tchibum já começou um temporal e corremos para nos abrigar em um restaurante na beira da rodovia. Fomos tão mal atendidos na hora de tentar almoçar nesse restaurante, que acabamos desistindo de gastar nosso precioso dinheiro ali. Por fim, um povo bacana nos convidou para almoçar com eles!
Faltava ainda uns 40Km para chegar na cidade e como a chuva não parou, decidimos seguir assim que ficou mais amena. No caminho, mais plantações… cadê o Cerrado? Pouco antes de chegar na cidade, paramos no Mirante do Centro Geodésico onde vimos os primeiros paredões vermelhos, um visual bem bacana da planície pantaneira e da cidade de Cuiabá. Terminamos de chegar na cidade, que também chama-se Chapada dos Guimarães, pedalando por uma boa ciclovia que segue desde o mirante. Encontramos um casal de motoqueiros viajantes que conhecemos na estrada e tomamos um refri com eles.
Seguimos para encontrar com o Tadeu, amigo da família do Caseh, que nos hospedou em sua casa e viramos grandes amigos dele e de seus filhos Monarco, Pedro e Delano.
A família é fanática por MPB. Tadeu nos mostrou sua coleção de músicas e vídeos. No dia seguinte da nossa chegada foi aniversário de seu filho Monarco, que é músico e já ganhou vários festivais pelo Brasil. Comemoramos com uma “moage” em sua casa, tomando uma cachaça mineira e ouvindo um show do aniversariante.
Nos dias que chegamos, o tempo na Chapada não estava muito bom. Muita chuva e neblina, então ficamos 2 dias em casa organizando fotos, videos e os posts pro site. Esse negócio dá trampo e gasta uma grana, mas tá massa de fazer. Apesar de ainda não termos conseguido o patrocínio, o retorno das pessoas é muito gratificante e não tem preço.
Quando o tempo melhorou, fomos conhecer os atrativos naturais que ficam próximos à cidade. Conhecemos a Cachoeira dos Marimbondos e do Jamacá. Pedalamos pela Trilha do Matão, que é um pedal maneiríssimo no meio da mata fechada, que leva até o CINDACTA (controle aéreo) e chega no Mirante do Alto do Céu, que é o mirante mais próximo de Cuiabá, com vista para o ninho da águia e tem o pôr-do-sol mais maneiro que já vimos na vida.
Aliás, o que mais nos impressionou na Chapada foram os mirantes. Por ser um degrau entre o Planalto Central e a Planície Pantaneira, com um desnível de cerca de 600m, a Chapada dos Guimarães tem mirantes lindissimos que dá para ver muito longe mesmo. Nós conhecemos o mirante do Centro Geodésico, a Ponta do Campestre, o Morro dos Ventos e o Alto do Céu.
A cidade Chapada dos Guimarães
A cidade é muito tranquila e recebe turistas do mundo inteiro, mas a galera que freqüenta mais o local são os cuiabanos, já que a capital do MT está a apenas 65km de lá. A cidade está se estruturando para receber os turistas para a Copa de 2014, pois Cuiabá será uma das sedes e, por isso, vários atrativos como o famoso balneário da Salgadeira, estão fechados para reforma. A estrada que liga a capital até a Chapada já está sendo duplicada e está para ser aprovado um projeto de construção de um teleférico ligando as duas cidades.
A galera que freqüenta a Chapada tem um bom poder aquisitivo, e isso faz com que os preços do local fiquem um pouco salgados.
A estrada que liga Cuiabá até Chapada dos Guimarães é maravilhosa! Com certeza uma das mais bonitas do Brasil e do mundo, beirando os imensos paredões vermelhos e recomendamos o cicloturismo por lá.
Cicloturismo no Vale do Rio Claro – Parque Nacional da Chapada dos Guimarães
Nós também queríamos conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, mas lá só é permitido o acesso com guia, então fomos na agência Ecoturismo, e o Lui nos mostrou basicamente duas trilhas no parque: a das cachoeiras, passando pelo morro do São Geronimo; e o Vale do Rio Claro, com vista para os paredões e que dava para ir de bike. Decidimos pela segunda opção, depois de chorar bastante no preço do guia.
Encontramos bem cedo com o Amorésio, nosso guia nativo da Chapada e seguimos de bike para o Vale que fica na estrada para Cuiabá. O caminho passa pelas formações do Vale dos Dinossauros e o Portão do Inferno e nos emocionamos pedalando do lado daquelas imensas pedras vermelhas.
No Vale do Rio Claro está a nascente do rio, cercado por imensas formações rochosas que têm as mais diversas formas. O arenito vermelho é poroso, e além de absorver a água da chuva abastecendo os lençóis freáticos, é facilmente moldado por ações naturais, como chuva e vento. Pedalamos pelo Cerrado fechado e beirando os paredões até a cabeceira do Rio Claro, onde paramos para nos banhar na água cristalina.
Durante o pedal paramos na Crista do Galo, uma formação rochosa que, lá de cima, dá para se ter uma noção da dimensão e da enormidade desses paredões. Um visual que não iremos esquecer nunca. Fomos também até a ponta do Rio Claro, onde tem inscrições rupestres de comunidades indígenas que viveram na região milhares de anos atrás. É uma pena que a galera não respeita muito e tam várias pichações em volta do sítio arqueológico.
Partindo da Chapada
No dia de partir para Cuiabá, aproveitamos as atrações do caminho e paramos para conhecer a cachoeira mais famosa da Chapada, o Véu da Noiva. Fica a 500m da estrada e só é permitido vê-la por um mirante. O acesso até o poço da base foi fechado pois ocorreu um acidente no local que custou a vida de um turista.
Paramos também para conhecer o Vale dos Dinossauros. Fizemos uma trilha a pé de cerca de 3Km para ver as rochas tem realmente a forma dos gigantes pré-históricos. É uma caminhada que vale a pena fazer.
A estrada para Cuiabá é só descida. Seguramos nos freios para poder filmar e fotografar o visual que é alucinante. Cada curva guarda uma paisagem que faz dessa estrada a mais bela que já passamos.















































































































































Últimos quilômetros de Brasil (Cuiabá à fronteira com a Bolívia)
Pedalando pelos últimos quilômetros de Brasil
Pedalar perto fronteira é um clima diferente, sempre apreensivo pois são muitos os casos de assalto e a polícia fica em cima, afinal, estamos numa das maiores rotas do tráfico do país. Apesar desse clima pesado, fomos sempre muito recebidos nos lugares por onde passamos, inclusive passamos o Natal e Reveillon foi na região.
Novos integrantes do GEFRON, guarda de fronteira
Cuiabá foi vida boa, fomos recebidos pela tia do Tiago, Marisa Batalha. Ela conseguiu um hotel para ficarmos com ar condicionado e internet liberada, um luxo. Demos entrevista para TV Globo, dois programas na rádio Cidade e para o jornal Folha do Estado. A capital do Mato Grosso é bem bacana, mas pedalar por lá foi uma missão difícil, pois o povo acelera os carros e o calor é forte. Aproveitamos a boa estrutura de comércio da cidade para comprarmos algumas peças para bike e outros utensílios, já que até Santa Cruz, na Bolívia, as cidades são muito pequenas.
Entrevista no programa Caximbocó na Rádio Cidade
Entrevista para a TV Centro América
A entrevista para a TV Centro América, afiliada da Rede Globo, foi junto com outro cicloturista que também estava de passagem por Cuiabá, o paulista André que está percorrendo os 5 biomas brasileiros. Um dos fundadores da ONG CicloBR, ele é um cicloativista e está sempre presente nos movimentos pró bike. É sempre muito bom fazer amigos cicloturistas e para acompanhar a viagem dele é só acessar o site www.bicicreteiro.org .
Despedida com o André "Bicicreteiro" e a galera da Tribo Adventure
Inicialmente iríamos fazer a Transpantaneira, mas como já ficamos muito tempo no Brasil e a ansiedade de seguir é grande, partimos então sentido a Bolívia, passando por Cárceres, última cidade do Brasil. Antes de partimos de Cuiabá encontramos com o André para uma despedida na loja de bike Tribo Adventure, onde rolou um um café da manhã com a galera. Tiramos umas fotos, trocamos algumas idéias, nos despedimos e seguimos viagem.
Era véspera de Natal e o calor forte demais! Pedalamos cerca 60km e paramos em um restaurante de beira de estrada. Pedimos para o dono colocar o Lambrusco Italiano que a tia do Tiago nos deu de presente para gelar, compramos umas linguiças e preparamos nossa ceia de Natal: Arroz com Macarrão, um luxo! Esse foi com certeza o Natal mais raíz de nossas vidas, simples, mas feliz. Oramos um Pai Nosso e mandamos muita energias positivas para nossas famílias e amigos.
Natal na estrada
Na estrada pra Cárceres a vegetação é bem preservada, a região não parece ser muito favorável para agricultura. A maior parte das fazendas da região cria gado. Fizemos uma parada na Vila Sadia, antiga fazenda da empresa de mesmo nome. O Governo comprou o local e fez um assentamento de famílias. No restaurante Fogão a Lenha ganhamos um almoço do dono, Paulo, que junto com sua família nos tratou muito bem. Lá conhecemos Sr. João e seus filhos Rafael e Quinho, que nos convidaram para passar a noite em seu sítio, no pé da Serra do Mangaval, onde passamos a noite.
Serra do Mangaval
O lugar é muito lindo. Fica no meio da Serra e Rafael nos preparou um belo jantar e nos contou algumas histórias. Ele tem uma filha de 7 meses que está sendo sua maior força na luta contra o crack, droga que ele ja foi viciado. Ele nos contou da dificuldade que é se livrar desse vício e que ter se mudado de Cárceres para o campo o ajudou muito também. “Aqui na roça não temos muito luxo, mas nossa vida é muito farta, aqui temos água pura da serra, galinha, porco, horta, frutas, só compramos o arroz”, contou ele. Ficamos muito felizes de ver o Rafael vivendo sua Nova Origem, longe das drogas.
Com a família do Rafael
Subimos a Serra do Mangaval, que por sinal é muito bonita e chegamos em Cáceres. Fomos na Polícia Federal confirmar qual era a burrocracia para sair do país. Nos informaram que nos países do mercosul é só apresentar o documento de identidade que pode entrar. Eles nos indicaram a Polícia Ambiental para tentarmos conseguir abrigo. Chegamos lá e fomos vetados, fomos então procurar o batalhão dos bombeiros. Paramos para tirar uma foto no trânsito de uma placa com os dizeres: “No trânsito a prioridade é das bicicletas” e nessa hora um ciclista veio conversar conosco, o Carlos. Ele falou que era mais esquema ficarmos no Batalhão do Exército e nos levou até lá. Conversamos com o comandante e deu tudo certo, nos arrumaram um quarto no hotel de trânsito, com ventilador, banheiro, refeitório… show de bola! Carlos nos levou para almoçarmos na casa de seu tio que também é ciclista. Ele não estava em casa mas seu vizinho Kener estava e nos serviu um belo rango. A galera é muito gente boa, nos levaram no balneário Piraputanga, onde tem uma cachoeira muito massa. Foi uma recepção em tanto.
Placa em Cáceres: Bicicletas tem prioridade sobre os veículos
Kico no Balneário Piraputanga
Carlos, Henrique e Kener, amigos de Cáceres
Cáceres já foi considerada a cidade das bicicletas. Com ciclovia na maioria das ruas e terreno plano, as bikes são ideais como meio de transporte por lá. Só que de alguns anos para cá as motocicletas invadiram a cidade e ocuparam o lugar das bicicletas, uma pena.
A cidade fica na beira do Rio Paraguai, no Pantanal Matogrossense. O Rio parece ter muita vida, vimos Tuiuius voando, ariranhas e jacarés nadando e vários outros tipos de aves. Uma praia na beira do rio faz a alegria da galera.
Barcos no Rio Paraguai
Já era quase fim de ano e depois de uma indecisão de onde passaríamos nosso Reveillon, decidimos ficar por ali mesmo, já que o pessoal do Exército liberou de ficarmos alojados até o dia 2 de Janeiro.
Igreja de Cáceres iluminada para o fim do ano
Na virada do ano fizemos uma ceia caprichada no Hotel e fomos para a Praça da cidade. Na hora da virada, todo mundo na praça estava meio apático, ninguém se pronunciava e o relógio já estava virando para meia noite. Como ninguém fez nada, fizemos a nossa contagem regressiva, empolgados com o encerramento do ano de 2010, tão importante em nossa história.
Feliz 2011 e partiu Nova Origem!
Agora temos um 2011 inteiro pela frente, com o sentimento de estar realmente longe da família, amigos e do conforto de nossas casa. Nossa história que vai ser ainda mais diferente daqui para frente já que logo depois de Cáceres começaremos nossa jornada internacional. Que venha a Bolívia!