Arqvs. por Categoria: Brasil

Últimos quilômetros de Brasil (Cuiabá à fronteira com a Bolívia)

Últimos quilômetros de Brasil (Cuiabá à fronteira com a Bolívia)
Pedalando pelos últimos quilômetros de Brasil

Pedalando pelos últimos quilômetros de Brasil

Pedalar perto fronteira é um clima diferente, sempre apreensivo pois são muitos os casos de assalto e a polícia fica em cima, afinal, estamos numa das maiores rotas do tráfico do país. Apesar desse clima pesado, fomos sempre muito recebidos nos lugares por onde passamos, inclusive passamos o Natal e Reveillon foi na região.

Novos integrantes do GEFRON, guarda de fronteira

Novos integrantes do GEFRON, guarda de fronteira

Cuiabá foi vida boa, fomos recebidos pela tia do Tiago, Marisa Batalha. Ela conseguiu um hotel para ficarmos com ar condicionado e internet liberada, um luxo. Demos entrevista para TV Globo, dois programas na rádio Cidade e para o jornal Folha do Estado. A capital do Mato Grosso é bem bacana, mas pedalar por lá foi uma missão difícil, pois o povo acelera os carros e o calor é forte. Aproveitamos a boa estrutura de comércio da cidade para comprarmos algumas peças para bike e outros utensílios, já que até Santa Cruz, na Bolívia, as cidades são muito pequenas.

Entrevista no programa Caximbocó na Rádio Cidade

Entrevista no programa Caximbocó na Rádio Cidade

Entrevista para a TV Centro América

Entrevista para a TV Centro América

A entrevista para a TV Centro América, afiliada da Rede Globo, foi junto com outro cicloturista que também estava de passagem por Cuiabá, o paulista André que está percorrendo os 5 biomas brasileiros. Um dos fundadores da ONG CicloBR, ele é um cicloativista e está sempre presente nos movimentos pró bike. É sempre muito bom fazer amigos cicloturistas e para acompanhar a viagem dele é só acessar o site www.bicicreteiro.org .

Despedida com o André "Bicicreteiro" e a galera da Tribo Adventure

Despedida com o André "Bicicreteiro" e a galera da Tribo Adventure

Inicialmente iríamos fazer a Transpantaneira, mas como já ficamos muito tempo no Brasil e a ansiedade de seguir é grande, partimos então sentido a Bolívia, passando por Cárceres, última cidade do Brasil. Antes de partimos de Cuiabá encontramos com o André para uma despedida na loja de bike Tribo Adventure, onde rolou um um café da manhã com a galera. Tiramos umas fotos, trocamos algumas idéias, nos despedimos e seguimos viagem.

Era véspera de Natal e o calor forte demais! Pedalamos cerca 60km e paramos em um restaurante de beira de estrada. Pedimos para o dono colocar o Lambrusco Italiano que a tia do Tiago nos deu de presente para gelar, compramos umas linguiças e preparamos nossa ceia de Natal: Arroz com Macarrão, um luxo! Esse foi com certeza o Natal mais raíz de nossas vidas, simples, mas feliz. Oramos um Pai Nosso e mandamos muita energias positivas para nossas famílias e amigos.

Natal na estrada

Natal na estrada

Na estrada pra Cárceres a vegetação é bem preservada, a região não parece ser muito favorável para agricultura. A maior parte das fazendas da região cria gado. Fizemos uma parada na Vila Sadia, antiga fazenda da empresa de mesmo nome. O Governo comprou o local e fez um assentamento de famílias. No restaurante Fogão a Lenha ganhamos um almoço do dono, Paulo, que junto com sua família nos tratou muito bem. Lá conhecemos Sr. João e seus filhos Rafael e Quinho, que nos convidaram para passar a noite em seu sítio, no pé da Serra do Mangaval, onde passamos a noite.

Serra do Mangaval

Serra do Mangaval

O lugar é muito lindo. Fica no meio da Serra e Rafael nos preparou um belo jantar e nos contou algumas histórias. Ele tem uma filha de 7 meses que está sendo sua maior força na luta contra o crack, droga que ele ja foi viciado. Ele nos contou da dificuldade que é se livrar desse vício e que ter se mudado de Cárceres para o campo o ajudou muito também. “Aqui na roça não temos muito luxo, mas nossa vida é muito farta, aqui temos água pura da serra, galinha, porco, horta, frutas, só compramos o arroz”, contou ele. Ficamos muito felizes de ver o Rafael vivendo sua Nova Origem, longe das drogas.

Com a família do Rafael

Com a família do Rafael

Subimos a Serra do Mangaval, que por sinal é muito bonita e chegamos em Cáceres. Fomos na Polícia Federal confirmar qual era a burrocracia para sair do país. Nos informaram que nos países do mercosul é só apresentar o documento de identidade que pode entrar. Eles nos indicaram a Polícia Ambiental para tentarmos conseguir abrigo. Chegamos lá e fomos vetados, fomos então procurar o batalhão dos bombeiros. Paramos para tirar uma foto no trânsito de uma placa com os dizeres: “No trânsito a prioridade é das bicicletas” e nessa hora um ciclista veio conversar conosco, o Carlos. Ele falou que era mais esquema ficarmos no Batalhão do Exército e nos levou até lá. Conversamos com o comandante e deu tudo certo, nos arrumaram um quarto no hotel de trânsito, com ventilador, banheiro, refeitório… show de bola! Carlos nos levou para almoçarmos na casa de seu tio que também é ciclista. Ele não estava em casa mas seu vizinho Kener estava e nos serviu um belo rango. A galera é muito gente boa, nos levaram no balneário Piraputanga, onde tem uma cachoeira muito massa. Foi uma recepção em tanto.

Placa em Cáceres: Bicicletas tem prioridade sobre os veículos

Placa em Cáceres: Bicicletas tem prioridade sobre os veículos

Kico no Balneário Piraputanga

Kico no Balneário Piraputanga

Carlos, Henrique e Kener, amigos de Cáceres

Carlos, Henrique e Kener, amigos de Cáceres

Cáceres já foi considerada a cidade das bicicletas. Com ciclovia na maioria das ruas e terreno plano, as bikes são ideais como meio de transporte por lá. Só que de alguns anos para cá as motocicletas invadiram a cidade e ocuparam o lugar das bicicletas, uma pena.

A cidade fica na beira do Rio Paraguai, no Pantanal Matogrossense. O Rio parece ter muita vida, vimos Tuiuius voando, ariranhas e jacarés nadando e vários outros tipos de aves. Uma praia na beira do rio faz a alegria da galera.

Barcos no Rio Paraguai

Barcos no Rio Paraguai

Já era quase fim de ano e depois de uma indecisão de onde passaríamos nosso Reveillon, decidimos ficar por ali mesmo, já que o pessoal do Exército liberou de ficarmos alojados até o dia 2 de Janeiro.

Igreja de Cáceres iluminada para o fim do ano

Igreja de Cáceres iluminada para o fim do ano

Na virada do ano fizemos uma ceia caprichada no Hotel e fomos para a Praça da cidade. Na hora da virada, todo mundo na praça estava meio apático, ninguém se pronunciava e o relógio já estava virando para meia noite. Como ninguém fez nada, fizemos a nossa contagem regressiva, empolgados com o encerramento do ano de 2010, tão importante em nossa história.

Feliz 2011 e partiu Nova Origem!

Feliz 2011 e partiu Nova Origem!

Agora temos um 2011 inteiro pela frente, com o sentimento de estar realmente longe da família, amigos e do conforto de nossas casa. Nossa história que vai ser ainda mais diferente daqui para frente já que logo depois de Cáceres começaremos nossa jornada internacional. Que venha a Bolívia!

Diário de Bordo | Tags: , , , , , , , | 3 Comentários

Cicloturismo na Chapada dos Guimarães

Cicloturismo na Chapada dos Guimarães
Mirante do Alto do Céu

Mirante do Alto do Céu

Ver todos os álbuns de fotos da Chapada dos Guimarães

A Chapada dos Guimarães é famosa pelos seus imensos paredões de arenito vermelho, moldados pelo tempo. Nos dias que passamos por lá, conhecemos algumas cachoeiras, os mirantes mais alucinantes que já vimos na vida e fizemos um cicloturismo pelo Vale do Rio Claro, que fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.

O caminho até a chapada foi cercado de plantações, cenário comum durante nossas pedaladas pelo Mato Grosso. O primeiro atrativo, o balneário da Martinha, preserva um filete de mata ciliar no meio de uma interminável área desmatada. Fica às margens da rodovia que liga Campo Verde à Chapada. Chegamos na véspera do feriado de 15 de novembro e o balneário estava lotado de gente. A galera acampada e fazendo churrasco. Paramos para dar um mergulho e nos refrescar, mas no primeiro tchibum já começou um temporal e corremos para nos abrigar em um restaurante na beira da rodovia. Fomos tão mal atendidos na hora de tentar almoçar nesse restaurante, que acabamos desistindo de gastar nosso precioso dinheiro ali. Por fim, um povo bacana nos convidou para almoçar com eles!

Bem-vindo a Chapada dos Guimarães

Bem-vindo a Chapada dos Guimarães

Faltava ainda uns 40Km para chegar na cidade e como a chuva não parou, decidimos seguir assim que ficou mais amena. No caminho, mais plantações… cadê o Cerrado? Pouco antes de chegar na cidade, paramos no Mirante do Centro Geodésico onde vimos os primeiros paredões vermelhos, um visual bem bacana da planície pantaneira e da cidade de Cuiabá. Terminamos de chegar na cidade, que também chama-se Chapada dos Guimarães, pedalando por uma boa ciclovia que segue desde o mirante. Encontramos um casal de motoqueiros viajantes que conhecemos na estrada e tomamos um refri com eles.

Caseh arrumando a placa

Caseh arrumando a placa

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Seguimos para encontrar com o Tadeu, amigo da família do Caseh, que nos hospedou em sua casa e viramos grandes amigos dele e de seus filhos Monarco, Pedro e Delano.

A família é fanática por MPB. Tadeu nos mostrou sua coleção de músicas e vídeos. No dia seguinte da nossa chegada foi aniversário de seu filho Monarco, que é músico e já ganhou vários festivais pelo Brasil. Comemoramos com uma “moage” em sua casa, tomando uma cachaça mineira e ouvindo um show do aniversariante.

Nos dias que chegamos, o tempo na Chapada não estava muito bom. Muita chuva e neblina, então ficamos 2 dias em casa organizando fotos, videos e os posts pro site. Esse negócio dá trampo e gasta uma grana, mas tá massa de fazer. Apesar de ainda não termos conseguido o patrocínio, o retorno das pessoas é muito gratificante e não tem preço.

Quando o tempo melhorou, fomos conhecer os atrativos naturais que ficam próximos à cidade. Conhecemos a Cachoeira dos Marimbondos e do Jamacá. Pedalamos pela Trilha do Matão, que é um pedal maneiríssimo no meio da mata fechada, que leva até o CINDACTA (controle aéreo) e chega no Mirante do Alto do Céu, que é o mirante mais próximo de Cuiabá, com vista para o ninho da águia e tem o pôr-do-sol mais maneiro que já vimos na vida.

Vale do Jamacá

Vale do Jamacá

Trilha do Matão

Trilha do Matão

Arara Vermelha no Morro dos Ventos

Arara Vermelha no Morro dos Ventos

Cachoeira do Marimbondo

Cachoeira do Marimbondo

Aliás, o que mais nos impressionou na Chapada foram os mirantes. Por ser um degrau entre o Planalto Central e a Planície Pantaneira, com um desnível de cerca de 600m, a Chapada dos Guimarães tem mirantes lindissimos que dá para ver muito longe mesmo. Nós conhecemos o mirante do Centro Geodésico, a Ponta do Campestre, o Morro dos Ventos e o Alto do Céu.

Belíssimo pôr-do-sol no Mirante do Alto do Céu

Belíssimo pôr-do-sol no Mirante do Alto do Céu

Mirante Alto do Céu

Mirante Alto do Céu

Flauta no Mirante do Centro Geodésico

Flauta no Mirante do Centro Geodésico

A cidade Chapada dos Guimarães

A cidade é muito tranquila e recebe turistas do mundo inteiro, mas a galera que freqüenta mais o local são os cuiabanos, já que a capital do MT está a apenas 65km de lá. A cidade está se estruturando para receber os turistas para a Copa de 2014, pois Cuiabá será uma das sedes e, por isso, vários atrativos como o famoso balneário da Salgadeira, estão fechados para reforma. A estrada que liga a capital até a Chapada já está sendo duplicada e está para ser aprovado um projeto de construção de um teleférico ligando as duas cidades.

Igreja de Chapada dos Guimarães

Igreja de Chapada dos Guimarães

Praça Dom Wunibaldo, no centro da cidade

Praça Dom Wunibaldo, no centro da cidade

A galera que freqüenta a Chapada tem um bom poder aquisitivo, e isso faz com que os preços do local fiquem um pouco salgados.

A estrada que liga Cuiabá até Chapada dos Guimarães é maravilhosa! Com certeza uma das mais bonitas do Brasil e do mundo, beirando os imensos paredões vermelhos e recomendamos o cicloturismo por lá.

Estrada que liga a Chapada dos Guimarães a Cuiabá

Estrada que liga a Chapada dos Guimarães a Cuiabá

Cicloturismo no Vale do Rio Claro – Parque Nacional da Chapada dos Guimarães

Vista do Vale do Rio Claro

Vista do Vale do Rio Claro

Nós também queríamos conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, mas lá só é permitido o acesso com guia, então fomos na agência Ecoturismo, e o Lui nos mostrou basicamente duas trilhas no parque: a das cachoeiras, passando pelo morro do São Geronimo; e o Vale do Rio Claro, com vista para os paredões e que dava para ir de bike. Decidimos pela segunda opção, depois de chorar bastante no preço do guia.

Amorésio, nosso guia

Amorésio, nosso guia

Encontramos bem cedo com o Amorésio, nosso guia nativo da Chapada e seguimos de bike para o Vale que fica na estrada para Cuiabá. O caminho passa pelas formações do Vale dos Dinossauros e o Portão do Inferno e nos emocionamos pedalando do lado daquelas imensas pedras vermelhas.

No Vale do Rio Claro está a nascente do rio, cercado por imensas formações rochosas que têm as mais diversas formas. O arenito vermelho é poroso, e além de absorver a água da chuva abastecendo os lençóis freáticos, é facilmente moldado por ações naturais, como chuva e vento. Pedalamos pelo Cerrado fechado e beirando os paredões até a cabeceira do Rio Claro, onde paramos para nos banhar na água cristalina.

Mergulho na cabeceira do Rio Claro

Mergulho na cabeceira do Rio Claro

Durante o pedal paramos na Crista do Galo, uma formação rochosa que, lá de cima, dá para se ter uma noção da dimensão e da enormidade desses paredões. Um visual que não iremos esquecer nunca. Fomos também até a ponta do Rio Claro, onde tem inscrições rupestres de comunidades indígenas que viveram na região milhares de anos atrás. É uma pena que a galera não respeita muito e tam várias pichações em volta do sítio arqueológico.

Cruzando o rio

Cruzando o rio

Vista da Crista do Galo

Vista da Crista do Galo

Impressionante o vermelho dos paredões

Impressionante o vermelho dos paredões

Uma corrente arrebentada no caminho

Uma corrente arrebentada no caminho

Pedal na mata fechada

Pedal na mata fechada

Caseh aos pés da Chapada

Caseh aos pés da Chapada

Partindo da Chapada

Estrada para Cuiabá

Estrada para Cuiabá

No dia de partir para Cuiabá, aproveitamos as atrações do caminho e paramos para conhecer a cachoeira mais famosa da Chapada, o Véu da Noiva. Fica a 500m da estrada e só é permitido vê-la por um mirante. O acesso até o poço da base foi fechado pois ocorreu um acidente no local que custou a vida de um turista.

Paramos também para conhecer o Vale dos Dinossauros. Fizemos uma trilha a pé de cerca de 3Km para ver as rochas tem realmente a forma dos gigantes pré-históricos. É uma caminhada que vale a pena fazer.

No Vale dos Dinossauros

No Vale dos Dinossauros

Cachoeira Véu da Noiva

Cachoeira Véu da Noiva

A estrada para Cuiabá é só descida. Seguramos nos freios para poder filmar e fotografar o visual que é alucinante. Cada curva guarda uma paisagem que faz dessa estrada a mais bela que já passamos.

Cuiabá, a capital do Pantanal

Cuiabá, a capital do Pantanal

Diário de Bordo, Roteiros | Tags: , , , , , , , , | 2 Comentários

Atravessando o deserto verde (Barra do Garças-MT a Chapada dos Guimarães-MT)

Atravessando o deserto verde (Barra do Garças-MT a Chapada dos Guimarães-MT)

Início: 08/11/2010 Término: 14/11/2010 (7 dias pedalados)
Total: 460Km Média: 66Km/dia
Geral: 2839Km
Cidades: 06 (Barra do Garças-MT, General Carneiro-MT, Vila Paredão-MT, Primavera do Leste-MT, Campo Verde-MT e Chapada dos Guimarães-MT)

O deserto verde

O deserto verde


Exibir mapa ampliado

Acordamos no porto do Baé e arrumamos nossas coisas para partir de Barra do Garças e começar o cicloturismo pelo estado do Mato Grosso. Enquanto desmontávamos acampamento, vimos dois botos subindo o rio. Sinal de que o dia ia ser bom! Quando já estávamos prontos para começar a pedalar, aparece o Ebinho Souza, o cicloturista de Juiz de Fora que conhecemos bem ali no encontro dos rios. Ele fez um almoço ali mesmo para comemorarmos este encontro e trocamos altas idéias. Ele iria fazer o mesmo caminho que nós, mas não partiria de Barra naquele dia. Ele nos disse antes de sairmos: “Não sou da globo, mas a gente se vê por aí”.

Ebinho Souza no Porto do Baé em Barra do Garças-MT

Ebinho Souza no Porto do Baé em Barra do Garças-MT

Saímos de Barra com o tempo cinzento, meio chuvoso, feio de ver, mas muito bom para nós, pois ameniza o calor infernal da região e nos desgasta menos durante as pedaladas. No primeiro dia fomos até um restaurante de beira de estrada chamado Galinha Caipira, onde pernoitamos. Na hora de fazer nosso rango, vimos que perdemos um parafuso do nosso fogareiro e ele não funcionava. Tentamos fazer uma fogueira em uma churrasqueira, mas só conseguimos fumaça! Por fim, o que nos salvou foi um querosene que estávamos carregando para limpar as bicicletas. Fizemos um fogo numa latinha e terminamos de preparar nossa gororoba.

Nosso acampamento no bar Frango Caipira

Nosso acampamento no bar Frango Caipira

Começamos a pedalar cedo e logo chegamos a General Carneiro, onde almoçamos e repomos nossa dispensa. Encontramos lá um casal de cicloturistas baianos que estavam indo no sentido contrário ao nosso e disseram estar vindo de Rondônia somente por estradas de terra. Haja disposição! Seguimos viagem até o Bar do Xerim, um restaurante bem simples na BR-070. Pouco tempo depois que chegamos, aparece o Ebinho pedalando. Fizemos um jantar caprichado e acampamos na varanda do bar.

Pedalar pela BR-070 no estado de Mato Grosso foi uma aventura perigosa. A estrada não tem acostamento e é pista de mão dupla. Quase não se vê carro de passeio transitando pela rodovia, que é dominada por caminhões e carretas bitrem. Como a estrada é muito plana, esses veículos monstruosos passam a milhão. A maioria deles nos respeita e nos ultrapassam de longe, buzinando para nos cumprimentar, mas em outros momentos temos que sair do asfalto. Ficamos sempre ligados no retrovisor, que nunca foi tão útil quanto nesse trecho. Tiago deu sorte, pois colocou um retrovisor de moto na bike em Barra do Garças.

Caminhões e carretas da BR070

Caminhões e carretas da BR070

A estrada plana e o tempo nublado ajudou na pedalada até a Vila Paredão, distrito de General Carneiro, acompanhados pelo Ebinho. O visual deste trecho foi muito top! Vários paredões e chapadas de arenito vermelho encheram nossos olhos e nos deram um gostinho do que nos esperava na Chapada dos Guimarães. Acampamos na varanda da casa de orações da igreja local e, mais uma vez, fizemos um rango especial com direito a feijão com linguiça e angu a baiana.

Arroz, feijão com linguiça e angu a baiana

Arroz, feijão com linguiça e angu a baiana

Fazendo o rango na Vila Paredão-MT

Fazendo o rango na Vila Paredão-MT

Ebinho nos contou muito de sua história nesses 15 anos de estrada e foi muito massa trocar idéia com um cara de Juiz de Fora, falar da Tribuna de Minas, Parque Halfeld e outras histórias de Juiz de Fora. Aprendemos muito sobre a vida na estrada escutando suas experiências de cicloturista. Pedalar com o Eber e ver toda sua disposiçao aos 59 anos de idade, nos inspirou e deu forças para seguirmos nossa Nova Origem.

Depois da Vila Paredão, passamos pela reserva dos índios Xavantes. Foram 40Km de estrada, onde do lado direito – a reserva indígena – era puro Cerrado preservadíssimo e, do lado esquerdo – fazendas – grandes lavouras e monoculturas. Estávamos apreensivos durante este trecho, pois fomos alertados de que os índios faziam barreira na estrada, mas não tivemos problema algum. Durante o trecho vimos apenas um índio, mas ao invés de arco e flecha, ele carregava uma espingarda!

.. distoa das infinitas monoculturas

.. distoa das infinitas monoculturas

Tribo Xavante no meio do cerrado preservado ..

Tribo Xavante no meio do cerrado preservado ..

No dia seguinte, antes de partirmos do Posto Companheiro, onde passamos a noite, tivemos a oportunidade de conversar com um índio Xavante que tinha chegado de carro ali e ficou curioso com nossas bicicletas. O índio nos contou histórias emocionantes de como sua tribo fica restrita àquele espaço de terra da reserva. Ele nos disse: “Os Xavantes são índios guerreiros. Nós queremos respeito do branco. Somos todos seres humanos e queremos respeito!”. Ele terminou nos contando o caso do seu primo que tinha morrido há pouco mais de um mês, atropelado por um caminhão, quando voltava de bicicleta de uma pescaria. Os Xavantes fecharam a rodovia por dois dias para tentar encontrar o caminhoneiro responsável, mas sabe como é né… missão impossível. Ele nos disse também que a reserva tem cerca de 15 mil índios, espalhados por 42 aldeias. Eles falam o dialeto próprio dos Xavantes. As crianças frequentam uma escola estadual na aldeia de Sangradouro, até completarem o ensino fundamental e depois vão terminar os estudos na cidade. Ele disse que não recebem ajuda financeira do governo e que vivem da caça de anta, tatu, veado campeiro entre outros animais do Cerrado. Vendo a reserva de uma colina, podemos concluir que pelo menos preservar a mata eles sabem fazer melhor do que os brancos que destroem a mata nativa para “produzir alimento”.

E uma arara para alegrar o pedal

E uma arara para alegrar o pedal

Emas procuram seu espaço no meio da lavoura

Emas procuram seu espaço no meio da lavoura

Os 40Km até Primavera do Leste foram tranquilos, mas a paisagem nos assustou. Lavouras a perder de vista transformaram o horizonte em um verde monótono, que mais parece um deserto sem vida, muito diferente do verde que vemos em florestas e matas preservadas. É muita terra mesmo, na mão de pouca gente que enriquece com ajuda do governo e dos trabalhadores rurais. A cidade de Primavera do Leste é voltada para o agronegócio. Tudo é mais caro e passamos somente uma noite lá, hospedados no Batalhão dos Bombeiros. Aqui no Mato Grosso temos que agradecer muito à essa corporação que tanto tem nos ajudado.

Em Primavera do Leste nos desencontramos do Ebinho, que a essas horas continua seguinho seu caminho “… a gente se vê por aí!”. Na partida da cidade fizemos uma matéria para a TV Primavera, afiliada da Record e seguimos para Campo Verde. A estrada até a cidade não mudou em nada o monótono visual de lavouras infinitas e, nesse dia, batemos nosso recorde de quilometragem. Pedalamos 105Km sempre com o mesmo deserto verde das fazendas, que nos gerou muitas reflexões, sobre quem tem a posse dessas terras e qual a real finalidade do seu uso. Refletimos muito também sobre o nosso consumo e como isso interfere no mundo. O mais triste é pensar que ali um dia foi Cerrado preservado, cheio de vida.

Infinitas lavouras, pouca vida, o deserto verde<br />

Infinitas lavouras, pouca vida, o deserto verde

Para reforçar a idéia de que essas monoculturas extensivas não são positivas, em Campo Verde trocamos idéia com o pessoal da Pizzaria Massapê, que nos recebeu muito bem por lá. Eles nos contaram que a cidade é a primeira no Brasil em produção de algodão, soja, ovos e também é campeã em casos de câncer. Com 30 mil habitantes, Campo Verde registra uma morte a cada 40 dias por conta da doença que é causada pela contaminação da água e do ar por agrotóxicos das lavouras. Passamos em frente ao aeroporto da cidade, bombado de monomotores equipados com pulverizadores para borrifar agrotóxico nas lavouras. Como de costume no Mato Grosso, passamos a noite no Batalhão dos Bombeiros e o Cabo Dias, que nos contou várias histórias, nos disse que tem dias na cidade em que você sente gosto ruim na boca do agrotóxico que é trazido pelo vento.

Valeu bombeiros do Mato Grosso!

Valeu bombeiros do Mato Grosso!

Borrifador de câncer

Borrifador de câncer

Bom, pelo menos estávamos próximos da Chapada dos Guimarães, a segunda Chapada de nossa rota (leia os posts da Chapada dos Veadeiros). Saímos de Campo Verde animados para pedalar os 70Km que nos separavam desse paraíso preservado no meio dessas monoculturas que já estavam nos incomodando. Outra coisa boa é que a estrada de Campo Verde até a Chapada é bem tranquila, com um acostamento curto, mas seguro e sem caminhões. É proibido o tráfego de caminhões com mais de três eixos por ali.

Pedalamos os 30Km iniciais ainda cercados por grandes pastos e plantações e só encontramos uma faixa de Cerrado preservado no Balneário da Martinha, ponto de entrada da Chapada dos Guimarães. O local tava bombado de gente! Mas também chegamos bem no domingo, 14 de novembro, véspera de feriado. Paramos para dar um mergulho e nos refrescar, mas foi o tempo de molhar a cabeça e fomos pegos por uma chuva pesada! Corremos com as bikes para o restaurante do outro lado da rodovia e ficamos lá esperando o tempo melhorar e trocando idéia com o pessoal que também correu pra lá para se proteger da chuva.

Chapada chegando e cadê o Cerrado?

Chapada chegando e cadê o Cerrado?

Chegando embaixo de chuva

Chegando embaixo de chuva

Quando decidimos seguir viagem, ainda chovia um pouco e ventava frio. Vestimos nossas roupas de chuva pela primeira vez durante uma pedalada e seguimos para terminar os 40Km finais. Triste chegar na Chapada embaixo de chuva, com tempo cinza e visual limitado. Ainda paramos no Mirante do Geodésico, que fica há 8Km da cidade. No alto do mirante venta muito, a vista de lá é show e dá até para ver a cidade de Cuiabá, situada há 65Km da Chapada. Do mirante até a cidade tem uma faixa compartilhada para pedestres e bicicletas e pedalamos por ela despreocupadamente até chegarmos, enfim, à Chapada dos Guimarães!

Mirante do Centro Geodésico

Mirante do Centro Geodésico

Arrumando a placa

Arrumando a placa

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Chegando no Mirante do Centro Geodésico

Vista do mirante

Vista do mirante

Diário de Bordo, Sustentabilidade | Tags: , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

Vale do Araguaia – Aragarças e Barra do Garças

Mirante do rio Araguaia

Mirante do rio Araguaia

Chegamos no vale do Araguaia no pôr do sol e avistamos de longe, nos pés da bela Serra do Roncador as cidades de Aragarças e Barra do Garças. Depois de 100km pedalados, a única coisa que pensavamos era em chegar no famoso rio Araguaia.

Fomos procurar abrigo no batalhão da polícia de Aragarças, mas lá não havia espaço para nós e por coincidencia encontramos com um repórter da TV Centro-Oeste, que fez ali mesmo uma entrevista conosco que acabou rendendo frutos nos dias que se seguiram, pois fomos reconhecidos por muitos nas ruas!

O rio Araguaia faz a divisa entre os estados de Goiás e Mato Grosso. A ponte que atravessa o rio está fechada para caminhões, que só podem passar de 0hrs até às 6hrs da manhã, mas bicicleta tem trânsito livre e nós chegamos em Barra do Garças no início da noite, eufóricos por cruzarmos mais uma fronteira de estado. Fomos direto para o quartel dos Bombeiros que nos permitiu passar algumas noites lá.

Centro de Barra do Garças

Centro de Barra do Garças

Nossos anfitriões

Nossos anfitriões

Fomos pela primeira vez numa praia de água doce, nas margens do Araguaia. O encontro dos rios Garças e Araguaia formam um mar de água barrenta. Faz muito calor por aqui e só dentro d`agua para fugir da nuvem de mosquitos que fica na beira do rio e se sentir mais confortável.

Praia de rio no Araguaia

Praia de rio no Araguaia

A Serra Azul, continuação da Serra do Roncador, possui um belo mirante do Vale do Araguaia e de lá conseguimos ver as cidades de Aragarças em Goiás e Pontal do Araguaia e Barra do Garças no Mato Grosso. O encontro dos rios Garças e Araguaia fazem a divisão das três cidades e dos estados.

Tiramos um dia para conhecer o mirante do cristo, de onde dá para ver o encontro dos rios de cima. Para chegar no mirante subimos a escadaria de 1223 degraus e descemos a serra pela trilha das cachoeiras. Não contamos o número de quedas, mas tá pra lá de 10 o número de cachoeiras de água gelada e cristalina.

Sacando o visual

Sacando o visual

Vista do rio Araguaia

Vista do rio Araguaia

Foi na Serra do Roncador que o explorador inglês Percy Fawcett desapareceu e deu origem a lenda que foi retratada no filme Indiana Jones. Diz a lenda que o sujeito encontrou por la a terra perdida de “Atlantida” e por lá ficou.

As cachus de Barra do Garças

As cachus de Barra do Garças

Descendo a trilha das cachoeiras

Descendo a trilha das cachoeiras

Em Barra do Garças encontramos os primeiros índios inseridos no meio da sociedade. Estavam no posto assistindo o jogo do flamengo, no restaurante, comprando pão na padaria e a pé ou de carro pelas ruas da cidade. Existe uma rixa entre os brancos e os índios. Os brancos não concordam com a suposta “vida boa” que os irmãos de pele vermelha levam. Fomos alertados de que a tribo Xavante costuma fazer barreiras na estrada para arrecadar dinheiro e já ouve casos de saques. Ainda não tivemos a oportunidade de escutar a versão dos índios, mas estamos ansiosos por essa oportunidade.

Centro de Barra do Garças

Centro de Barra do Garças

Vista da Serra Azul

Vista da Serra Azul

Em Barra do Garças passamos um perrengue dos bons. Um dia o Tiago comeu alguma coisa avacalhada e no meio da madrugada começou a passar mal no batalhão dos Bombeiros e quando a situação ficou tensa, o bombeiro de plantão tocou a sirene e levaram o Tiago no SAMU pro pronto socorro. Nada muito grave. Tomou um litro de soro na veia com Dramin e voltou pra “casa” novo.

Nossa última noite em Barra do Garças foi no porto do Baé, nas margens do histórico rio Araguaia. Acordamos para pedalar mas o tempo estava chuvoso e enquanto esperávamos estiar, vimos um casal de botos subindo o rio.

Quando a chuva parou e já estávamos prontos para partir, aparece do nada um coroa em uma bike, toda carregada, dizendo estar a 15 anos na estrada para entrar no Guinness Book como o cara que conheceu mais cidades nas américas. Ele quer documentar a visita em 6000 cidades e já ultrapassou as 5000. Quando perguntamos onde ele nasceu, ele respondeu: “Sou de uma cidade onde só exite um juiz e 800.000 bandeirinhas”. Não tivemos dúvidas… Juiz de Fora! Eber de Souza é seu nome, 59 anos e está indo também em direção a Cuiabá. Resolvemos atrasar a partida, pois ele nos convidou para almoçar um macarrão com pequi que ele preparou em seu “microondas” e nós seguimos viagem.

Ebinho Souza, cicloturista de Juiz de Fora que encontramos no porto do Baé

Ebinho Souza, cicloturista de Juiz de Fora que encontramos no porto do Baé

Agradecemos em especial ao corpo de bombeiros de Barra do Garças que nos hospedou, ao Beto Bicicletas, ao Barra Ciclo e Secreta bike que nos ajudaram com a manutenção das bikes.

Diário de Bordo, Roteiros | Tags: , , , , , , , , , , | 6 Comentários

Até mais, Goiás (Goiás Velho-GO a Barra do Garças-MT)

Trecho: Goiás Velho-GO a Barra do Garças-MT
Início: 30/10/2010 Término: 02/11/2010 – 4 dias pedalados
Quilometragem: 264Km – Média: 66Km/dia
Geral: 2379Km
Cidades: 7 (Goiás Velho-GO, Uvá-GO, Itapirapuã-GO, Jussara-GO, Ponte Alta-GO, Aragarças-GO, Barra do Garças-MT)
Metas: Cruzamos mais uma fronteira de estados e atingimos a menor altitude até então: 300m do nível do mar


View Larger Map

Pôr do sol na estrada

Pôr do sol na estrada

Veja o álbum de fotos do trecho Goiás Velho-GO a Barra do Garças-MT

Partimos de Goiás Velho com sensação de dever cumprido. Conhecemos um pouco daquela cidade histórica e retomamos nossas atividades de visita em escolas e plantio de mudas.

No dia 30 de outubro, arrumamos nossas bagagens, nos despedimos do Daniel e da galera e partimos. A intencão era chegar em Jussara, distante 90Km, mas como saímos tarde, pedalamos 42Km até um vilarejo chamado Uvá e decidimos passar a noite por ali.

Balneário Cachoeirinha em Uvá-GO

Balneário Cachoeirinha em Uvá-GO

Acampamos na Cachoeirinha, um balneário na beira do rio Uvá e fomos muito bem recebidos pela família que toma conta do lugar. No dia seguinte acordamos debaixo de muita chuva e resolvemos esperar por questões de segurança. Valeu a pena pois dona Luzia nos deu um almoço delicioso com uma peixada e pequi cozido. Colhemos algumas mangas e seguimos para chegar a Jussara.

Pedalando pela BR070

Pedalando pela BR070

Manga!

Manga!

Pedalada boa pela BR070, com mais descidas do que subidas e sol ainda encoberto pelas nuvens. Faltando cerca de 20Km para chegarmos na cidade, um carro branco diminui a velocidade e começa a nos acompanhar lado a lado. Dentro, dois policiais militares estavam curiosos para saber do que se tratava a nossa viagem e, para nossa felicidade, o Tenente Coronel Davi lançou: “Se não tiver problema para vocês, podem acampar no Batalhão da PM em Jussara”. Problema nenhum! Muito pelo contrário, problema resolvido! Pedalamos os últimos quilômetros tranquilos, pois já estávamos com “casa” garantida.

Ten. Cor. Davi, quem nos ajudou em Jussara-GO

Ten. Cor. Davi, quem nos ajudou em Jussara-GO

Ficar hospedado em área militar nos dá uma segurança, tanto pessoal, quanto para nosso equipamento e nossas bikes. E também é garantido que teremos banheiro limpo, com chuveiro quente e, às vezes, uma marmita, que foi o que rolou em Jussara.

Saímos com idéia de chegar até a cidade de Ponte Alta-GO, mas era cerca de 100Km até lá. Não saímos muito cedo da cidade, mas o relevo muito plano ajudou a render a pedalada. Apesar disso, nem tudo estava a nosso favor. O pneu dos três furou no mesmo dia.

O último a ter o pneu furado foi o Kico, na entrada de um condomínio de sítios e já estava ficando tarde. Eram 18h e ele ainda não tinha conseguido resolver o problema do pneu (foram 4 câmaras de ar nessa brincadeira), quando sai um carro do condomínio. Conversamos com o motorista e perguntamos sobre um lugar seguro para passarmos a noite, pois não ia ter jeito de chegar a Ponte Alta. O motorista se chama Guilherme e logo nos ofereceu para passarmos a noite no rancho da família, neste mesmo condomínio. Fomos recebidos por ele, sua esposa e filha, seus sogros e seu sobrinho Juninho Pampers, gente finíssima. Ele nos levou para conhecer o Rio Claro e a noite fomos presenteados com um churrasco e um cantinho tranquilo para pernoitar.

Juninho Pampers e seus avós

Juninho Pampers e seus avós

Rancho da família do Guilherme

Rancho da família do Guilherme

Conversamos com o sogro do Guilherme, que é pescador e vive há muitos anos na beira do rio Claro. Ele nos contou que o rio está a cada ano mais largo e raso, devido ao assoriamento provocado pelos fazendeiros que desmatam a mata ciliar. Seu filho Warley e um grupo de amigos fazem anualmente uma viagem de cerca de 4 dias de lancha, cruzando parte dos rios Claro, Caiapó e Araguaia recolhendo o lixo de suas margens. No primeiro ano foram 7 toneladas de lixo recolhidos.

Na manhã seguinte, depois de um café delicioso, nos despedimos da família e seguimos para o último dia de pedalada do trecho e também nosso último dia em Goiás. Com relevo bom, seguimos na direção do Rio Araguaia. Passando por Ponte Alta, fomos abordados pelo Fábio, que descobrimos ser amigo do Guilherme. Ele nos deu um almoço delicioso, frango caipira com pequi e trocamos altas idéias. Ficamos felizes por estarmos atraindo tanta gente com energia boa.

Fábio nos ajudou em Ponte Alta-GO

Fábio nos ajudou em Ponte Alta-GO

Frango com pequi

Frango com pequi

Uma triste realidade deste trecho foi a quantidade de tamanduás-bandeira, tamanduás-mirim e tatus que encontramos mortos nas margens da estrada. Com certeza vimos mais de 10 carcaças só de tamanduás-bandeira, que é um animal ameaçado de extinção. E para piorar, não existe nenhuma placa avisando da presença desses animais na pista.

Triste realidade. Tamanduá-bandeira atropelado

Triste realidade. Tamanduá-bandeira atropelado

Chegamos no vale do Araguaia no pôr do sol e avistamos de longe, nos pés da bela Serra Azul as cidades de Aragarças, Pontal do Araguaia e Barra do Garças. Depois de 95km pedalados, a única coisa que pensavamos era em chegar no famoso rio Araguaia. A ponte que separa os estados estava em reforma e os caminhões só podiam passar entre 0hrs e 6hrs da manhã, mas bicicleta tem trânsito livre. Ultrapassamos uma fila gigante de caminhoes e não perdemos a oportunidade de zuar os caminhoneiros, que nos reconheceram, pois nos ultrapassaram na estrada durante o dia.

Fila de caminhões esperando para atravessar a ponte do Araguaia

Fila de caminhões esperando para atravessar a ponte do Araguaia

Fomos procurar abrigo no batalhão da polícia de Aragarças, mas não havia espaço para nós e por coincidência encontramos com um reporter da TV Centro-Oeste, afiliada do SBT, que fez ali mesmo uma entrevista conosco.

Concluímos nossa jornada no estado de Goias, que muito nos cativou. Atravessamos o histórico rio Araguaia e chegamos em Barra do Garças já no estado de Mato Grosso, último estado antes de saírmos do Brasil. Procuramos o Batalhão do Corpo de Bombeiros, que nos recebeu bem e permitiu que ficássemos ali durante nossa estadia na cidade.

Diário de Bordo | Tags: , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

Conhecendo a antiga capital do estado: Goiás Velho

Casa de Cora Coralina

Casa de Cora Coralina

Vamos começar esse texto explicando um pouco das redes de contato que estamos fazendo nessa viagem e como chegamos ao Daniel, nosso anfitrião na Cidade de Goiás.

Em Cavalcante, ficamos amigos do argentino Ramón, que nos apresentou a seu amigo holandês, o Franz, e através dele ficamos amigos de suas filhas Ana e Carol que moram em Brasília e a Ana nos colocou em contato com seu padrinho Daniel que mora na Cidade de Goiás e nos recebeu por lá. Pessoas especiais estão aparecendo nessas redes de contato que estão surgindo o tempo todo e facilitando muito nossa viagem.

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher. – Cora Coralina

A cidade

Praça do coreto

Praça do coreto

A cidade de Goiás foi a primeira capital do Estado, fica nos pés da Serra Dourada e foi fundada no ano de 1727 para a exploração do ouro que havia na região. A cidade fica às margens do Rio Vermelho e recebeu esse nome pois viviam ali os índios Goyá que foram caçados para escravidão e para exploração das riquezas da região.

Goiás Velho, como também é conhecida, é uma cidade tranquila, sem muitos agitos, com um povo muito simpático e acolhedor.Cidade natal e morada da poetisa Cora Coralina, o centro histórico cidade foi declarado Patrimônio da Humanidade e conserva mais de 90% de sua arquitetura barroco-colonial original e pedalar por suas ruas é uma viagem para o passado do nosso país.

Centro histórico tombado

Centro histórico tombado

Antigo presídio na praça do chafariz

Antigo presídio na praça do chafariz

A praça do coreto é ponto de encontro dos moradores e famosa também pelo delicioso picolé de frutas (baratinho). Com 16 igrejas e um centro histórico gigante e preservado, a cidade nos lembrou a mineira Ouro Preto.

A cidade fica no meio de um Cerrado muito preservado e para quem gosta de Ecoturismo, pode-se conhecer o Balneário do Carioca, Balneário de Santo Antonio, Balneário do Bacalhau, a Serra Dourada e a cachoeira das Andorinhas.

Balneário do Carioca

Balneário do Carioca

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas

Nosso anfitrião, Daniel, nos levou para sua casa e nos apresentou os outros moradores Dudu, Peter Pan e Martins. Figurassas, todos nos ensiram com suas histórias de vida. A história de Peter Pan foi a que mais nos chamou atenção.

O maluco é cicloturista, viajou por mais de 25 anos e percorreu mais de
50.000km pelo Brasil. Peter tem um sonho de construir uma nave espacial que leve para longe todos os terráqueos que estão destruindo nossa casa Terra. Ele é flautista de mão cheia. Aprendeu a tocar sozinho e ele mesmo produz suas flautas, bem diferentes, feitas com cano PVC. Ele fez uma para nós e o Tiago, que é nosso aspirante a flautista, já tá ficando craque.

Daniel é professor de História e nos convidou para irmos no Colégio Estadual Dr. Albion de Castro Curado. Chegando lá batemos um papo com as crianças, principalmente sobre preservação ambiental, esporte, estudos e sonhar! Peter Pan deu um show a parte com sua flauta e contou umas histórias de suas pedaladas pela BR. Aprendemos muito com a história das crianças, que na maioria das vezes tem tantas responsabilidades em casa que o único tempo que elas tem para ser criança é na escola. Dançamos, conversamos, jogamos ping-pong e no final uma surpresa: Daniel levou 4 mudas de árvore para plantarmos com as crianças, dizendo que era para todos se lembrem de nossa passagem por lá.

No meio da galera!

No meio da galera!

Bate-papo na Escola Dr. Castro Curado

Bate-papo na Escola Dr. Castro Curado

Na atividade!

Na atividade!

Tiago plantando com os alunos

Tiago plantando com os alunos

Visitamos também a Escola Estadual Lyceu de Goyaz. Chegamos sem agendar nada e o diretor da escola, muito solícito nos abriu as portas de um salão para falarmos para as 7 turmas do turno da tarde, totalizando mais de 200 alunos.

As professoras nos alertaram que algumas turmas eram muito bagunceiras, mas todos escutaram atentos e curiosos nossas histórias. Os alunos nos fizeram muitas perguntas, e no final pediram autógrafos e nos entregaram bilhetes dizendo que adoraram a conversa. Uma das professoras perguntou sobre nossas mães, pois também tem filhos e imaginou o aperto que nossas famílias estão passando. No final ela disse: “Parabéns pela história que estão fazendo, deu até vontade de comprar uma bicicleta e seguir com vocês!”

Escola Lyceu de Goyaz

Escola Lyceu de Goyaz

Alunos do Lyceu

Alunos do Lyceu

Melhor do que conhecer a Cidade de Goiás, foi fazer os amigos que conhecemos lá. Daniel, parabéns pelo trabalho e que você continue plantando sementes do bem na vida dessas crianças! E avisa pro Peter Pan que estamos esperando ele no deserto de Sonora!

Dudu, Daniel, Peter Pan, Martins, nós três e as magrelas

Dudu, Daniel, Peter Pan, Martins, nós três e as magrelas

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina. – Cora Coralina

Diário de Bordo, Roteiros | Tags: , , , , , , | 6 Comentários

Pelos tobogãs de Goiás (Pirenópolis-GO a Cidade de Goiás-GO)

Trecho: Pirenópolis-GO a Cidade de Goiás-GO
Início: 20/10/2010 Término: 24/10/2010 – 4 dias pedalados
Quilometragem: 202Km – Média: 50,5Km/dia
Geral: 2115Km
Cidades: 6 (Pirenópolis-GO, Jaraguá-GO, Itaguari-GO, Itaguaru-GO, Itaberaí-GO, Cidade de Goiás-GO)
Meta: Atingimos os 2000Km


Exibir mapa ampliado

Belo fim de tarde na estrada

Belo fim de tarde na estrada

Veja o álbum de fotos do trecho

Saímos de Pirenópolis o sol estava alto, o calor intenso nos sinalizava o que nos aguardava nos próximos dias de pedal. Depois de 40km percorridos, paramos para beber água em um posto de gasolina na rodovia Belém x Brasília. Nos fundos do posto vimos um campo de futebol e algumas mangueiras que faziam uma bela sombra e ainda estavam carregadas de manga. Ainda era cedo e dava para pedalar mais, mas olhamos um para a cara do outro e chegamos num consenso: partiu acampando aqui mesmo.

As cores do amanhecer

As cores do amanhecer

Acampados no campo

Acampados no campo

No outro dia o canto dos pássaros nos acordou bem cedo, levantamos ao nascer do sol e o céu colorido entre vermelho e laranja nos despertou para mais um dia. Acampamento levantado, alforges na bike e força no pedal rumo a Itaguaru. No caminho paramos em um posto de gasolina para fazer um lanche e um senhor nos abordou dizendo que nos viu na estrada. Conversamos um pouco, seu nome era Ernesto Carneiro e ele é de Goiânia. Seu filho anda de bicicleta e ele queria nos ajudar de alguma forma e nos ofereceu de pagar o lanche. Antes que começassemos a comer ele disse que tinha que partir por conta de um compromisso e ia deixar uma ajuda para pagar o lanche. Quando demos conta, ele tirou uma nota de R$100 da carteira, nos entregou e partiu. Ficamos sem entender nada, mas muito satisfeitos com a ajuda.

Chegamos em Jaraguá na hora do almoço, pedimos ajuda nas lojas de bike para trocar um raio do Tiago que quebrou do lado do pião e uma regulagem na marcha do Caseh. Decidimos marcar um tempo na cidade até o sol baixar e retomar a pedalada às 16 horas. Conversamos com algumas pessoas que nos abordaram na rua e conhecemos o Negão, um cicloturista baiano que esta rodando o Brasil.

Negão, o cicloturista baiano

Negão, o cicloturista baiano

Completamos a marca de 2.000km em Itaguaru. Chegamos lá já era noite e fomos presenteados com um delicioso jantar no posto de gasolina. Armamos as barracas no gramado da praça de frente para a rodoviária.

Tobogã!

Tobogã!

Pedalar no estado de Goiás parece mais descer num tobogã. A estrada reta com subidas e descidas nos mostram sempre o caminho que iremos percorrer. As pedaladas estão rendendo com o novo esquema de horário que estipulamos, de começar a pedalar bem cedo, segurar um tempo na hora do sol forte e seguir pedalando no fim da tarde.

A estrada entre Itaguaru e Itaguari está em péssimo estado e exigiu muita atenção. São apenas 16Km entre uma cidade e outra, mas o asfalto está muito detonado e para “melhorar” a situação ainda fomos atacados por abelhas e os três fomos atingidos.

Almoçamos em Itaguari e tentamos fazer uma palestra na escola local enquanto esperávamos o sol baixar, mas o diretor disse que não podia alterar o programa das aulas. Fomos até a prefeitura e conversamos com o Norberto, Secretário de Educação que nos reembolsou o dinheiro que gastamos no almoço.

Passando o tempo em Itaguari

Passando o tempo em Itaguari

Com o Secretário de Educação

Com o Secretário de Educação

Chegamos em Itaberaí no final da tarde, a cidade tem cerca de 50 mil habitantes e tava difícil arrumar um lugar para dormir sem ter que pagar, até que passando em uma avenida e vimos um batalhao da Polícia Militar e resolvemos passar la para ver o que acontecia. Conversamos com o tenente, que gostou mto da nossa história e também é ciclista. Ele liberou de passarmos a noite por lá.

Nossa casa em Itaberaí-GO

Nossa casa em Itaberaí-GO

Acampados entre o flamboyant e os carros apreendidos

Acampados entre o flamboyant e os carros apreendidos

A intenção era dormir, acordar cedo e partir para o último trecho para Goiás, mas acordamos os três passando mal com muita dor de barriga. Acreditamos que foi um queijo que estávamos desde Pirenópolis e que comemos na estrada no dia anterior. Estávamos sem condições de pedalar. Conversamos com os policiais, que liberaram de passarmos mais uma noite no batalhão e só fomos pedalar no outro dia, depois de conseguir um almoço no Restaurante Avenida.

Igreja no mirante da Serra Dourada

Igreja no mirante da Serra Dourada

O dia de pedalada até Goiás Velho foi um dos mais agradáveis da viagem. Tempo nublado, estrada plana até chagarmos na famosa Serra Dourada. O que antes era o nome de um estádio de futebol para nós, se transformou em um belo visual.

Os últimos 6km de pedalada até goias foi uma descida alucinante pela serra, com um visual maravilhoso. A chegada na cidade foi massa demais. Goias fica em um vale no meio da serra, rodeada de verde.

Encontramos o Daniel, nosso anfitrião na cidade em um posto de gasolina e seguimos a “Ferrari”, uma Brasília vermelha, até sua casa. Aí começou nossa história na cidade que leva o nome do estado.

Diário de Bordo | Tags: , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

Um tempo em Pirenópolis

Bem vindo a Pirenópolis

Bem vindo a Pirenópolis

Veja o álbum de fotos de Pirenópolis-GO
Vídeos de Pirenópolis-GO no Youtube

Não tínhamos pretensão de ficar muito tempo em Pirenópolis e já tínhamos combinado com o Horayma (amigo da Rafa de Brasília) que ficaríamos em sua casa somente uma noite, pois a casa já estava alugada para o feriado. Mas tínhamos o problema da bicicleta do Tiago para resolver e, como era feriado, precisaríamos ficar mais uns dias até conseguir uma loja de bicicleta aberta.

Solzão!

Solzão!

Chegando no centro histórico

Chegando no centro histórico

Passamos a primeira noite na casa dele e saímos no dia seguinte sem saber onde ficaríamos, pois a cidade estava ficando movimentada para o feriado. Mas a sorte continua conspirando a nosso favor, e antes de chegar na primeira esquina conseguimos uma casa para alugar por todo o feriado por um preço mais barato do que se pagássemos para acampar. Nossa anfitriã, a Vanessa, artesã que vive a muitos anos na cidade, nos recebeu muito bem e nos contou vários casos sobre Piri e as figuras que a cidade atrai.

Igreja Matriz

Igreja Matriz

Pirenópolis é uma cidade muito antiga, foi fundada em 1727 e ganhou esse nome devido a serra dos Pirineus, que recebeu esse nome em homenagem a cadeia de montanhas que separa a Espanha da França. A cidade foi tombada pelo (IPHAN) Instituto do Patrimônio Histórico Nacional em 1988 e possui um centro historico muito preservado, além de manter suas tradições como as Cavalhadas de Pirenópolis, uma das mais expressivas do Brasil.

Logo que passou o feriado de 12 de outubro começou o festival do Canto de Primavera, evento que rola todo ano. As oficinas de diversos instrumentos musicais e shows gratuitos atraem músicos e turistas de todo o Brasil. No palco montado na rua do Lazer, onde se concentra o movimento turístico da cidade tocaram vários músicos entre eles Zélia Duncan, Pepeu Gomes e Moraes Moreira.

Chorinho no coreto

Chorinho no coreto

Apresentação na Rua do Lazer

Apresentação na Rua do Lazer

Kico aproveitou para fazer oficina de percussão com o Marco Lobo, um percussionista fera que já tocou vários anos com o Milton Nascimento e agora toca com a Vanessa da Mata. Foram quatro dias de ensaio e no dia do encerramento do Canto de Primavera ele fez uma apresentação junto com toda a turma da oficina no Theatro de Pyrenópolis.

Kico batucando no Teatro

Kico batucando no Teatro

Ensaio da oficina de percussão

Ensaio da oficina de percussão

A cidade atrai muitos turistas por conta do Parque Estadual dos Pireneus e pelas várias cachoeiras e rios da região. Fomos na Cachoeira Bonsucesso, na Cachoeira dos Buritis e a que mais gostamos foi a Cachoeira das Andorinhas, que é uma seqüência grande de cachoeiras, sem muito volume de água, que tem umas pedras boas para brincar de escalar.

Rio das Almas

Rio das Almas

Jump na cachoeira Bonsucesso

Jump na cachoeira Bonsucesso

Tiago na Andorinhas

Tiago na Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira dos Buritis

Cachoeira dos Buritis

Nossa passagem ficou marcada pela beleza do lugar, pela visita sempre bem vinda da Rafa, que ainda nos salvou trazendo de Brasília as peças de reposição para a bike do Tiago e pelas pessoas incríveis que conhecemos e que vão deixar saudades.

Despedida na casa da Vanessa

Despedida na casa da Vanessa

Galera de Piri

Galera de Piri

Diário de Bordo, Roteiros | Tags: , , , , , , , , , , | 1 Comentário

De volta à estrada (Brasília-DF a Pirenópolis-GO)

Trecho: Brasília-DF a Pirenópolis-GO
Início: 03/10/2010 Término: 06/10/2010 – 4 dias pedalados
Quilometragem: 140Km – Média: 35Km/dia
Geral: 1913Km
Cidades: 5 (Brasília-DF, Águas Lindas de Goiás-GO, Cocalzinho-GO, Corumbá-GO, Pirenópolis-GO)
1 pneu furado e 1 câmbio quebrado

Apoio do trecho

Camping Corumbáhttp://www.saltocorumba.com.br/


Exibir mapa ampliado

Altimetria do trecho de Brasília-DF a Pirenópolis-GO

Altimetria do trecho de Brasília-DF a Pirenópolis-GO

Até mais Brasília

Até mais Brasília

Partimos da capital do poder num domingo de sol abafado, no dia do primeiro turno das eleições presidenciais. Saímos da Granja do Torto acompanhados pela Rafa que nos seguiu durante um tempo de carro. Nos despedir dela e de Brasília não foi fácil, ficamos todos emocionados e as pedaladas seguiram com muita reflexão, tentando digerir os aprendizados e momentos que passamos na capital.

No caminho sentimos muito do que são as eleições, um lixo! Além do nível baixíssimo dos candidatos, santinhos, panfletos, cartazes e bandeiras de campanha eleitoral para todos os lados, dinheiro do povo transformado em lixo. Saímos tarde e chegamos em Taguatinga já era 16 horas. Aproveitamos a hospitalidade da tia Selmira e decidimos passar essa noite por lá.

No outro dia começamos a pedalar cedo para tentar evitar o sol forte, que no estado no Goiás não nos deu trégua. O calor intenso com poucas nuvens no céu tem nos desgastado bastante. Passamos por Águas Lindas de Goiás, cidade que falaram que era uma das mais perigosas do estado. Mas além de não termos visto nada de perigoso, ainda saímos de lá com uma melancia que ganhamos de um caminhão.

De volta a Goiás

De volta a Goiás

Reserva ambiental de Águas Lindas

Reserva ambiental de Águas Lindas

Novo patrocinador: melancia

Novo patrocinador: melancia

Represa de Águas Lindas

Represa de Águas Lindas

Pedalamos cerca de 50Km e dormimos na beira de um riacho perto da rodovia. Pedalamos sentido o Salto do Corumbá. O sol fritando a cabeça aguçava ainda mais a vontade de chegar no famoso Salto. O pneu do Caseh furou assim que chegamos no único posto de gasolina do trecho. Tomamos uma água gelada e enchemos nossas garrafas para segurimos. Passamos por Cocalzinho, cidade famosa por ter ótimos picos para escalada e a primeira entrada para o Parque Estadual dos Pirineus.

Atravessando Goiás

Atravessando Goiás

E 8Km depois de Cocalzinho, enfim chegamos no Salto do Corumbá. Conversamos com o responsável pelo acesso ao local ele nos liberou de visitar o Salto e acampar.

Salto do Corumbá

Vista do Salto do Corumbá

Vista do Salto do Corumbá

O Salto do Corumbá fica às margens da rodovia BR414, entre Cocalzinho-GO e Corumbá-GO. A Estrada serve de mirante e impressiona quem por lá passa. O local conta com estrutura completa de pousada e camping, restaurante e um parque aquatico com piscinas e toboáguas.

O Salto do Corumbá é uma cachoeira de 68m de queda que desce em um imenso paredão de pedra. O local era sítio de exploração de ouro e tem um cânion logo depois do salto que foi aberto pelo garimpo muitos anos atrás. Hoje a área é muito preservada, tanto as trilhas, como o rio e não há mais ação extrativista no local.

Vista do rio Corumbá

Vista do rio Corumbá

Salto do Corumbá

Salto do Corumbá

Encostamos nossas bikes na área de camping e seguimos direto pra trilha de 800m que leva até a cachoeira. O poço da base é raso e tem jeito de entrar embaixo da queda principal com água na cintura.

No dia seguinte seguimos para enfim chegar a Pirenópolis. Era apenas 25Km de pedalada, mas nem tudo é tão simples.

Logo na saída do Salto do Corumbá, o câmbio traseiro da bicicleta do Tiago entrou para dentro do raio e quebrou tudo. Fizemos uma gambiarra para deixar a bicicleta com uma marcha só. Funcionou um tempo, mas depois a corrente começou a escapar sempre que ele pedalava mais forte.

Chegamos nessa situação até a entrada da cidade de Corumbá e decidimos pegar uma carona para chegar até Pirenópolis. Depois de quase 2h tentando a carona sem sucesso, decidimos ir empurrando as bikes morro acima e descendo nas banguelas. Depois de uns 3Km nesse ritmo – que não evoluia nem a pau – um caminhoneiro de Curitiba achou que estávamos pagando promessa, viu nosso aperto, parou para nos resgatar e nos deixou na entrada da cidade de Pirenópolis.

Bem vindo a Pirenópolis

Bem vindo a Pirenópolis

Tiago com a bike quebrada teve que correr atrás de uma loja para resolver o problema, mas chegamos bem na véspera do aniversário da cidade e no início da semana seguinte era feriado de 12 de outubro. Ali já vimos que a história em Piri seria muito diferente do que imaginávamos.

Chegando no centro histórico de Piri

Chegando no centro histórico de Piri

Diário de Bordo | Tags: , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

De pedal na capital – Brasília-DF

Brasília-DF

Chegamos em Brasília à noite de carona na caminhonete do Edmar. Quando a Rafa abriu a portão de casa Kico falou pra ela:”Prometemos que vamos deixar sua casa do jeito que chegamos” e ela respondeu: “Não, não! Vocês vão deixá-la melhor do que econtraram”. Foi ai que começou nossa história em Brasilia.

Em nossa primeira noite na granja do torto fomos lanchar no bar do Hugo, que nos deu um rango gostosao de boas vindas ã granja. Recepção melhor ainda foi a de encontrar uma galera de ciclistas amigos da Rafa. Bom de ver a quantidade de bike que tem na granja, galera atitude!

A cidade

Palácio do Planalto

Palácio do Planalto

A curiosidade era grande, para conhecer a capital do meu país. Em uma temporada no interior, estavamos cheios de pensamentos quanto a voltar para a babilônia. Mas como sempre nessa viagem, nenhuma das previsões que tivemos se aproximou da realidade.

De cara o choque foi com a arquitetura. O relevo plano facilita muito a construção civil e aparentemente o que não falta aqui é recursos financeiros. E como políticos gostam de uma obra, miséria pouca é bobagem e o Oscar Niemeyer nadou de braçada. Ficamos bem impressionados com o que fizeram por aqui.

Para começar a cidade é no formato de um avião, mas se parece mesmo é com uma mega base militar do futuro. Quase todas as avenidas são potencialmente uma pista de decolagem e das graúdas. Toda setorizada, hospitalar, residencial, comercial, setor de tudo que se possa imaginar. Como um circuito de computador as quadras são cheias de lógica e geometrias repetidas. Para complementar corre uma historia que existem ligações subterrâneas entre os ministérios e as bases militares. A primeira vista sua beleza imponente e simétrica dá impressão monótona e séria.

No meio do Cerrado, uma das maiores fontes de biodiversidade do mundo, o urbanista Lucio Costa deu o toque que faltava quando elaborou o Plano Piloto. Diversas áreas verdes colorem a cidade dando um aspecto tranqüilo e leve. E Brasil, não tem jeito. Cidade nova, pessoas de todas regiões, varias religiões, tudo junto e misturado.

Supremo Tribunal de Justiça

Supremo Tribunal de Justiça

De rolé na esplanada

De rolé na esplanada

E com incentivos do governo vários eventos culturais acontecem com freqüência. É muito surreal assistir o show do D2 no eixo monumental. A propósito, as principais vias da cidade são chamadas de eixo. E o Eixão, avenida central que corta de ponta a outra as asas norte e sul, aos domingos é interditada para trânsito comum e se transforma em ponto de encontro para atletas e as vezes uma bagunça (fomos na corrida da cerveja que rolou lá). Outro lugar que o brasiliense gosta de praticar esporte e fazer uma farofa aos fins de semana é a Ermida. Às margens do Lago Paranoá, tem um visual fantástico e acesso ao lago para caiaques e colchões infláveis. E não há um ângulo melhor para apreciar a mais nova obra babilônica de Brasilia, a Ponte JK, considerada a mais bonita do mundo.

De braçada no Paranoá

De braçada no Paranoá

Não falta lugar para ir. O parque da cidade é lindo, o parque Água Mineral é gigante e bem preservado. O pôr do sol é espetáculo de qualquer lugar da cidade, principalmente da famosa torre que fica no centro do eixo monumental e oferece uma panorâmica diferenciada.

Não é a primeira impressão que vai ficar, e sim saudades desse lugar curioso e com tanta gente “de rocha”.

Reunião do projeto Plantando Árvore, colhendo Educação

Recebemos um convite da Gabriela, que trabalha na secretaria de meio ambiente de Samambaia para participar de uma reunião com os pedagogos da rede municipal da cidade do projeto Plantando Árvore, colhendo Educação.

O Caseh foi o representante da Nova Origem e na reunião foram aprensentados os resultados do projeto Plantando árvore, Colhendo Educação, onde as crianças ajudam no plantio e manejo de agroflorestas.

Foi de muito aprendizado participar de uma reunião onde foram discutidas formas de inserir a Educação Ambiental na grade curricular das crianças. Pudemos ver na prática como e o quê pode ser feito para que nossas crianças cresçam sabendo a se relacionar com o meio ambiente. Tivemos um espaço no final da reunião para apresentar nosso projeto aos pedagogos. Agradecemos a Gabi, amiga que fizemos na Chapada do Veadeiros, pela oportunidade que muito nos ajudou.

Curso de Sistemas Agroflorestais do IPOEMA

Galera do curso de Sistemas Agroflorestais

Galera do curso de Sistemas Agroflorestais

Durante nosso tempo em Brasília, tivemos a sorte de estar rolando um curso de Sistemas Agroflorestais, ministrado pelo IPOEMA. O curso aconteceu no sítio Semente, há 30Km de Brasília. Negociamos com o Juan e conseguimos um desconto para que um de nós participasse do curso. Tiramos na sorte para ver quem seria o participante e quem ganhou foi o Kico.

O curso

Passei quatro dias acampado no sítio Semente em uma vivência maravilhosa com cerca de 30 pessoas. É fácil reconhecer o sítio, um aglomerado de verde em meio a uma aridez de Cerrado dos terrenos em volta e isso no auge da temporada de seca.

O curso explicou os conceitos do Sistema Agroflorestal, onde se utiliza dos processos de sucessão natural das especies para produção agrícola. Em um sistema agroflorestal, consegue-se extrair lucro e ainda melhorar a qualidade da terra, respeitando-se a fauna e flora locais.

Ralando!

Ralando!

Sala de aula

Sala de aula

Tivemos aulas teóricas e práticas. Na aula prática, a turma foi dividida em grupos e cada grupo foi responsável pelo plantio de um canteiro. A princípio ficamos meio chocados com a qualidade do solo, pois o sítio fica em um terreno muito pedregoso, onde parece que nada vai nascer ali. O trabalho foi pesado. Capinamos, fizemos cova, adubamos e plantamos cerca de 50 espécies de plantas de todos os estratos (desde alface até árvores enormes como o Baru) em um mesmo canteiro.

A vivência no sítio foi maravilhosa e conheci pessoas especiais. Deixo um grande abraço a todos que compartilharam esses dias comigo e agradecemos ao IPOEMA pela oportunidade. Sem deixar de lembrar do rango vegetariano maravilhoso que nos foi oferecido durante esses quatro dias.

Dia Mundial Sem Carro

Dia Mundial Sem Carro

Dia Mundial Sem Carro

Participamos em Brasília da pedalada do Dia Mundial Sem Carro em 22 de setembro de 2010. A pedalada de cerca de 20Km teve uma parada na porta do Palácio do Buriti para que o governador do DF, Rogério Rosso, junto com um batalhão de seguranças, se juntasse aos cerca de 50 ciclistas.

Depois que o governador se juntou ao grupo, pedalamos pelo Eixo Monumental até a porta do Museu Nacional, onde rolou um café da manhã para todos os ciclistas. Houve pronunciamento dos líderes dos principais movimentos de bicicleta do DF em prol de melhores condições para a bicicleta no transito de Brasília.

O governador assinou uma carta compromisso que diz que haverá um investimento de R$55 milhões para a construção de mais 300Km de ciclovias na capital nacional. Um excelente exemplo para as outras capitais brasileiras. Um comentário interessante do governador foi “Quero para o trânsito de Brasília um caminho parecido com cidades como Amsterdã e Paris, com respeito pelos ciclistas e não seguir o exemplo do trânsito de São Paulo.”.

Rolé de Tandem

Rolé de Tandem

Governador do DF no DMSC

Governador do DF no DMSC

Sem puxa-saquismo dos gringos, mas o Brasil carece muito de investimentos para melhor inserção do ciclista no trânsito, com vias seguras e um trabalho de educação dos motoristas para que tenham mais respeito por quem tá de bike.

Ainda no DMSC, conhecemos o Enoque, um cicloturista gaúcho que está pedalando por todo o Brasil lutando contra o crack e a pedofilia. O cara saiu com R$100 no bolso e já pedalou por 20 estados brasileiros. Força no pedal, irmão!

Como estamos em período eleitoral, houve um bocado de politicagem durante o evento, principalmente pela presença do governador Rosso, mas nada que tirasse o brilho e a importância do movimento pró-bicicleta.
Parabéns aos grupos que tomam frente da organização dos movimentos a favor da mobilidade urbana e do uso da bicicleta como meio de transporte. Nós apoiamos a causa!

Casa da Rafa

Dia de despedida da Rafa e da Miuca

Dia de despedida da Rafa e da Miuca

Rafa, nossa anfitriã de Brasília, abriu as portas da sua casa e nos deixou ficar hospedados durante todo nosso tempo na cidade. Ela tinha dito que deixaríamos a casa dela melhor do que quando entramos. Não sei se ficou melhor, mas pelo menos garanto que ficou bem diferente.

Durante nosso tempo na capital, nos sentimos parte da família, dado o carinho que recebemos de seus pais, irmão e avó. São pessoas especiais a quem ficaremos eternamente gratos.

Fizemos um “agrojardim” em seu quintal, no meio dos margaridões que já tem por lá, onde plantamos mais de 50 plantas diferentes, de hortaliças a palmeiras. Todo dia alguém se revezava para regar as plantas no auge da seca de Brasília. Agora que começaram as chuvas, o jardim dela está virando uma floresta!

Rapelados no poker

Rapelados no poker

Galera do pedal da Granja

Galera do pedal da Granja

Passamos nosso tempo conversando sobre detalhes da vida que estão esquecidos hoje em dia. A vida fora da cidade, busca pelos princípios básicos ao invés de focar somente em dinheiro, filosofias, I-Ching e outras mil viagens. Otras vezes nos redíamos ao carteado (principalmente poker), e fomos os três rapelados por ela e pelo Vitinho.

A Rafa é terapeuta nutricional, acupunturista e agora está se aprofundando pelos lados da iridologia. Ela foi peça chave na mudança de nossa alimentação e do nosso comportamento em relação a doenças, remédios e tratamentos alternativos.

Remédios naturais pro nosso kit de primeiros socorros

Remédios naturais pro nosso kit de primeiros socorros

No dia que perguntamos a ela o que ela achava de nossa alimentação, ela disse “É boa, mas é muuuuito queijo!”. Fazer o que né? Herança de Minas Gerais.

Fizemos uma parceria e agora ela será responsável por nosso acompanhamento nutricional, saúde em geral e vai fazer um histórico de evolução da íris de cada um de nós durante a viagem.

Pessoa especial e iluminada que já faz falta do nosso lado. Fica na luz Rafa! Nos vemos em breve!

Diário de Bordo | Tags: , , , , , | 2 Comentários